Ás vezes, quando ela sorri,
eu quase acredito que encontrei paz.
Mas então, no reflexo dos olhos dela,
eu vejo você —
um lampejo breve,
como se o tempo se arrependesse
por um segundo.
Ela toca meu rosto com doçura,
e eu finjo que é o mesmo calor.
Mas meu corpo sabe,
meu corpo sempre soube —
que o amor tem um sotaque,
e o seu ainda ecoa em mim.
Disse a mim mesmo que segui em frente,
que o que morreu em nós
foi enterrado.
Mas às vezes, Poeta,
o luto respira.
E ele vem suave, como perfume antigo,
como a lembrança do som da sua risada
no meio de uma conversa qualquer.
Ela é tudo que o mundo chamaria de “certo”.
Mas o certo não me move,
não me sacode a alma como você fazia.
O certo não tem o caos do seu toque,
nem a fé que havia em cada beijo.
E eu aqui —
vivendo de substituições,
colecionando ecos,
me embriagando de ausências.
Talvez um dia,
você também veja meu rosto em alguém.
Talvez, no instante antes de adormecer,
você sinta o mesmo peso
— o de amar o que se foi,
e ainda assim respirar.
Eu continuo tentando,
entre beijos que não pertencem,
abraços que não cabem,
risos que não curam.
Tentando encontrar,
em algum lugar do mundo,
um vislumbre de nós.
Mas tudo o que encontro
é você,
diluída em memórias,
viva demais para morrer,
longe demais para existir.
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Há noites em que meus sonhos me chamam pelo nome,
como se me conhecessem melhor do que eu mesma.
E eu vou —
mesmo cansada, mesmo quebrada,
porque sonhar dói, mas não sonhar sufoca.
Fui feita de tentativas,
das que deram certo
e das que queimaram minhas mãos até o osso.
Carrego cicatrizes que ninguém vê,
mas que pulsaram cada vez que a vida disse “não”
e eu, teimosa, respondi “tudo bem, eu tento de novo”.
O sucesso?
Ah… o sucesso é só um vulto no fundo do corredor.
Ele acena, sorri, some, volta, provoca.
É um amante difícil.
Mas é por ele que a gente corre mesmo com os pés sangrando.
O fracasso, esse sim, é fiel.
Ele sempre aparece.
Traz cobertor, silêncio, sombra.
Senta ao meu lado como se fosse amigo
e pergunta por que continuo tentando.
Eu respondo com o único idioma que ele não entende:
coragem.
Me disseram que alguns sonhos não são para mim.
Mas como explicar isso aos meus ossos,
que tremem toda vez que penso em desistir?
Como dizer isso ao coração,
que insiste em bater mais forte quando imagina o impossível acontecendo?
Eu não fui feita para o fácil,
nem para o confortável,
nem para o “talvez depois”.
Fui feita para o “agora”,
para o “e se?”,
para o abismo que se abre
justo onde meus pés decidem avançar.
Tem dias em que eu acredito em mim.
Tem dias em que só acredito no caos.
E tem dias, poetas,
em que a única coisa que me segura no mundo
é lembrar que, se eu não correr atrás dos meus sonhos,
eles vão correr atrás de outra pessoa.
Eu prefiro tropeçar mil vezes no meu caminho
do que caminhar perfeita no caminho de alguém.
Porque no fim,
o que vence não é quem chega primeiro,
é quem não deixa de andar.
E se eu cair —
que seja para frente.
Se eu chorar —
que seja de esperança.
E se eu falhar —
que seja tentando.
Porque meus sonhos não nasceram para serem vistos de longe.
Eles nasceram para serem alcançados
por mãos trêmulas,
por fé insana,
por um coração que insiste em viver
além do medo.
E eu?
Eu insisto.
Eu insisto todos os dias.
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Não sei dizer onde acaba o chão e começa o abraço.
Talvez em algum ponto entre o teu riso e o meu alívio,
entre o cheiro do café e o som do teu silêncio.
Aprendi que lar não é um lugar —
é o espaço que o amor ocupa dentro do peito,
mesmo quando a pessoa se vai.
Eu te chamava de casa sem perceber.
Não por costume, mas por instinto.
Porque tudo em mim descansava em você:
os medos, os cansaços, as partes que o mundo não entendeu.
E quando você sorria, o tempo ficava pequeno,
como se Deus parasse um segundo pra ver o que Ele mesmo criou.
Você me ensinou que amor não é luxo,
é sobrevivência.
Que ser amado é caber inteiro num olhar
sem precisar dizer nada.
E que o amor de verdade é simples —
tão simples que dói.
