Agora na escadaria norte, eu me encontrava e me perdia, cada degrau me trazia um sentimento estranho de demasia.
Já eram cinco meses vivendo em Portofino e ainda não havia tido muito daquele contato pele com pele,
mas o que eu via não conseguia descrever com papel e tinta.
O balançar das ondas, pra lá e pra cá. uma brisa leve com aroma de mar.
As vezes um pouco mais pra lá que pra cá.
brincando de amar.
Nas árvores, as folhas trêmulas dançavam forró enquanto o vento admirava secretamente
aquela despreocupação. As nuvens compunham cenário e os pássaros cantavam Alceu.
E eu fingia estar aéreo à tudo aquilo enquanto meu coração se acalentava pelo ar que respirava os pulmões.
Como um cheiro no cangote ou um aconchego numa tarde de sábado.
Era um calor agradável, com vistas doces.
Mulheres e sorrisos. tão impecável
que eu me sentia pecador.
A paisagem em si não tinha muitas montanhas além de um enorme céu azul, mas tinha muitos relacionamentos e na cara de cada um se via um rubor avermelhado, como cereja.
Aqueles que não tinham, brilhavam os olhos e as lajotas do beco brilhavam junto pelo reflexo.
Eu me sentia bobo, confesso.
E então era quinta e eu tinha de ir embora e deixar aquela cidade para trás, as pedras de suas paredes, o apertado de suas ruas, almas nuas e escadas longas.
Mas olha, eu acredito que nunca tenha deixado mesmo, onde vou carrego um pouco de Portofino comigo.
-Lima.
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Eu voei.
A brisa leve entregou-me
aos braços daquele
velho bistrô de canto
esquina a fora.
E eu ali me sentia cada vez mais velho,
tantas vezes mais antigo,
talvez pelo blues que poluía o ambiente
ou pelas rosas
que mostravam mais vida que eu.
Mas não podia esperar menos,
o café quente esfumaçava em mim
queimando meus poros
e eu me tornava um com o vapor,
sumindo cada vez mais.
meu rosto derretia e
o café misturava.
Deslocado de vida eu só via
A vida em passadas largas
se enrolando ainda mais em suas amarras
desbotadas.
O pior,
era que olhando em retrospecto
eu não tinha do que realmente reclamar,
era só que a vida
era vida demais pra mim.
e de vida talvez me bastasse a morte.
-Lima
@OpoetaEdu
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Eu queria escrever algo íntimo
como bala de menta
com chocolate,
cantar no seu ouvido algumas verdades,
cê sabe:
sobre teu corpo molhado,
ou as curvas do teu sorriso.
Mas quão clichê seria isso?
uma noite de domingo,
dançar contigo sem música,
fora de ritmo.
Algo como Ben Jor
Eller
ou Beatles.
É muito pedir isso?
-Lima
@OpoetaEdu
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Eu olhava para o céu
e tinha a mais bela certeza que aquelas luzes estavam dando mole p mim.
eu pulava as entre-frechas da calçada,
respirava aquele mesmo ar dos bares.
Até desenhava os prédios em minha cabeça:
Um pouco tortos, as vezes retos até demais.
Aquelas mesas de madeira frente as ruas,
com conversas nuas
e coberturas de lona.
me traziam a tona nossas conversas cruas
com tom cafona sobre minha vida ou
a sua.
Eu amava.
Por isso deito nesse beco,
a essa hora e sorrisos ao verso da avenida.
Ouvindo aquela cantora de rua ao fundo,
buzinas.
Cheiro de comida fresca
e bebida,
risadas ensaiadas
com sentimentos sinceros.
Talvez seja esse o ápice.
O sabor de o coração bater
sendo mais prazeroso
que o mal-sentir de ser.
Escrito por: Lima @OpoetaEdu
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imprevisível feito mar,
de amar
em marte,
amar-te,
parte embora
e me parte,
me deixa,
me mate,
mas não faça isso comigo.
@OpoetaEdu
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Em mim tuas unhas queimavam
eclipsando flores,
rosas escuras e vivas,
mortais.
meus dedos em ti
pintavam aqueles redemoinhos
por dentro
e seu licor
me descia como um afrodisíaco
vinho tinto.
Já encharcado
meu polegar trilhava sua boca,
molhando seus lábios
que desejavam os meus.
E eu a beijava
com força,
com ódio, amor ou algo parecido.
Deixando minhas digitais em você
que era o pecado encarnado,
incitando o crime que começou pelo
pescoço,
desceu do abdômen
ás coxas
até escorrer
entreabertas
um pouco mais de vida que jamais havia tido.
@Opoetaedu
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E o vinho
do seu vestido vinho
me trazia taças,
que me levam a você.
@OpoetaEdu
A cada levantar teu,
A cama chamava nosso cheiro,
A carne desejava o arder.
o peito aberto
ameaçava perder,
suas artérias, membranas,
bombeavam em ritmo lento
o coração.
e todo aquele fogo que tinha dentro de mim,
guardado,
saía pra fora como quem
queria ver a lua
e seus tons de liberdade.
como menta que cheira.
como pimenta que arde.
como o peito dói... quando a saudade bate.
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De repente o vermelho do sol me trazia ela,
e na verdade pouco era brilhante se comparado à aqueles longos fios dourados.
Mas ela se fazia ali
E se tornava existência em mim.
Já eu tinha saudade como resposta a essa
vida intensa.
E de pouco em pouco podia sentir
o calor que as mãos
dela, macias, entrelaçadas a minha
podia fornecer.
Eram como marteladas de amor.
—Hoje será no peito, ou na cabeça?— Uma voz ecoava.
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Que me empacotem
nessas caixas de brinquedo!
As lojas de 1.99 me venderão,
e não sobrará estoque.
Uma vez mais
não sobrará toques,
sem caminhar pelas linhas do seu vestidos
ficarei
o tecido dos seus olhos escuros,
eu esqueci.
Não me lembre de ti.
Quero nadar
nesse céu de perguntas
que não se faz,
me pinte
como um quadro que vale milhões,
e mesmo assim eu sempre lembrarei daquele
amor 1.99
que me tornou
arte
em
mundo de
fossa.
sempre vou lembrar daquela bossa nossa
em mares infundados
de Barcelona,
mas você sempre foge quando o caldo
engrossa.
então declaro minha fuga
de você,
menina,
não tem volta.
Clássico não dá mão dada
pra música moda.
então desfile por aí livre
como você gosta,
que vou gostar de outras
em um mundo de liberdade
e muitas histórias.
onde o sol bate felicidade e
a lua ilumina
quem se molha.
-Lima.
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