A eterna essência de uma gota
Cada gota que cai do chuveiro tem uma vida breve. Enquanto gota, sua forma se mantém — redonda, translúcida, úmida. Não dá tempo de ser o que quer que sonhasse ser antes da queda. E agora, a gota que era gota encontrou minha pele que era só pele. Agora a gota perde sua forma e é só essência. E minha pele não é apenas pele — é pele molhada. Penso: quantas existências minúsculas e redondas se dissolvem em mim? Quantos encontros minha pele teve antes de realmente notar a existência de uma gota? De quantas gotas meu corpo é feito? Quantas gotas carrego em mim? Quantas são de chuva, quantas são do suor de alguém que amei, quantas são de lágrimas que eu mesma derramei? Hoje, sob o chuveiro, já não sei onde termina a gota e onde começo eu. -Amanda Alves
Dalyson G. Ferreira
Bem poético! 👏🏻👏🏻