TÁRTARO
Se esta agonia, preservada em flame ígneo, Fruto de Tântalos perversos e Sísifos aflitos, For tua única infame certeza neste existir, Que ela não seja inimiga leprosa, Mas o bramir d'uma certeza calorosa Que te torna cada vez mais vivo.
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Se esta agonia, preservada em flame ígneo, Fruto de Tântalos perversos e Sísifos aflitos, For tua única infame certeza neste existir, Que ela não seja inimiga leprosa, Mas o bramir d'uma certeza calorosa Que te torna cada vez mais vivo.
Somos máquinas, senhor Gurdjieff, sem sombra de dúvidas... vivemos como máquinas, pensamos como máquinas e agimos como máquinas.
A existência esvai, Despenha no frio acerbo Da foice feroz. Num instante qualquer, Vi a corrução das vísceras. Hirto, condenado A fitar esta carne vã, Fétido, fosco, e fraco, Subi ao alarido dos alpes, E ao espasmo do Éden. Mas pudesse ter visto antes A nênia das damas, E o fremir dos vermes Degolando minhas frias carnes!
Continuar lendoO chão desabou, Partiu sem aviso prévio. Empoeirada carcaça Berra sob o altar oco. Derrapa sem licença Neste omisso vácuo. “O que restou?” Apenas restos desmembrados D'um ser esquecido. “Onde estamos?” Pisando no pescoço Desta lacuna no fígado. Ó, espectra estrutura, Onde morre o teu corpo Se ele nunca nasceu?
Continuar lendoAh, pequena criança, Qual conturbada maré cessou Esta tua boca aflita? No rio, estava nosso lastro, Estrondeando num bramir E cedo nos derrubando. Ar que escorre no rosto, Morde com voracidade. Arriando o leme Nos lançando riacho abaixo. Quem teria avistado, Rouquejando com seu barbelo, Acenando a este desabar? Caímos afogados, No abismo chamado Nós mesmos.
Continuar lendoViva a Dionísio! O único deus capaz de dançar.
O dia está belo. A manhã é serena, E o rio singelo Ri como criança. Velejo sob estes Estreitos pantanais. Cantando sorridente Floresta adiante. A tarde sem pressa Chega formosa Nunca regressa. Feliz, alegre, tão esbelta. De fato, é um bom dia Para morrer.
Continuar lendoAo grito rouco desta noite que passará, percebo, como quem percebe o próprio afogamento, um deleitoso desejo em mim: uma vontade faminta e insaciável de morrer. — e que homem nunca desejou isto? — A morte, este infame animal aleijado, é o lema dos vivos.
"a vida é um inferno, e somos nós os seus demônios."
Para onde quer que se olhe, percebe-se aglomerados de humanos correndo de um lado para o outro, feito animais famintos em busca de comida. Não sabem o que fazem, ou muito menos por qual motivo fazem, Eles somente querem algo: sentido, é este o seu mais saboroso alimento! E já não importa quão longa for a sua maratona, ou quantos montes você tenha subido, você nunca encontrará o que busca. esta corrida, portanto, não vale o risco de tantas aflições, de tantas dores e desgraças. Então, por qual motivo vivemos? — não sabemos. e nunca saberemos. Talvez por instinto? por vontade ou desejo? não seria tão simples responder a isto! A vida é, de tal modo, um absurdo. um absurdo pois não vale apena ser vivida, e mesmo assim a vivemos!
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