Erika @Erika_Soraya

Risos na Penumbra

No salão escuro, onde a luz hesita, Ecos de risadas cortam a névoa espessa. Humor negro, irmão da dor finita, Dança nos lábios, uma sombra que se confessa. Cada piada, um epitáfio disfarçado, Cada gracejo, um suspiro de desespero. É o riso que nasce do coração quebrado, Um eco irônico do abismo verdadeiro. A Morte, a anfitriã, sorri nos cantos, Seu véu de trevas bordado de sarcasmo. Ela brinca com ossos, tece encantos, Enquanto o riso se transforma em espasmo. "Por que chorar se a vida é um tropeço?", Pergunta o bobo da corte, pálido e mudo. Seu cetro é uma foice, seu trono, o esquecimento, E seu riso, um lamento disfarçado de escárnio agudo. Os convidados, fantasmas de si mesmos, Dançam em círculos, num baile macabro. Cada piada, um corte, um golpe supremo, E o riso, um véu sobre o destino funesto e sabre. No fim, resta o silêncio, pesado e frio, O humor negro se dissolve na madrugada. E a Morte, sempre sábia, guarda o segredo antigo. Que o riso é a máscara da alma despedaçada.

Comentários · 2

  1. Arturo

    Bonito poema! 💐

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    1. Erika

      muito obrigada 😊