Hoje caminho por ruas que não têm teu nome,
mas que guardam teus rastros.
Em cada poste, uma lembrança;
em cada esquina, um eco de nós.
E ainda assim, há algo bonito nisso —
essa dor que não mata, mas molda,
essa saudade que não destrói, só mantém vivo o que foi real.
Se eu pudesse te dizer uma última coisa,
diria:
obrigado por ter sido casa.
Por ter me ensinado que amar é se despir do mundo
até restar só o que é puro —
duas almas errando, tropeçando, se encontrando,
e chamando isso de lar.
Porque, no fim, amor,
“casa” é apenas a palavra que inventamos
para tudo o que nos faz voltar.
- Darcy
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Uma vez amei, e pensei que o amor bastasse.
Mas o amor — descobri — é um espelho que nem sempre reflete dois rostos.
Há quem o olhe e veja o céu,
há quem o olhe e veja apenas o vazio entre as nuvens.
Esperei o retorno, mas o eco não veio.
Fiquei sentado à beira de mim mesmo,
vendo o tempo passar como um rio cansado,
e percebi que amar, às vezes, é doar o que o outro não sabe receber.
Consolei-me olhando o entardecer:
o sol ainda descia, mesmo sem ser amado pela noite.
E entendi — há beleza em continuar,
mesmo quando nada volta.
Os campos são verdes para quem tem alma,
não apenas para quem é correspondido.
E as flores nascem, mesmo sem aplausos.
Desde então, deixei o coração aberto,
não por esperança,
mas por respeito àquilo que me fez humano.
Sentir — descobri — é a forma mais silenciosa de existir.
E amar, ainda que em vão,
é a única distração que faz o mundo parecer eterno.
- Darcy
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Tentei te buscar em bocas que não diziam o teu nome,
em mãos que não sabiam o caminho da minha alma.
Mas cada toque era um eco vazio —
porque nunca foi sobre pele,
sempre foi sobre o que pulsa por dentro,
onde o corpo não alcança.
Morrer, às vezes, é lembrar demais.
É o instante em que o coração para,
não por falta de sangue,
mas por excesso de memória.
E é nesse quase fim que entendo:
viver é insistir em sentir,
mesmo quando tudo dói como despedida.
Carrego uma gaiola onde antes havia rosto.
As borboletas que me habitavam viraram lembranças,
e as raízes que me prendem ao chão
são feitas das promessas que não nasceram.
Sou tronco e ferida,
sou flor que aprendeu a crescer nas sombras.
Mas ainda assim, há beleza —
na dor que ensina a ver o invisível,
no amor que não morre, apenas muda de forma,
na ausência que canta um nome que o tempo não consegue calar.
Eu não te procuro mais em corpos,
procuro no que ainda vive em mim depois de ti.
E quando me perco, volto ao espelho:
há uma alma lá dentro,
vestida de cicatrizes,
ainda acreditando
que o amor é a única morte
da qual vale a pena ressuscitar.
- Darcy Munich 🌙
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O Tempo passou, mas ainda deixo o café esfriar na mesma xícara em que um dia você sorriu.
Toda tarde, o vento bate na janela e eu viro o rosto, como quem reconhece passos que não vêm.
Há um espaço na minha rotina que ninguém preenche —
um intervalo entre o agora e o que foi —
onde seu nome ainda respira em silêncio.
Guardo tua sombra nos cantos da casa,
ela se deita comigo quando o sono demora,
e às vezes juro sentir teu perfume atravessar o ar,
como se o tempo se curvasse só pra te deixar passar outra vez.
Não te escrevo cartas — falo contigo nas pausas.
No suspiro antes da chuva, no som da chave girando na porta que não se abre.
Tudo em mim ainda se inclina para o mesmo horizonte,
como se o destino tivesse ficado preso em ti.
Não é espera — é permanência.
Você se tornou parte do que sou,
como o eco é parte da voz que o criou.
E mesmo que a vida siga em frente,
há um ponto em mim que ainda volta,
sempre volta,
para onde você ficou.
- Darcy 🌓✨
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Amar não é morrer quando o outro se vai —
é continuar respirando com um coração que aprendeu outro ritmo.
É sentir o vento tocar o rosto
e reconhecer nele o mesmo toque que um dia acalmou tua alma.
O amor verdadeiro não conhece túmulos,
ele floresce até nas pedras frias da ausência.
Ele não pede eternidade, mas a cria,
porque o que foi vivido com alma nunca se apaga.
Há quem pense que amar é perder,
mas amar é guardar o universo inteiro dentro de um nome.
