Amor e Vazio
Nunca falam das lágrimas que escorrem quando se escolhe, deliberadamente, a solidão. Não são lágrimas de abandono, mas de um crime cometido contra o próprio coração — o crime lúcido de quem, em plena consciência, decide permanecer no silêncio. Aponto o dedo para a escuridão que menos fere — essa em que o espÃrito, cansado de resistir, encontra refúgio num quarto vazio. É nela que deito meu coração exausto, talvez por covardia, ou pelo cansaço que nasce da alma abatida — aquele que vem de sentir demais, de consentir em excesso. Com o tempo, conheci mais profundamente essa dor estranha, quase sombria: uma dor que não sangra, mas fere em silêncio; que não clama por piedade, mas se recolhe em si — amarga e sincera — como um criminoso que aceita sua sentença por amor ao vazio. Ela se cala não por indiferença, mas por medo — medo de que qualquer esperança desperte, ainda que por um instante, a lembrança de um amor improvável. E, no entanto, essa dor — silenciosa, discreta, submissa — dilacera tanto quanto as outras. Em sua presença, descanso meu coração fatigado, como quem se deita ao lado de um fantasma que, sem precisar falar, compreende a alma sem vida. Ali, entre sombras de tão breves recordações, teci um lar invisÃvel — um lar feito de lembranças e memórias jamais vividas, mas que, ainda assim, habitaram um instante eterno no delÃrio de duas almas que clamaram por um mesmo desejo, uma mútua vontade. E é ali, nesse refúgio de solidão e sonho, que meu coração — miserável, humano, e talvez quase inexistente — Me concede o luxo trágico de sonhar que um dia, me permiti amar você.
Julia Sans
nossa que profundo,. na verdade nossas lágrimas são só nossa,.e será mais fácil a vida quando atendemos que ninguém sente nossa dor
Haruki ðŸ’
obrigado; verdade, só nós entendemos nossas angústias...