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Haruki 💭

@Dan_21 · desde 2025

22 @daniel_fcds RJ ✞︎ Através dos poemas, consigo repousar meu coração cansado

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O Vazio

Entre o abismo e o caos habita você: uma falha no tempo, um lapso da minha memória, uma página não escrita até o fim. E, nesse vazio contínuo, amargo e infindável, existe o nosso eterno. Nossos sonhos, contados pelas madrugadas risonhas; nossas ambições, compartilhadas pelo brilho do olhar; nossas lágrimas, divididas para um alívio conjunto. Sem início nem fim é esse lapso — uma cicatriz que firo constantemente para nunca sarar, um sonho lunático no qual insisto em permanecer mesmo após acordar. Enfim, este é o vazio entre o abismo e o caos, que forjei para chamar de lar.

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Abismo e Amor

À medida que nos aproximamos do abismo, sentimos no corpo a brisa do último dos destinos. A esse abismo dei o nome de amor. Dizem que é simples prever a morte de tudo — que algo inconsequente sempre se denuncia antes do fim, assim afirmavam. Mas não falavam do caos. Não daquele caos que irrompe quando tocamos o ápice da existência; quando nasce a ilusão amarga de pertencer a alguém que nunca existiu; quando a alma estremece diante da recusa silenciosa ao vê-la se afastar. Inadequados e inconsequentes são o caos e o abismo. Ambos são o amor, apenas não foram feitos para amar.

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Amor

Amor e Vazio

Nunca falam das lágrimas que escorrem quando se escolhe, deliberadamente, a solidão. Não são lágrimas de abandono, mas de um crime cometido contra o próprio coração — o crime lúcido de quem, em plena consciência, decide permanecer no silêncio. Aponto o dedo para a escuridão que menos fere — essa em que o espírito, cansado de resistir, encontra refúgio num quarto vazio. É nela que deito meu coração exausto, talvez por covardia, ou pelo cansaço que nasce da alma abatida — aquele que vem de sentir demais, de consentir em excesso. Com o tempo, conheci mais profundamente essa dor estranha, quase sombria: uma dor que não sangra, mas fere em silêncio; que não clama por piedade, mas se recolhe em si — amarga e sincera — como um criminoso que aceita sua sentença por amor ao vazio. Ela se cala não por indiferença, mas por medo — medo de que qualquer esperança desperte, ainda que por um instante, a lembrança de um amor improvável. E, no entanto, essa dor — silenciosa, discreta, submissa — dilacera tanto quanto as outras. Em sua presença, descanso meu coração fatigado, como quem se deita ao lado de um fantasma que, sem precisar falar, compreende a alma sem vida. Ali, entre sombras de tão breves recordações, teci um lar invisível — um lar feito de lembranças e memórias jamais vividas, mas que, ainda assim, habitaram um instante eterno no delírio de duas almas que clamaram por um mesmo desejo, uma mútua vontade. E é ali, nesse refúgio de solidão e sonho, que meu coração — miserável, humano, e talvez quase inexistente — Me concede o luxo trágico de sonhar que um dia, me permiti amar você.

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Amor

Fragmentos de Amor

Hoje, de algum canto sombrio da minha alma, ergo uma prece silenciosa para que algum ser — mais forte, mais inteiro que eu — possa um dia beber do doce cálice deste amor que, um dia, me foi tão próximo, tão ardentemente desejado, mas que me escapou por entre os dedos como o último raio de sol antes da noite. E ainda que cada fibra do meu ser se contorça com a dor de admitir isso, há em mim uma paz sombria — a paz de quem amou com todas as forças. Como um soldado que retorna do campo de batalha, não com glória, mas com cicatrizes, sujo de sangue e silêncio, reencontro em meu peito o abrigo despedaçado de um lar que construí com o teu nome. Mesmo que esse amor tenha sido tecido com feridas veladas, fagulhas de esperança e os traumas de guerras silenciosas travadas em noites distantes, há algo de reconfortante em saber que, ao menos por um breve instante na eternidade, habitamos juntos um mesmo tempo, uma mesma memória. Uma parte de mim se apaga, morre a cada vez que as lembranças emergem — teu riso entrelaçado ao meu, teu olhar buscando abrigo em mim — e, paradoxalmente, é nesse morrer que encontro também o consolo: ver-te sorrir, ainda que nos braços de outro, é prova de que foste, és, e serás, viva. Sim, eu a amo. Mas esse amor, ao invés de exigir, agora silencia. Resta-me amar da única forma que ainda me é possível: desejando que um outro — menos frágil, menos humano — possa encontrar-te e oferecer aquilo que, apesar de tudo, eu sonhei dar-te.

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Amor

O Peso de Amar

E, justamente eu, Que nunca fui hábil com lembranças, Portador de uma memória tão pacata, tão mansa — quase morta —, Sou condenado a recordar aquele doce aroma, Que, insolente, recusa-se a morrer em mim. Tentei esquecê-lo, juro, com toda a força que um coração cansado ainda possui. Mas ele — astuto, impiedoso — sabia que me pertencia, E, por isso mesmo, jamais abandonou minha alma enferma. Hoje, vagueio entre sombras e recordações que não me pedem perdão. E em cada recanto da casa, em cada dobra do silêncio, Sinto o perfume que me acusa de ter amado demais — Ou de ter amado em vão.

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