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ana cristina capre

@6dejaneiro · desde 2019

i gave both sides of me http://www.academiadecontos.com/perfil.php?username=4nacristina

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Drama

parasita

suas batidas envolvem minha mente não há silêncio perpétuo tudo que vejo e faço e falo ainda me lembra da gente como se o tempo tivesse cessado e meu coração se sente molhado você não pega minhas lágrimas na ponta de seus dedos eu me tornei oco por dentro desde que você nos repartiu mas ainda espero que você apareça na janela ainda somos nosso sonho em comum incomum não grite quando me vir refletido em seu espelho e saiba, eu não serei uma assombração. preciso te deixar ir preciso nos deixar ir preciso te deixar ir não podemos mais coexistir dentro de mim.

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Amor

o que chamam de amor

Eu não encontro meu lugar longe do seu peito um encaixe perfeito que até mesmo eu não compreendo Os jovenzinhos amantes, eles nos veem dançar na rua reconhecem que temos a alma nua e que, mesmo assim, não somos um só Somos tão diferentes, divergentes e contentes por nos acharmos num mundo tão mau Eu me lembro bem quando te vi a primeira vez, logo eu soube que seríamos aquilo que chamam de anormal Eu te tenho e você me tem, morando no seu peito você me tem e eu tenho a gente E essas são palavras que eu já repeti Mais de mil vezes em outros poemas que guardo aqui Mas é que quando a noite fica quente, O mundo fica mais abrangente e de repente, só cabe a gente noquetodoschamamdeamor.

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Silêncio

brincando na poeira

há algo perfeitamente morto na distância que separa nossas peles temendo acender a luz e abrir as janelas eu sinto que seu amor adormece, às vezes. eu sou um quadro que foi pintado por um assassino tímido e acomodado eu o sinto respirar em meus ouvidos à noite ele me beija e me nina até eu adormecer ele me observa no canto dos sonhos ele estava na neblina do meu último pesadelo mas nós não o achamos. você diz que as ruas desta cidade estão cheias da vida que você quer ter você quer ir para New York, mas você tem medo de ratos, talvez você devesse se conhecer mais, mas, nós dois, nos parecemos muito nós nos amordaçamos carinhosamente bem. as horas vazias que não querem me dar sono me fazem chorar e tremer pela casa toda eu vago como uma alma penada, enquanto sei que você está dormindo você continua fugindo você é bom para fugir das brigas, e é bom para me remendar depois de cada uma delas, mas sei que para mim ainda não há cura. estamos brincando na poeira sorrindo com dentes ensopados de paixão e medo nosso amor vai existir sempre mesmo quando houver algum punhado de remorso as incertezas fazem parte do aprendizado assim como os dias em que superamos toda e qualquer expectativa romântica. ninguém nasceu para ser um ideal de ser humano, mas, somos burros, meu amor, passarinho, estamos fritos! Nós continuamos voando, de mãos dadas, mas eu ainda me sinto sozinha.

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Morte

contando até três

De alguma forma estou sozinha Enquanto as luzes noturnas vão morrendo A semana toda é um sábado aborrecido Mas há um segredo oculto por debaixo de meus dedos Minha mente pendura-se em cada árvore verde Deixo com que meu pó semeie a terra Estou perdida entre a vegetação Por detrás de meus olhos inicia-se uma guerra (Eu irei contar até três) Com a pele formigando por dentro Com o corpo do avesso E a garganta sendo roída A ansiedade que me possui, Torna os mundos mais interessantes E aterrorizantes Em minha cabeça (Eu irei contar até três) E ainda me sinto sozinha (Eu irei contar até três) Gostaria de conseguir dormir uma noite todinha (Irei contar até três) Três disparos em meu peito sujo: Cheia de culpa e nojo, eu sou imunda. Eu irei contar até três, até que se esgotem todos os meus números...

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Morte

todos morrerremos gargalhando

Contorço meu pescoço e ele se esfarela assim como o serpentear de meus dedos no ar me torna internamente mais deleitável [eu os assusto?] Ratos, pombas, moscas, vermes brincam de furar a gordura que mora embaixo de minha epiderme [sou nojenta demais para um beijo] Mas esta é a verdade: nós a aguardamos. ela se esconde por entre cada dor de cabeça infernal E eu, cresço consecutivamente enquanto me transformo praticamente num ser medonho, calorento digno de nojo e pena [o frio se apossa de minhas veias] Eu me ouço orar com medo eu me pego chorando de pavor eu me pego descrendo na vida sou a detetive que me investiga - eu emagreci quatro quilos na última semana talvez eu esteja morrendo... - ou ficando mais aprazível aos meus olhos no espelho... Talvez eu esteja morrendo e minha mãe terá uma flecha encravada em si mesma talvez eu esteja morrendo ela não vai me perdoar por este erro talvez eu esteja morrendo uma existência sem um amor que será desperdiçado talvez eu esteja morrendo sem mais amigos bêbados e reais ao meu lado talvez eu esteja morrendo sinto-me definhar por cada extremidade eu estou morrendo a cada segundo que passa Então agora rirei com verdade o inferno é apenas Deus bravo com a gente o inferno é apenas o que teme minha mente talvez eu não morra por agora... mas o pressentimento é eminente. morreremos embebidos em vinho morreremos e causaremos um provável desespero morreremos e sentiremos: nada.

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