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Marcelo

@Darchangel · desde 2019

"...em algum lugar, entre o silêncio sagrado e o sono..."

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Amor

Não é real

Não é real, as flores disseram Espelhando o aroma de teu corpo em meu ser Naquela manhã, nublada e chuvosa, Foste embora sem ao menos me ver Não é real, clamaram as nuvens Ignorei-as, é claro, não queria esquecer Que o amor de verdade permanece em tudo Mesmo quando o mundo não consegue entender Não é real, soprou-me o vento Imitando tua voz aos meus ouvidos atentos Procurei-te ao redor, mas não encontrei Murcharam-se as flores Desaguaram-se as nuvens E o vento, então, por fim cessou Se fora real o amor que senti Onde estará quem o mundo imitou?

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Sombras e luzes

A nossa sombra projetada nos muros Aumenta conforme o sol se põe Talvez sejam os infortúnios Que nos causam tais ilusões Em outra vida te amei... Amei, mas não me lembro Pôs-se o luar no lugar do sol Chove prata ao invés de ouro E a luz que agora me atinge Dá-me a sombra tão pouco Em outra luz te amei... Amei, mas era manhã Poer... essa coisa doentia Doer... e se foi a poesia Soer... como sempre foi. E a aurora fulge deslumbrante Derramada qual tinta no céu E um verso surge no horizonte Trazendo vida ao papel Em outras cores te amei... Amei, e era só.

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O teu fantasma

A minha distração é te imaginar por todo canto E divagar conversas com o teu fantasma por aí; Convencer-me de que os teus olhos brilhariam E de que aquela canção alegraria os teus ouvidos. Mas tu não imaginas o que é perder Sem nunca haver possuído. Protejo meu peito das tempestades, não da chuva; Das lembranças, não dos medos. Mas os trovões ainda se fazem ouvir por toda a casa E a minha solidão permanece igual à tua. E eu só entendi o que era o amor Quando tentei te entender. Àquele que ler: sabe-se lá quem. Ao que cantarolar, tenha dó também Ao que beber, embriague-se aos poucos Ao que chorar, derrame-se aos loucos Ao que perder, que ganhe o mundo Ao que ganhar, que não perca o rumo Ao que partir, não se despeça A quem ficar, que não tenha pressa...

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Dentro de mim

Todos os momentos espontâneos e desajeitados Fizeram-me mais feliz do que aqueles combinados E eu não gostaria de planejar vivê-los outra vez. O sorriso que surge ao achar algo engraçado É infinitamente melhor que o fotografado. Aliás, peço-te que não me fotografes, mas, se o fizeres, que seja a fotografia mais ridícula possível, do momento mais improvável ou constrangedor. Dentro de mim, nesta alma que respira, a vida acontece quando o acaso nos convida. Planos, planilhas e planícies. A última opção me parece bem melhor. Dentro de mim, nesta mente inquieta, viver é aproveitar o tempo que nos resta.

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Simples

Tão natural quanto meus braços ao seu redor E a sombra das árvores se movendo ao sol É o meu sorriso ao te admirar E o latir dos cachorros E o vento carregando as flores Tão simples pensar em você Como respirar fundo o frescor da tarde Nas silenciosas horas passageiras E as nuvens esbranquiçadas E o nosso reflexo na água É tudo de mim, sem reservas Para te entregar, um dia, sem pressa Mas tudo o que eu gostaria mesmo Era te receber É tão simples, não é?

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Âncora

Bem ao fundo do mar, onde a luz não alcança Ancoro-me, por vezes, à tua lembrança Tão calma, tão mansa Meu seguro cais Meu coração conhece o caminho do mar Mas pensar em partir já me faz questionar: “Será que me arrisco a não mais voltar?” Os ventos me empurram para o lado norte Mas preso ao passado é pior do que a morte Para quebrar as correntes, preciso ser forte Assim, fundeado por vontade própria Sem bússola em mãos e à deriva do caos Percebo, finalmente, o que mais importa: Eu não sou o barco E nunca houve âncora.

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Silhueta

Preciso escrever. Finalmente quero escrever. Novamente, a necessidade de colocar em palavras O que não consigo dizer Pode ser eu, ou pode ser você, tanto faz Como uma criança descobrindo algo que todos os adultos já sabem Mas os olhos brilham, o rosto sorri, as pernas saltitam e os braços se esticam para alcançar um céu que se tornou tão próximo “Por que o sorriso?”, alguém vai dizer “Por que saltitar?”, outro questiona “Pra quê escrever?” Não é “pra quê”. É “para quem”, eu digo Talvez eu tenha visto a silhueta do amor Talvez o cupido tenha se lembrado de nós Talvez eu tenha te visto por aí, quem sabe Ou pode ter sido apenas minha mente pregando uma peça Vai saber Eu só sei que quero escrever.

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Pra que você soubesse

Estar perto é tão relativo, querida Pois quando não sei por onde você está Todo lugar se torna distante para mim Embora eu guarde sua imagem em meu peito Não sei se os raios de sol dessa manhã tocaram sua pele E nem se aquela estrela distante brilhou em seu céu Mas, para que você soubesse que estive aqui, Soprei sementes de dente-de-leão Na esperança de que o vento as levasse até sua varanda e lhe mostrasse um caminho Para que você soubesse Corri pelas ruas e deixei minhas pegadas no chão Assim, quem sabe, você as pudesse seguir Contei para as árvores alguns segredos Para que você os soubesse Caso alguma folha caísse em seu jardim E que cumpri uma das promessas que fiz: Estou de volta, aqui, bem perto Para que você saiba.

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Prisma

Branco, esmeralda, lilás e azul Em meus olhos, tua luz é desfeita O calor e a ternura que tanto me acolheram Atiram-se agora para longe de mim Não há dor, mas um súbito sorriso afugentado Desbotado por lamúrias criadas na mente: A metade de um ponteiro, o sol sobre a cabeça A brisa que se dissipa ao atingir-nos a face Bronze, escarlate, laranja e anil Finalmente à parte.

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Departir

Faltou-me coragem, e não tempo Falhou-me o peito, e não a razão Passaram-se horas em pleno silêncio Perdido em teus olhos, sem teto ou chão A noite nos veio, findou-se o dia E agora, para onde eu vou? Se parte de mim prefere tua pele Se parte de ti dizer sim ou não Se partes assim, saudades me deve À parte de nós, total solidão.

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