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Davysson

@Davysson · desde 2024

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Transformação

Ando alguns passos após uma mudança drástica. A natureza confirma e me beija a testa. Tudo é caminho e eu caminho em direção. Os animais os objetos sem questionar em comunhão, tudo é terra, tudo é mar. Porque me transformei que agora vejo que amar é estar em harmonia com as coisas. Me oferecem um espelho: vejo um animal Tudo que existe me olha com dulçor e me ama e eu amo também. Percebo que sou natureza. Me acaricio.

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Atravessamento

Passar pelo outro na rua Farejar os caminhos possíveis Até traçar o trajeto, até Pedir licença apressado. Passar pela calçada estreita Checar os carros ao lado Pisar no asfalto gastado Para atravessar o outro na rua. Passar pelo outro, conhecer Seu passo, tangenciar sua pele Imaginar sua rota, seu cerne Mas esquecer a figura sua. Ser atravessado pelo outro Sentir seu vento xingado Em silêncio apressado Para ser esquecido na rua.

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Casa

Estou tão longe e só quero voltar Pego no teu coração que é colo, Abro-o: é aqui onde moro Onde posso respirar. Quero ser tua casa Calor de uma tarde afável Abraço de flores brandas Acordar e te ver contente Te beijar e te sentir Intensamente. Quem me dera ser apenas cama Para que tu me pudesses deitar.

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Corpo

mais uma vez me embebedo de imensidão. Minha carcaça voraz nada faz, mas tenta tudo. não permiti que me atravessassem a sensibilidade, esse sentimento ilhado não o toquei não deixaram nem me deixei. hoje jorro sangue fervido e a pele do meu fulcro se faz selvageria. sob o sol, este corpo sente cada gota de suor sente o mar a correnteza os peixes a alga lava. funda palavra . solta num matagal de flora carnívora, é pelo amor que esta matéria corre, e pelo amor ...que se devora.

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Mareu

As estradas lindas me lembram Que tudo é passagem. Pássaros presos na sombra da árvore Tudo em mim é falta. Fluir como o rio que segue. As coisas deste mundo me atravessam E o que posso fazer é chorar. Escute esse choro meu, Em cada palavra minha. Dentro aqui (há um mar que grita) Ondas na vinda, Amar ainda é deserto. O rio me ensinou a seguir. Ainda que a terra seque— Não secar este mar em mim.

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Excesso

Escrevo pois tenho muito a dizer e quero que minhas palavras saiam do meu peito nu, desgastado pelo toque. No meu peito flores fazem festa Na fresta os espinhos fincados me matam a cada dia. Tenho demais de mim, Não sei viver fora.

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Lar Pútrido

Neste espaço minúsculo Sufoco na sua memória Árida, maçante e lá no fundo Avisto sua alma ansiando completude. É por isso que guarda tanto o mundo? Meu corpo não lhe responde, estou cansado. Meus pés doem e meu coração escurece. Olho pela janela e vejo tempestade, Olho para cá e existe furacão, Uma onda infinita dos seus vícios. Que se olvide céu e inferno. Não guarde o mundo, guarde a si; Pois a morte tem que ser seu guia. Pois a vida tem que ser seu anjo.

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Amor

Quero-te Lentamente

Se eu te sinto e tu me sentes, o momento se fez. E logo me vem a palavra ternura. É que meu ser ama o teu que te falo o que me reside – para dançarmos a ode chamada Instante –, e como quem vela uma doce vívida memória, guardo-te. Embora te olhe no fundo dos olhos, quero que teu olhar se disperse do meu até emaranhar-se no castanho infinito. Não é porque não reclamo tua presença que não te quero. Quero-te lentamente. -Davy S.

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O Voo de Ana

Ana, não deixes de amar. Colocaram-te um cadeado chamado limite, e quando mal viste, esconderam as chaves. O medo te preenchia, mas sem ele saberias que tens o mundo todo para desbravar. Ana, não deixes de amar. Ensinaram-te a não ver as nuvens. Mesmo assim exploraste o céu e das estrelas, ficou-te a solitária. Sei que queres sentir-te nua e crua neste mundo cheio de agasalhos. Ana, não deixes de amar. Saiba que és amada, ainda que não te ames. O céu é todo teu, mesmo que não saibas. Tens tanto amor para compartilhar. Voa, Ana! O amor que dás é o teu ninho no mundo. Davy S.

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Já faz um tempo

Já faz um tempo que quero ser vento Que quero ser alento, sem exatidão. Sonho pela mão que seja aconchego E com sossego eu construa meu lugar Em calmo mar que viva em casa sem dor Onde o amor seja morada permanente. Já faz um tempo que quero ser vento. Davy S.

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