Abismo e Amor
À medida que nos aproximamos do abismo, sentimos no corpo a brisa do último dos destinos. A esse abismo dei o nome de amor. Dizem que é simples prever a morte de tudo — que algo inconsequente sempre se denuncia antes do fim, assim afirmavam. Mas não falavam do caos. Não daquele caos que irrompe quando tocamos o ápice da existência; quando nasce a ilusão amarga de pertencer a alguém que nunca existiu; quando a alma estremece diante da recusa silenciosa ao vê-la se afastar. Inadequados e inconsequentes são o caos e o abismo. Ambos são o amor, apenas não foram feitos para amar.
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