Ando alguns passos após uma mudança
drástica. A natureza confirma e me beija
a testa. Tudo é caminho e eu caminho em
direção. Os animais os objetos sem questionar
em comunhão, tudo é terra, tudo é mar.
Porque me transformei que agora vejo que
amar é estar em harmonia com as coisas.
Me oferecem um espelho: vejo um animal
Tudo que existe me olha com dulçor
e me ama e eu amo também.
Percebo que sou natureza.
Me acaricio.
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Passar pelo outro na rua
Farejar os caminhos possíveis
Até traçar o trajeto, até
Pedir licença apressado.
Passar pela calçada estreita
Checar os carros ao lado
Pisar no asfalto gastado
Para atravessar o outro na rua.
Passar pelo outro, conhecer
Seu passo, tangenciar sua pele
Imaginar sua rota, seu cerne
Mas esquecer a figura sua.
Ser atravessado pelo outro
Sentir seu vento xingado
Em silêncio apressado
Para ser esquecido na rua.
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Estou tão longe e só quero voltar
Pego no teu coração que é colo,
Abro-o: é aqui onde moro
Onde posso respirar.
Quero ser tua casa
Calor de uma tarde afável
Abraço de flores brandas
Acordar e te ver contente
Te beijar e te sentir
Intensamente.
Quem me dera ser apenas cama
Para que tu me pudesses deitar.
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mais uma vez me embebedo
de imensidão. Minha carcaça voraz
nada faz, mas tenta tudo.
não permiti que
me atravessassem
a sensibilidade,
esse sentimento ilhado
não o toquei
não deixaram
nem me deixei.
hoje jorro sangue fervido
e a pele do meu fulcro
se faz selvageria.
sob o sol, este corpo sente
cada gota de suor
sente o mar a correnteza
os peixes a alga
lava. funda
palavra
.
solta num matagal
de flora carnívora,
é pelo amor que esta matéria
corre, e pelo amor
...que se devora.
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As estradas lindas me lembram
Que tudo é passagem.
Pássaros presos na sombra da árvore
Tudo em mim é falta.
Fluir como o rio que segue.
As coisas deste mundo me atravessam
E o que posso fazer é chorar.
Escute esse choro meu,
Em cada palavra minha.
Dentro aqui
(há um mar que grita)
Ondas na vinda,
Amar ainda é deserto.
O rio me ensinou a seguir.
Ainda que a terra seque—
Não secar este mar em mim.
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Escrevo pois tenho muito a dizer
e quero que minhas palavras
saiam do meu peito nu,
desgastado pelo toque.
No meu peito flores fazem festa
Na fresta os espinhos fincados
me matam a cada dia.
Tenho demais de mim,
Não sei viver fora.
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Neste espaço minúsculo
Sufoco na sua memória
Árida, maçante e lá no fundo
Avisto sua alma ansiando completude.
É por isso que guarda tanto o mundo?
Meu corpo não lhe responde, estou cansado.
Meus pés doem e meu coração escurece.
Olho pela janela e vejo tempestade,
Olho para cá e existe furacão,
Uma onda infinita dos seus vícios.
Que se olvide céu e inferno.
Não guarde o mundo, guarde a si;
Pois a morte tem que ser seu guia.
Pois a vida tem que ser seu anjo.
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Se eu te sinto e tu me sentes,
o momento se fez. E logo me
vem a palavra ternura.
É que meu ser ama o teu
que te falo o que me reside
– para dançarmos a ode chamada
Instante –, e como quem vela uma
doce vívida memória, guardo-te.
Embora te olhe no fundo dos olhos,
quero que teu olhar se disperse do meu
até emaranhar-se no castanho infinito.
Não é porque não reclamo tua presença
que não te quero. Quero-te lentamente.
-Davy S.
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Ana, não deixes de amar.
Colocaram-te um cadeado chamado limite,
e quando mal viste, esconderam as chaves.
O medo te preenchia, mas sem ele saberias
que tens o mundo todo para desbravar.
Ana, não deixes de amar.
Ensinaram-te a não ver as nuvens.
Mesmo assim exploraste o céu e
das estrelas, ficou-te a solitária.
Sei que queres sentir-te nua e crua
neste mundo cheio de agasalhos.
Ana, não deixes de amar.
Saiba que és amada, ainda que não te ames.
O céu é todo teu, mesmo que não saibas.
Tens tanto amor para compartilhar. Voa, Ana!
O amor que dás é o teu ninho no mundo.
Davy S.
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Já faz um tempo que quero ser vento
Que quero ser alento, sem exatidão.
Sonho pela mão que seja aconchego
E com sossego eu construa meu lugar
Em calmo mar que viva em casa sem dor
Onde o amor seja morada permanente.
Já faz um tempo que quero ser vento.
Davy S.
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