Eu não vi o dia chegar, eu mal vi o anoitecer,
Lágrimas sempre serão derramadas,
Nada vai mudar, amanhã é só mais um dia para você perder alguém que ama,
Mais um dia para amar alguém sem ao menos tocar,
Mais um dia para chorar por motivos bobos para os outros.
Sua dor sempre vai ser drama, suas lágrimas, exagero,
E assim você vai perdendo o brilho, perdendo o amor, anestesiada, até chegar o dia em que você não sentirá mais nada, vai ser só vazio escuro.
Seus pulsos, ah, seus pulsos já sangraram tanto,
Já são tantas cicatrizes, não há mais marcas para uma nova, você sangra, dói, mas dói tanto por dentro, onde você não vê nem entende,
Então você sangra por onde dá. De repente, cortar os pulsos é loucura, mutilar o abdômen é loucura, mutilar seja qual for a parte é loucura. Loucura é você sentir uma dor tão grande a ponto de se ferir para poder atendê-la. Eu morri tantas vezes, eu fechei os meus olhos tantas vezes ouvindo as sirenes e o último bipe, ouvindo o médico falar "hora do óbito". Perdi a única coisa que eu não poderia perder, só dessa vez eu queria ser a perda.
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Vai doer muito para não doer nunca mais", foi o que me disseram.
Doeu, doeu muito, e continua doendo porque o tempo não cura porra nenhuma!
Um dia depois de mim, o mundo ainda gira, os sorrisos causam eco.
Um dia antes de mim, o tempo ainda era tempo,
E dez anos depois de mim, ainda vai ser o mesmo.
Eu estou ali em um canto, jogado. Alguém me vê? Alguém ainda me vê? Sou só mais um em um milhão que deixa este mundo sem significado; sou uma pausa no tempo.
Um intervalo entre duas datas, e só serei lembrado nessas duas datas.
Eu estou aqui e ouço sorrisos sobre meu corpo gelado, como se nada tivesse acontecido. Eu aconteci. Vejo lágrimas verdadeiras e falsas; vejo alguém chorando muito, e quem eu esperava que chorasse muito está ali no canto, mal me olha, com o coração leve.
Os olhos que mais derramaram lágrimas por mim foram aqueles por quem eu não derramaria lágrimas.
Sim, eu lhes contei a história de um caixão, e não, eu não estou mais vivo.
Alguém que me amava muito narrou essa história por mim.
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"Eu estou amando! É tão louco pensar que existe o amor. Sim, estou amando! É tão maluca a ideia de viver te pensando; sim, quero sonhar. Beijando teu beijo, mascaro o desejo que sinto ao te olhar. Sim, sou louco, sim! Basta um sorriso, um olhar em meus olhos, para que eu saia de mim. Quão cruel é a distância... Meus olhos te veem, mas minhas mãos não te alcançam. Não, não quero acreditar que viverei em um mundo onde não posso te amar."
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"Eu vi uma flor e ela era bela. Ela tinha os seus olhos, o seu cheiro, as suas curvas e o seu sorriso! Eu vi uma estrela e ela tinha o seu brilho. Eu conheci o amor e ele sussurrava o seu nome. Eu tive um sonho e, como todos os sonhos com você, era lindo: era sol, você, praia e eu em um nós de mim sem fim."
Talvez — ou não —, mas sim, era eu por trás do caos que minha mente vivia. Não, talvez não só um talvez. Eu passei por tanta tempestade que aprendi a nadar contra a correnteza. Talvez eu seja aquele ponto boiando em meio à turbulência do mar agitado. Quem me dera... Ou só talvez uma chama de culpado. Eu era, talvez era, aquele fogo queimando, ou talvez sou aquela chama se apagando. Mas talvez nem todo salto vá em direção ao chão; só talvez eu não pulei e mudei a direção.
