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Clemis

@Clemis · desde 2020

Cada palavra poética é assim um objeto; de todas as virtualidades da linguagem; produzido e consumido; como uma espécie de guloseima sagrada! R.b

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Cintilar

No silêncio profundo da noite, um manto escuro se abre em véus, as constelações dançam quase em segredo, tecendo histórias gravadas nos céus. São fios de luz, pontos distantes, bordados no infinito do espaço, lembranças de deuses e amantes, desenhando destinos à cintilar. Órion ergue seu arco altaneiro, Cassiopeia repousa em trono brilhante, o Cruzeiro do Sul guia o viajante, em seu farol eterno e certeiro. E nós, tão pequenos, aqui da terra, olhamos o firmamento em contemplação, como quem procura, em cada estrela, o mapa secreto do próprio coração. Não quero ser luz, tampouco brilhar! Prefiro silêncio um rajado distante Luz pequena serena A meia luz quero ficar!

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E flui

A palavra é rio que nunca corre sozinho. Nasce em minha boca tímida, vai em curso e ganha correnteza quando toca o ouvido do outro. É ponte suspensa entre margens distantes, meio minha, meio tua, feita de fios invisíveis que sustentam encontros. No instante em que falo, já não sou dono da palavra que me escapa, cria asas, atravessa o ar e repousa no território partilhado, onde tu a tomas e a recrias em novo sentido! E é nessa fronteira viva, entre o que digo e o que compreendes, que mora a beleza secreta do humano: Sermos feitos de pontes, de vozes que nunca pertencem a um só coração! Se fortes meu grito eu seria riso e se riso eu grito! Como eu amo as palavras! Elas me seduzem o dia todo, Ah meu surto psicoletrado! Inspiração Minha natureza em Bakhtin

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Desembrulhar

Amadurecer é descobrir que nem tudo precisa de tanta urgência, nem tudo precisa do nosso peso inteiro. Do nosso corpo ou da nossa aurea! Com o tempo, as coisas vão ganhando uma desimportância suave: aquilo que um dia parecia o fim do mundo, hoje é só um detalhe; o que antes era motivo de angústia, agora passa como uma brisa. Encaixando se no seu devido lugar! É como se a vida fosse nos ensinando a filtrar: o que realmente importa fica, o resto se dissolve. E nessa leveza, aprendemos a rir de nós mesmos, a aceitar o que não controlamos, a valorizar o que é simples. ...O toque o bom dia! A relevância! Amadurecer não é perder intensidade, é escolher onde colocá-la. É perceber que a paz vale mais que a razão, que o silêncio pode ser mais forte que qualquer resposta! E que o coração se torna mais sereno quando entende que quem te zela não especula nem emite sinais confusos apenas te sente como uma flor que se desembrulha rumo a plenitude! Vem Primavera! 🏵🌺❤️🥰🌹🌻

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Só eles!

Não sei se tenho muitos amigos, isso eu sei de cor. Pois sumiram mais rápido que versos de Drummond. Uns se perderam em cartas do Leminski, outros se esconderam no mato do Sertão do Rosa! O Manoel de Barros passou aqui outro dia, falando com passarinho... Disse que amizade é bicho solto e que mora em árvore torta. Cecília foi doce, como sempre é, trouxe estrelas num pote, chá e café. Ela me disse baixinho, com jeito sutil: “Amigo de verdade às vezes some... mas volta no abril.” Clarice nem apareceu, mas deixou bilhete: "Procure dentro do peito, onde ninguém mete o bedelho." Acho que ela é dessas amigas raras que some pra dentro, mas é sempre cara. O Machado disse que vinha ...mentiu com estilo kkk. Deu um sorriso torto, com ar de sigilo. Acho que ficou preso entre ponto e reticência..sumiu! E Guimarães? Ah, o Guima rodou o mundo, foi buscar um amor num sertão profundo. Me deu Socorrinha! Mas eu sei que ele volta, com história e suor, pra contar que amigo é quem anda com a gente, mesmo quando é só pó. No fim, percebi com Vinícius, o poeta do amor, que amizade é igual samba: tem tristeza, tem cor e dor! É feita de ausência, presença e canção. Então, se não estão por aqui, estão ali sentados na estação! Ou na prateleira, na alma, na rima ou no coração!

