DOCE VESAR DE CORA
No fogo brando da vida, mexia o tacho, mexia o verso. Açúcar e palavra derretidos, num tempo manso, mas intenso. Fez da pedra seu papel, escreveu no rio seu nome. Velha? Nunca. Sempre moça, alma nova que não some. Goiás guardou-lhe os passos, como a infância guarda um cheiro. Doce de abóbora, verso de ouro, simples, forte, verdadeiro. Quem disse que há tempo certo pra florir feito ipê? Cora foi tardia aos olhos do mundo, mas nunca tardia pra ser.
Fernando Pessoa
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