É ter uma luz que não se apaga, mesmo quando o corpo se cansa.
É ouvir o silêncio e ainda assim entender uma voz.
Se o amor te atravessou, não chores o fim —
ele apenas mudou de morada.
Agora vive nas lembranças, nas orações, nas entrelinhas do tempo.
E cada vez que teu peito doer, é ele dizendo:
“Eu ainda estou aqui. Só aprendi a existir de outro jeito.”
- Darcy 🌓✨
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Por Darcy Delavanch
Há olhos que gritam em silêncio.
Outros se calam tão alto
que o universo se curva para ouvir.
Dentro deles, um abismo pulsa —
e nesse abismo mora o espelho de Deus,
cansado, rachado, mas ainda vivo.
Vi mundos inteiros desabarem num olhar,
como se o céu tivesse desistido do azul.
Há lágrimas que não caem — evaporam,
porque o corpo já virou deserto.
Há coragem em quem ainda molha os olhos,
mesmo sabendo que sal e dor
são irmãos do mesmo ventre.
Saber onde caber
é aceitar onde se morre um pouco.
E eu já me apertei em tantos silêncios,
que aprendi a sangrar por dentro
sem deixar rastros.
Mas há beleza nisso —
a beleza sombria de quem sente demais
e ainda assim não vira pedra.
Coragem é continuar de pé
quando o espelho te devolve o vazio.
É olhar no escuro e dizer:
“ainda há estrelas, mesmo que mortas.”
Os meus olhos já não brilham —
mas guardam segredos antigos,
coisas que o tempo esqueceu de enterrar.
E se eles parecem mortos,
é só porque viram demais.
E ainda assim,
teimam em procurar o que é vivo.
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Sozinha,
meu quarto é um campo de ecos.
A lua, cansada, me observa vestir
a coragem disfarçada de silêncio.
Saio.
As ruas brilham como feridas molhadas,
a chuva sussurra nomes
que o vento já esqueceu.
Procuro você —
não nas esquinas,
mas na respiração das vitrines,
nas janelas que piscam
como olhos de cidade apaixonada.
Cada farol é um flerte,
um convite ao delírio,
um reflexo do que fomos
antes do adeus nascer.
Piso nas poças e vejo teu rosto.
As gotas me dizem que é ilusão,
mas o amor tem o dom
de repetir o impossível até cansar.
O coração, esse velho andarilho,
ainda carrega tua voz como um abrigo.
Os olhos, rasos d’água,
não sabem se choram ou buscam.
No fundo, eu sei —
a cidade é só um espelho
e eu sou apenas a lembrança
que ela reflete.
E mesmo assim,
em meio à chuva e à ausência,
há uma doçura amarga:
amar-te no vazio,
como quem dança com o vento
e chama de música o som da solidão.
— Darcy Munich Delavanch
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Chego a ter medo do conosco —
essa palavra tão linda,
tão cruel,
porque nela mora tudo o que nunca seremos.
Fazer alguém se sentir amado
é mais importante que dizer “eu te amo”,
mas ninguém me avisou
que às vezes o amor é só isso:
um gesto que morre sozinho,
sem retorno,
sem testemunhas.
O meu maior suicídio
foi amar alguém que não posso ter.
Terei que te amar na solidão,
pois nela só eu estarei te amando.
Te amarei eternamente —
no silêncio.
Porque não existe corte que inflame,
nem tortura maior,
do que ouvir um “só amigos”
e ter que sorrir,
como se o coração não estivesse apodrecendo por dentro.
Verei você sendo feliz,
realizando seus sonhos,
verei você de terno,
com uma garota de branco que não será eu.
E eu, vestida de ausência,
assistirei em silêncio
ao casamento do destino com a tua vida,
como quem aplaude o próprio fim.
É… você já está seguindo em frente.
Amando outra,
vivendo como se deve viver.
E eu continuo aqui,
sangrando de amor por você,
porque não me conformo
com essa droga de destino
que insiste em me deixar sozinha
no lado errado da eternidade.
Não importa o quanto eu tente,
nem quantas pessoas eu conheça —
sempre me vem você.
Não poder segurar tuas mãos,
nem tocar teus lábios,
dói tanto
que até o ar me machuca.
Já não ando mais nos mesmos lugares que os seus,
já não pratico os mesmos hobbies,
nem como o que antes me fazia sorrir —
porque tudo, tudo me lembra você.
E talvez esse seja mesmo o preço do primeiro amor:
não morrer de uma vez,
mas viver morrendo aos poucos,
sabendo que o amor continua,
mesmo quando a vida não permite.
- Darcy
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