fritilaria da memória
senhora de silêncio
morremos sempre
com baionetas nos murais
sabres tendo olhos a mais
úmidos, inundados
gotejando paisagens
esperando uma aurora feérica
uma órbita cristalina
sem ser suplicante
apenas sendo
sem ter a cor no muro adiante
hálito que não é sudário
absorver então
multilante
multi antes
se vendo
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Saraivadas no espaço
Montado em sabre
invisível futural
Como é aquele que me desmanda
Espiral de fogo
sobre minha anca
Deus rasgos comensal
Posso te amar te esperando
e do meu amor se alimenta
do fogo que me põe insone
fomes quando me dementa
somes se eu não te suporto
não existisse sem ninguém
a movimentação de corpos
Posso te amar sendo nortes
Amar até a morte da morte
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fios de água
água sedosa
ultra densa
linhas finas
ligações reais
espessas
passando
aguaduras
sem som
anjo ranhura
puxando
desenhado
neutro
nas quinas
roxas
fundas
de cima
n'água de pedra
nas coxas
riscadas
vistas
fulcra senda
ora sendo
sabida
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seda atirada
puxando
pra cima
pra cima
pra longe
no ar negativa
carona do vento
viajar por quilômetros
não pesar nada
e ser dourada
nadar no ar
sem nome
sem cara
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Está dentro do meu corpo e por um tempo
te relegando, diz: cobra de uvas,
candelabro de arranhaduras vis
O você de ti em mim, se amando
amoldado, tenho a lava de neve vazando
Se esfrega, espuma. O fantástico de te ter
vindo do gosto, e nem por isso licorices
Do todo teu
degustando, guardado, recarregando
Somente em cima de mim,
porque se me matasses com o passo
na mesma distância em que te vejo, pensado,
o expelido seria preso, em tudo o mais constante,
cobra de uvas seriam cantadas no meu quarto
e os candelabros estanques. Castiçal da instantaneidade
riscos de querer te ter
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moenda do bagaço
tritura ossos
pó e sopa
finquei essa bandeira
um braço de capa
asteado
e o estio na lavoura
setenta e cinco
a noventa
foi senda do álcool
garapa minha
me asso
comendo meu pão
se sou usineiro
renasço
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cavalgando desfaço
puto do amanhecer
cavalgando um velho
mastro do desconhecer
mastro do desconhecido
quando me vi sendo ilícito
tentando rejuvenescer
cavalgando atrás de minhas costas
sou o mais novo que já fui no agora
roubando idades
se me sabem a inocência
se me supõe puro de aparência
cavalgo intuído na escola
vou voltando
e me vejo maldito
volto no tempo cansado de cavalgar
vendo os coices de quem topa
topa me fazer voltar
topa um coice comigo
convoluto o coice que me informa
e é pela frente
porque talvez tudo seja só acidente
teatro de brincadeira
não havendo pecado de participar
estando sozinho a noite inteira
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A cara meio boba
de não mais saber fantasiar a idade
comigo imaturo cavalgando
jurando lealdade, cavalgo
Fingindo altivez adolescente
voce gosta de mim
atrevido com o corpo inocente
se sou maduro
ao som de galopes me põe de castigo
Vais e coloca rude o rígido
ele cresce onde em mim se mente
me convence a estar sozinho
e sou cada vez mais acrescido
acrescido do que era antes
Se eu sempre existi cavalgante
havia esse ilícito plantado no peito
me ordenando rejuvenescer?
Estamos nós dois brincando
de cavar algo estranho
ninguém pode nos deter
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o tempo adelgaça
e uma coisa solar vem subindo a garganta
um talvez alma
um talvez nada
deve ser comilança
com os olhos fechados
como pra avançar no escuro
e desvendar o mistério
do porquê existir nessa cama
do porquê se me tenho espúrio
vou teclando o tempo
teclado undoso
marfim derretido
como eu sou tão lento?
estou acamado e não acordo
existem emergências secundárias que não estou vendo
existem notificações que não encontro
porque parece que a todo tempo estou esperando
minha apólice
meu prêmio
meus sentimentos
de ser-preâmbulo e o tempo adelgaçando
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não é justo porque eu só pensei em você todos esses anos
tendo a doutrina no gozo e sendo você igual outras tantas
mão gelada no teu seio de menina, te preferia gasta,
tomada pela vida
porque deve ser carne da pedra que é muito sozinha.
vou dizendo carne da pedra e o dizer me consome
havia de ser carne na minha preciosa alquimia
mas na língua intumescida, te querendo,
junto do espesso que os meus olhos atravessam
nada igual, ainda que esteja na mesma direção do meu desejo
carne da pedra eu digo, e a palavra me distancia do tempo
repito carne da pedra e não estou mais
ali, nem sou, nem vejo, porque o vínculo se quebra cada vez que te lembro
absolutamente desigual e repenso, é desengano,
porque parece maldito o meu olhar
Tenho um-só-olhar te vendo, mal augurada,
sendo, árvore do paraíso
comi teus frutos e agora? estou sofrendo
Deleuze: "A esmeralda, em suas facetas, esconde uma ondina de olhos claros...": todo fenômeno é do tipo "ondina de olhos claros", e uma esmeralda o torna possível.
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