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Amorviral

Tô jogada aqui na cama, meio febre, meio drama. Lenço, manta e suadeira, pareço até uma chaleira. O nariz tá congestionado, o cabelo? Um ninho amassado. Mas mesmo assim, meu coração bate forte, quente e apaixonado! Tô tossindo feito um trator, mas continuo cheia de amor. Com a gripe me consumindo, e eu ainda assim te seguindo! Com coriza e calafrio, só queria teu calor teu arrepio! Se tu vier me visitar, não repara não. Tô doente de resfriado Mas em excelente estado de emoção! E se tiveres coragem e ousadia, te dou até um beijo com calor e valentia! Mas traga um antigripal, Por que meu amor se eu te pego... é viral!

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Manco das estrofes

Tenho dó de quem não lê poesia, de quem passa a vida com alma vazia! Não sabe o sabor de um verso bem feito, vive no mundo, com pé no peito! É manco das estrofes, coitado, sem rima, anda em linha reta e nunca se anima! Enquanto a gente voa num soneto, ele tropeça nos boletos! Nunca sentiu um haicai no coração, nem um verso quente em plena estação! Não sabe que palavra tem abraço, que poema consola sem embaraço. Esse sujeito só vê o concreto, não há notas no seu céu reto. Oh, criatura sem arte, sem melodia... vai ver que nunca levou um susto de poesia! Porque viver sem verso, minha filha, é heresia! Tenho dó de quem não gosta , é manco das estrofes e morre sem alegrias!

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Murmúrio

É como se o mundo tirasse os sapatos, e dançasse leve sobre a pele, um sopro quente, um arrepio que não assusta, só encanta. Corre o corpo uma calma viva, não é silêncio morto, é um murmúrio de águas ternas, tocando as margens da alma com doçura. É o instante em que tudo se encaixa, sem pressa, sem aviso, só vem! feito brisa em tarde de verão. Tem gosto de liberdade e cheiro de flor que desabrocha. É corpo que sorri por dentro, é a vida fazendo carinho. E a gente entende, sem entender, que algo bom nos visitou. Talvez seja paz. Ou amor. Ou os dois.

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Silêncio rimado

Eu amo a minha poesia não só o que escrevo, mas o que ela escreve em mim. Ela me revela em silêncio, como a lua se revela ao mar sem nunca tocá-lo. Cada verso é um espelho fragmento de mim em alguém, fragmento de alguém em mim. Cada pessoa que passa domina uma face do meu ser meus brilhos, meus abismos, meus incêndios calados. A poesia é minha chave! Abre portas onde eu nem sabia que havia paredes Me mostra que o caos tem cor, que a loucura dança, e que até a dor sabe cantar se for ouvida com amor. Ela me ensina a ser melhor, não por me consertar, mas por me permitir ser inteira. Ela não julga , acolhe. Não corrige ,transforma! Em cada palavra solta, eu me desgrudo, prendo menos. Em cada rima livre, eu danço e voo mais. A poesia é onde sou mais eu: nua, nuvem e nervos, e ainda assim, semente. É onde minha alma respira, e se entende e se expande. Obrigada por ouvir meu silêncio rimado. Obrigada por existir onde meu verso se encontra. Ainda que eu ame Minha poesia silenciosa Meu canto mudo! Minha plateia ausente Meu Ser livre Só eu e a poesia !

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Um beijo cedinho!

Na outra vida, eu quero ser flor. Daquelas que nascem no canto da estrada, sem pedir licença, sem temer o vento, só querendo viver, ser e perfumar o tempo. Quero ser pétala, suave e inteira, abrir-me ao sol com alma verdadeira. Deixar que o orvalho me beije cedinho e acolher borboletas como um carinho. Quero ser flor num jardim esquecido, despertar memórias num peito partido. Ser abrigo de abelhas, sonho do olhar, uma prece pequena sem precisar falar. Na outra vida, quero ser beleza calma, dessas que curam só de tocar. Quero florescer em cor, porque, no fundo, só sei ser raiz e por hora amor.

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Tum, tum meu coração!

Toda vez que o coração bater, fecho os ouvidos pra não me perder. O mundo grita, mas dentro é silêncio, um compasso calado, denso, imenso. Cada batida é um segredo meu, ecoando onde o som não se deu. Fecho os ouvidos pra escutar o peito, porque amor de veras fala sem jeito. É no pulsar que mora a canção que não precisa de explicação. E assim, calado, aprendo a ouvir o que só o silêncio sabe sentir. E se lhe vejo... Ai! Tum, tum meu coração!

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