Eu perdi tanto o meu rumo que nem sei me arrumar. Arrumei tantos problemas que só Deus para me salvar. Só talvez eu seja o vento, que nem o vento há de controlar. Me perdi da minha estrada, que nem estrada tinha lá.
Talvez seja o meu momento de deixar tudo para trás. Mas deixar tudo o quê, se nem tudo eu tinha mais? Eram tantos "quantos", mas que eu não mais queria ver o quão fundo era o abismo que existia no meu ser. Eu talvez fechei os olhos para não ver essa dor; eram sete palmos ou menos onde você me deixou.
Eu morri todos os dias para mais nada sentir. Afundei no meu escuro como um tudo sem nadar. Escolhi morrer aos poucos para ninguém me salvar.
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"Arrancaram-me de minha terra como se não houvesse raiz. Apagaram minha história a ferro em brasa, há quem diz. Somos histórias, somos passados apagados como pó; trago na pele a revolta e a tristeza como um só.
'Somos heróis', dizem aqueles que com a caneta nos libertaram. A nossa dor e o sofrimento, esses sim, poucos contaram. E que decreto de libertação? Éramos livres, éramos todos irmãos! Nós somos negros, ouço meus irmãos gritarem, mas isso não lhes dá o direito de nos escravizar.
Agora vem a lei para libertar quem já era livre, porque assim Deus deixou. Somente os cruéis de alma nos distinguem pela cor. Somos brancos, somos pretos, pardos ou índios, agora diz oq que tem,
Somos carne, somos ossos com o sangue da mesma cor. O que falta nesses brancos é um pouco de amor. As palavras que aqui declaro não são frases de uma canção: são palavras de nós, negros, que vivemos a escravidão."
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"Tenho límpido e desenvolto que com águas irei lavar tantos sangues, tantas lágrimas do nosso povo a derramar. A tristeza que há nas palavras de quem roga com saber diz ao céu 'Oh, liberdade!', de quem canta sem querer. No terreiro, os pés descalços, calejados a bailar, com um tom e melodia que se estendiam pelo ar. Ouço o grito sem lamentos de quem impõe a punição, castigando os inocentes para quem a cor foi a prisão... Cada açoite, uma pontada dentro do meu coração."
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"As máscaras que usamos, as mentiras que contamos a nós mesmos sobre o que somos e quem somos... Há uma dimensão entre mim e a verdade, um universo de ilusão. Seria tão mais claro me dizer a verdade e sair da escuridão! Mas quem somos? O que somos? De que somos feitos? Por trás dessa máscara, ainda existe alguém? Debaixo da mentira, ainda existe verdade? Ou só sobrou o caos e o infinito de maldade? Serei sempre eu contra o mundo! E será sempre o mundo contra mim! De duas mentiras, a verdade chega ao fim."
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"Quem mais, além de mim, sobrevive à verdade na mentira sem ter fim? Quem mais pode me ajudar, mergulhando nas verdades que me enganam sem parar? Que verdades mentirosas foram as que vim me contar... Toda parte tem dois lados, em nenhum lado deveria acreditar! 'O aço feito de cinzas nada vai desmoronar', diz meu peito em pedaços, já falido de sangrar. 'Essa é a última gota', disse ele já sangrando. Não parou porque venceu: foi o sangue acabando."
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"Sim, eu cheguei ao fundo do poço. Não há mais abismo raso, agora é só a queda**. Como** o cheiro do fim é doce**!** Eu vivi tantos dias cinzentos que já nem sei a cor do arco-íris**. Qual** é a cor das árvores? Não consigo me lembrar. Do meu abismo não consigo ver o sol, ou sentir o vento. Eu simplesmente existo. E no fim eu sou o começo**:** sempre existe um buraco mais fundo do que o que estou agora**. Não** há mais clareza na escuridão ou corda**, não** há saída ou portal para outra dimensão**. O** próximo passo é sempre o impulso para o afogamento inevitável, e a luz é o meu Tiamat."
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