Água salgada dos olhos
Uma das poucas certezas da vida é que, se lágrimas tivessem valor, ninguém as deixaria cair de graça. –Atena
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Uma das poucas certezas da vida é que, se lágrimas tivessem valor, ninguém as deixaria cair de graça. –Atena
Eu sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto, sinto… a sua falta, até que não caiba em mim, e assim, me permito transbordar. –Atena
Todos os dias, beijo o passado. Todos os dias, encaro o futuro. Todos os dias, rejeito o presente. Todos os dias, culpo a nós. –Atena
Quero perfurar meus pulsos E deixar escorrer tristezas e traumas. Quero mutilar meus olhos E deixar de ver a dor que me persegue. Quero fatiar minha língua E assim não dizer nada, pois sempre estarei errada. Quero esburacar meus tímpanos E assim não ouvir nenhuma palavra. Quero quebrar minhas pernas E assim não fugir dos meus problemas. Quero esmagar meu crânio E assim não pensar mais em vocês. –Atena
Continuar lendoDas águas claras de um mar imenso, reconheci, ao olhar as ondas agitadas, a intensidade do coração que carrego. Afoguei-me não só uma, nem duas, mas três vezes — triplas vezes — num trio de pensamentos que envolvem, não só uma, nem duas, mas três vezes você. A facilidade de me imaginar ao teu lado tem sido cômica, irônica, atômica. –Atena
Continuar lendoNão quero ser vista nua Quero ser vista a olho nu Não quero que toque a pele Exijo que me toque a alma –Veja, repare e admire-me. –Atena
Derramar- se em lágrimas é um ato de amor É devido a isso que me afogo em lágrimas por nós dois. –Eu (não) gosto disso. –Atena
Acordei esta manhã com um sentimento de mudança, mas com uma sombra que me dizia que tudo seria igual — e foi. O mau hábito de sentir pena de si mesmo é viciante; entra por baixo da pele e lá permanece até que se arranque na coceira. Uma coceira tão intensa que se arranca a pele, e que, de forma faceira, gruda abaixo das unhas. Mesmo assim, passa a ser igual: todos os dias de agonia árdua e incessante, nos quais a coceira permanece. Pressupondo que me permito ter dias comuns, como me colocaria em tal ato desconhecido e sem padrão? Como vou viver um dia sem saber como terminará? Isso, com certeza, é no mínimo insano. Repito isso para mim em frente ao espelho, como um mantra que mancha minha boca, como uma doença que putrefa a língua e dela faz sair larvas que se alimentam de minhas palavras. E, de forma quase irônica, elas vão para o meu estômago — e acabo no mesmo nada em que comecei. Só que agora com larvas que se alimentam não só de minhas palavras, mas também de minhas vontades.
Continuar lendoSou o capítulo arrancado do seu livro aquele que você se recusa a ler você pegou as páginas do lixo e as concertou, na esperança de eu não percebesse Infelizmente palavras que foram descartadas não podem ser esquecidas. –Responda-me, se sente melhor depois que me pediu perdão só para satisfazer o seu ego? –Atenalua
Perdi o rumo daquilo que chamamos de vida. Me dediquei tanto em fracassar que finalmente consegui arruinar tudo. O irônico é que eu realmente pensei que estava fazendo o certo. Irei fazer meu vigésimo primeiro aniversário e não conquistei nada. O amor que eu achei que me pertencia a cada dia escorre mais pelos meus dedos, a autoestima que me deixava nua para uma tentativa falha de sexo já não existe mais. Aquilo que era importante eu perdi, como o amor pela poesia, música, literatura e a famigerada sede pelo conhecimento. A verdade crua dessa situação é que, no final das contas, a culpa é da minha covardia que me acompanha todos os dias. Ela se aproveita de todas as minhas vontades e defeca em meus sonhos. E é cômico e nada trágico. Tenho saudade dos dias em que tudo era sobre poesias românticas e libidinosas e em como eu me desdobrava para que uma pequena frase fizesse sentido aos olhos mais ignorantes e complexos. E o que sobra para mim? Uma dose de nostalgia que desce pela garganta toda manhã e memórias que deixo expostas pela minha sala de estar para reassistir todos os dias e remoer tudo como um rato faminto e moribundo. Por fim, agradeço a Nobody, a Saturno, ao garoto enigmático, ao garoto interestelar, ao garoto do caos, ao garoto imprudente e ao leitor, escritor, poeta e cantor. O engraçado é que se trata da mesma pessoa. Obrigado por permanecer em dias monstruosos. Quando me recordo de antigas poesias, sempre há resquício de você em todas elas. Minha alma sorri ao saber que nossa amizade ainda permanece. Acho lindo que tudo o que nos liga é a arte e fico feliz que faça parte. E por favor, mesmo que estejamos a milhares de quilômetros, separados por galáxias e planetas, ainda hoje peço que não me esqueça e que, principalmente, não esqueça quem você é. Agradeço por me inspirar hoje. QUARTA-FEIRA 12 DE FEVEREIRO 04:11 da manhã –Atena
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