Nada
Acordei esta manhã com um sentimento de mudança, mas com uma sombra que me dizia que tudo seria igual — e foi. O mau hábito de sentir pena de si mesmo é viciante; entra por baixo da pele e lá permanece até que se arranque na coceira. Uma coceira tão intensa que se arranca a pele, e que, de forma faceira, gruda abaixo das unhas. Mesmo assim, passa a ser igual: todos os dias de agonia árdua e incessante, nos quais a coceira permanece. Pressupondo que me permito ter dias comuns, como me colocaria em tal ato desconhecido e sem padrão? Como vou viver um dia sem saber como terminará? Isso, com certeza, é no mínimo insano. Repito isso para mim em frente ao espelho, como um mantra que mancha minha boca, como uma doença que putrefa a língua e dela faz sair larvas que se alimentam de minhas palavras. E, de forma quase irônica, elas vão para o meu estômago — e acabo no mesmo nada em que comecei. Só que agora com larvas que se alimentam não só de minhas palavras, mas também de minhas vontades.
Nobody
Saudade de tempos mais simples
Umaatena
Não minto quando eu digo, que também sinto.