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Eduardo

@B8Uwu · desde 2019

Em cada verso, pequeno ou extenso, vive um pedaço de mim. Seja eu, quem for.

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Inebriante

Emergindo em meio ao lodo Toco seu torço Molhado e enrijecido Suas pétalas fecham-se ao toque Murchas e adoecidas Protegem-se do desconhecido Alimentadas por cinzas Chamas e brasas apagadas Aborrecido Pulsando em desalinho Escorre e afunda-se Superficial Parasita em meu peito Sujo e encardido Arrasto os dedos Rasteja por entre minha carne Toma seu lugar por entre minhas costelas Doente, inconsistente Aninha-se em minha mente Acordo, ainda dormente

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Barulho

Barulhento, em silêncio Palco vazio, por onde estende-se Vozerio, murmúrios vazios Rastejando por entre os papéis Roteiro límpido Tinta escorrendo por entre minhas veias Escrita falada Em tilintares ríspidos De um relógio quebrado Céu longínquo Meus dedos acariciam as nuvens Resquícios de fuligem Perdido e esquecido Sussurra ao pé do meu ouvido Rouco, em um grunhido Baixinho, mórbido ``O que somos?`` Respondo ``Restos``

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Esfomeado

Esfomeado pelo sentimento de companheirismo Infeliz, embriagado Viciado em lamurios arrastados Murmura para um espelho Quebrado, partido em pedaços Sem reflexos para escutá-lo Um teatro sem público Silêncio absurdo Moribundo, vagabundo Viajante sem rumo

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Fumaça

Por entre um trago Silêncio, enclausurado Ao relento, inadequado Vagando em meio ao nublado Cinzento cubículo Atormentado pelo tabaco Além da fumaça, o que resta? Antes palpável Ao se afundar em cinzas Lhe resta apenas um punhado Descaso

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Derramado

Peito encharcado Umedecido pelo cansaço Borbulham os entrelaços do meu emaranhado Enrugado Trêmulo, o ar pesado assopra meus ouvidos Olhos vazios Sobrecarregado Não há vestígios de um corpo habitado

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Fortitude

Esgueirando-se pelos buracos do tempo Um calor longínquo é visível Invisíveis respingos de segundos Escorrem por entre as rachaduras Constantemente, põe-se lentamente Eminentemente, perco a visão de sua despedida Lamentável ironia Declino no "comércio" de minha mais-valia

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Doce

Se dissipa pela minha língua Escorrendo por entre minhas entranhas Adentrando meu organismo Euforia Meu peito parece derreter Preenchido Um sorriso parece se manter Meus dedos deslizam por entre as pílulas Copo em mãos, mais um antidepressivo

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Taça

Seguro teu líquido translúcido Me sinto ser absorvido Incolor, indolor Sinto como se fosse abençoado Me recolho em meu ninho E volto em pedaços Teu sangue me preenche Nos menores buracos Imundice em meu tapete Meus lábios, inchados Vinho tinto se estende Veneno misturado

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Lapso

Encaro o espelho Embaçado Se são meus olhos ou o reflexo Um pensamento Vermelho em meus lábios Escorrendo pela clavícula Passeando por minha pele, rastejando Sinto seu aroma percorrendo minha carne Inspiro os laços do seu corpo Azul, vermelho, roxo Me preenchendo, vermes rastejam Se proliferando e infestando meu organismo Seu sabor percorre pela minha língua Nos tornamos um só Consumindo nosso amor

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Sandman

Contorna minha cintura Enlaça meus ombros Encara-me com seu olhar Ah, seu olhar... Uma imensidão acastanhada Pontos de luz reluzem e cintilam, Um breu iluminado por cores misturadas Um sentimento quente e açucarado me encara Seus dedos suaves me trazem arrepio Sinto seu calor, toque que me contagia por debaixo dos tecidos que nos separam Seu aroma doce me contagia Embriaga Nossos passos deixam um rastro De poeira dourada Rodopio, balanço, passo após passo E me encaminho Janela aberta, luz alaranjada Um cheiro de velas queimadas Fecho meus olhos e sinto-me ser embalada O tecido quente e macio O cheiro de casa. Meu sonho se foi, soprou a vela Passou os dedos pelas paredes, fechou as janelas E me desejou. Desejou que ele pudesse, na madrugada seguinte, voltar para casa

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