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E. Alexandre

@AlexandreNRD · desde 2025

Escritor, poeta, compositor. "Amigo de Dorothy". Alerta de possíveis gatilhos nos meus textos. 16 anos. Não dou like nos meus poemas.

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Crença

Levítico 18 22

Do útero até a morte Um número sem sorte Nada de bom me resta no fim A opção já tá morta Coração não importa Deus, por que me criou assim? Eu só traria prejuízo Contaminaria o paraíso Meu fúnebre sofrimento eterno Agora é só aceitar, sei o destino O tempo a passar, desde menino Irei para o escaldante inferno Pai nosso que estás no céu Eu mereço esse fim cruel? Santificado seja o vosso nome Não sou suficiente pra ser homem Que todo mal caia sobre terra Que eu morra na luta interna Eu sou a casca inútil de um ovo Quebrada e descartada de novo Para minha vida, a reprodução Jamais passará de uma ilusão O fim do meu ato é mais que decisivo Poupando os que ainda estão vivos

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Vida

Um cadáver bem maquiado

Eu me olho no espelho Vejo um defunto me encarando Seus olhos mostram injustiça Seu rosto revela o tempo curto Tempo O tempo que preciso preencher Com as minhas ações e escolhas Eu sei que eu vou morrer Mas como preencher esse tempo? Como preencher? Viver pelos outros o torna infeliz Viver pelo mundo o torna orgulhoso, mas insatisfeito Viver por mim é como viver em vão Ninguém gosta do que eu faço Ninguém gosta No teatro, gritam, não dando para ouvir A voz da bruxa que voa sobre suas cabeças Enquanto obras profundas e melancólicas Apodrecem no esquecimento Livros, poucos lêem E não é certeza se lerão o que escrevo Eu não cumpro a função humana Não preencho esse espaço limitado Não me encaixo nem na função biológica Eu só encaro a verdade Verdade Está um belo dia Sonhos fúteis Desejos inúteis Passo o batom das mentiras Passo o pó da felicidade Faço o contorno das regras Uso o rímel anti lágrimas O cadáver sorriu para mim Eu sorri de volta Abro a porta da minha casa E saio para o mundo

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Sociedade

De dia, prisão, de noite, libertação

Como poderei viver todo dia Se o dia a dia é só sobrevivência E ninguém me concederá clemência No meio dessa eterna correria Como posso manter essa alegria Quando tantos censuram minha essência E ninguém tem nenhuma paciência Para manter vívida a harmonia Tempo passa e a vida a se apodrecer A emoção é banal e o dinheiro é apático Eu cresci e falhar não tem mais desculpa O Sol se oculta, vindo o anovescer Revelo que sou um boêmio dramático A noite é dos poetas e das putas

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Drama

A condenação do anjo

De noite, um anjo pousou E então ele me informou Que eu sou o que mais temia Como seria difícil a minha vida Alguns dizem que sou safado Mas sei que eu estou destinado A ser uma pessoa tão ruim Então só aguardo meu fim Religiosos me ameaçaram Com ofensas me atacaram Mas se o seu Deus é feito e valoriza o amor Por que o seu Deus por isso me condenou? Direitos frequentemente cortados Como que alguém vive tão cansado? Algumas vezes, eu até posso ir e vir Mas preciso me justificar por existir Gente como eu é piada na esquina Julgada em banheiro, loja e piscina Se gente assim estiver em propaganda famosa Essa empresa vai falir em menos de uma hora Tendo uma vida impura E não existe uma cura Como um produto defeituoso Pode um dia se tornar honroso

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Obediência

Destruição

Nada daquilo era real A sua cabeça está mal Eu vou consertar você E perfeito você vai ser Eu vou apagar o seu rosto Vou te deixar quase morto O seu corpo será um manequim E é feito sob medida para mim O seu sorriso olha vazio pro teto Os braços tortos e o seu pé reto Vou consertar o seu pensamento Vai doer só por um breve momento

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Silêncio

Sozinho no oceano

Começou uma guerra Na minha linda terra Fui perseguido e o motivo É só porque eu estou vivo O mar azul Indo pro sul Não há ninguém pra conversar ou ver Não há sofrimento e nem mesmo prazer Sozinho no oceano Sozinho observando a água na minha frente Memórias que amo São a única coisa que mantém minha mente Não sou bem vindo no meu país Na terra onde está a minha raiz Então eu vou de continente em continente Caçando onde sou considerado inocente O vento soprando O barco balançando Lembro de alguns sorrisos E depois de gritos aflitos Sozinho no oceano Sozinho observando a água na minha frente Memórias que amo São a única coisa que mantém minha mente

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Amor

Marcelo de vestido

Desde a época da escola Me chamavam de boiola Eu nunca tive uma namorada Nunca tive uma pessoa amada Não sei se sou hétero ou gay Mas uma vez eu me apaixonei Foi algo bem esquisito Era o Marcelo de vestido O vestido caía muito bem a ele Mas não vi masculinidade nele Uma mulher também não parecia Mas com certeza era muito bonita Parecia frágil, mas ele ganhou em uma briga de três Que zombaram dele, mas se arrependeram de vez Às vezes, eu ainda me sinto muito aflito Quando lembro do Marcelo de vestido — Se um Marcelo estiver lendo isso, saiba que eu não me inspirei em você, na verdade o nome pro poema foi escolhido a dedo.

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Amizade

Beco rockeiro

É uma das minhas músicas preferidas Muito bem tocada e muito bem ouvida A música acabou E meu amigo falou Uma promessa tão pessoal E é uma promessa tão real O artista canta com tanta destreza Promessa de amizade verdadeira

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Sanidade

Roda Gigante

Sempre só gira e gira Estou no alto e depois abaixo Essa é a minha vida Sei que nada sossega o facho Já aceitei ajuda Mas eu volto pro chão O ciclo não muda Então mudar é em vão Talvez eu possa me jogar Dessa maldita cabine Pois se eu só me lamentar Isso nunca termine Já aceitei ajuda Mas eu volto pro chão O ciclo não muda Então mudar é em vão

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Vida

Segredo sujo

Não há mais nada em meu pé Perdi a esperança e a minha fé Mas aquele corpo, de quem é? Parece comigo, até usa um boné Não sinto nenhuma emoção Mas ao redor só há comoção Claro que esse sou eu então Oh não... Que injusto... Mesmo depois da morte O segredo sujo me entope Sei que suicídio eu resolvi escolher Mas o motivo não havia como deter Ninguém ia se quer escutar ou ver Invisível vivo e até depois de morrer Não cumpri a minha função Mas ao redor só há escuridão Eu rejeitei qualquer boa mão Oh não... Que injusto... Mesmo depois da morte O segredo sujo me entope

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