Lima @C_rloz

Lê com calma pra dar tempo de sentir.

Agora na escadaria norte, eu me encontrava e me perdia, cada degrau me trazia um sentimento estranho de demasia. Já eram cinco meses vivendo em Portofino e ainda não havia tido muito daquele contato pele com pele, mas o que eu via não conseguia descrever com papel e tinta. O balançar das ondas, pra lá e pra cá. uma brisa leve com aroma de mar. As vezes um pouco mais pra lá que pra cá. brincando de amar. Nas árvores, as folhas trêmulas dançavam forró enquanto o vento admirava secretamente aquela despreocupação. As nuvens compunham cenário e os pássaros cantavam Alceu. E eu fingia estar aéreo à tudo aquilo enquanto meu coração se acalentava pelo ar que respirava os pulmões. Como um cheiro no cangote ou um aconchego numa tarde de sábado. Era um calor agradável, com vistas doces. Mulheres e sorrisos. tão impecável que eu me sentia pecador. A paisagem em si não tinha muitas montanhas além de um enorme céu azul, mas tinha muitos relacionamentos e na cara de cada um se via um rubor avermelhado, como cereja. Aqueles que não tinham, brilhavam os olhos e as lajotas do beco brilhavam junto pelo reflexo. Eu me sentia bobo, confesso. E então era quinta e eu tinha de ir embora e deixar aquela cidade para trás, as pedras de suas paredes, o apertado de suas ruas, almas nuas e escadas longas. Mas olha, eu acredito que nunca tenha deixado mesmo, onde vou carrego um pouco de Portofino comigo. -Lima.

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