suas batidas envolvem minha mente
não há silêncio perpétuo
tudo que vejo e faço e falo
ainda me lembra da gente
como se o tempo tivesse cessado
e meu coração se sente molhado
você não pega minhas lágrimas
na ponta de seus dedos
eu me tornei oco por dentro
desde que você nos repartiu
mas ainda espero
que você apareça na janela
ainda somos nosso sonho em comum
incomum
não grite quando me vir refletido
em seu espelho
e saiba,
eu não serei uma assombração.
preciso te deixar ir
preciso nos deixar ir
preciso te deixar ir
não podemos mais
coexistir
dentro de mim.
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Eu não encontro meu lugar longe do seu peito
um encaixe perfeito que até mesmo eu não compreendo
Os jovenzinhos amantes, eles nos veem dançar na rua
reconhecem que temos a alma nua e que,
mesmo assim, não somos um só
Somos tão diferentes, divergentes e contentes
por nos acharmos num mundo tão mau
Eu me lembro bem
quando te vi a primeira vez,
logo eu soube que seríamos aquilo que chamam de anormal
Eu te tenho e você me tem, morando no seu peito
você me tem e eu tenho a gente
E essas são palavras que eu já repeti
Mais de mil vezes em outros poemas que guardo aqui
Mas é que quando a noite fica quente,
O mundo fica mais abrangente
e de repente, só cabe a gente
noquetodoschamamdeamor.
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há algo perfeitamente morto
na distância que separa nossas peles
temendo acender a luz
e abrir as janelas
eu sinto que seu amor adormece, às vezes.
eu sou um quadro que foi pintado
por um assassino tímido e acomodado
eu o sinto respirar em meus ouvidos
à noite ele me beija e me nina até eu adormecer
ele me observa no canto dos sonhos
ele estava na neblina do meu último pesadelo
mas nós não o achamos.
você diz que as ruas desta cidade
estão cheias da vida que você quer ter
você quer ir para New York,
mas você tem medo de ratos,
talvez você devesse se conhecer mais,
mas,
nós dois, nos parecemos muito
nós nos amordaçamos carinhosamente bem.
as horas vazias que não querem me dar sono
me fazem chorar e tremer pela casa toda
eu vago como uma alma penada,
enquanto sei que você está dormindo
você continua fugindo
você é bom para fugir das brigas,
e é bom para me remendar depois de cada uma delas,
mas sei que para mim ainda não há cura.
estamos brincando na poeira
sorrindo com dentes ensopados de paixão e medo
nosso amor vai existir sempre
mesmo quando houver algum punhado de remorso
as incertezas fazem parte do aprendizado
assim como os dias em que superamos toda e qualquer
expectativa romântica.
ninguém nasceu para ser um ideal de ser humano,
mas, somos burros, meu amor,
passarinho, estamos fritos!
Nós continuamos voando, de mãos dadas,
mas eu ainda me sinto sozinha.
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De alguma forma estou sozinha
Enquanto as luzes noturnas vão morrendo
A semana toda é um sábado aborrecido
Mas há um segredo oculto por debaixo de meus dedos
Minha mente pendura-se em cada árvore verde
Deixo com que meu pó semeie a terra
Estou perdida entre a vegetação
Por detrás de meus olhos inicia-se uma guerra
(Eu irei contar até três)
Com a pele formigando por dentro
Com o corpo do avesso
E a garganta sendo roída
A ansiedade que me possui,
Torna os mundos mais interessantes
E aterrorizantes
Em minha cabeça
(Eu irei contar até três)
E ainda me sinto sozinha
(Eu irei contar até três)
Gostaria de conseguir dormir uma noite todinha
(Irei contar até três)
Três disparos em meu peito sujo:
Cheia de culpa e nojo, eu sou imunda.
Eu irei contar até três,
até que se esgotem todos os meus números...
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Contorço meu pescoço e ele se esfarela
assim como o serpentear de meus dedos
no ar me torna internamente mais deleitável
[eu os assusto?]
Ratos, pombas, moscas, vermes
brincam de furar a gordura que
mora embaixo de minha epiderme
[sou nojenta demais para um beijo]
Mas esta é a verdade:
nós a aguardamos.
ela se esconde
por entre cada
dor de cabeça
infernal
E eu,
cresço consecutivamente
enquanto me transformo praticamente
num ser medonho, calorento digno de nojo e pena
[o frio se apossa de minhas veias]
Eu me ouço orar com medo
eu me pego chorando de pavor
eu me pego descrendo na vida
sou a detetive que me investiga
- eu emagreci quatro quilos na última semana
talvez eu esteja morrendo...
- ou ficando mais aprazível aos meus olhos no espelho...
Talvez eu esteja morrendo
e minha mãe terá uma flecha encravada em si mesma
talvez eu esteja morrendo
ela não vai me perdoar por este erro
talvez eu esteja morrendo
uma existência sem um amor que será desperdiçado
talvez eu esteja morrendo
sem mais amigos bêbados e reais ao meu lado
talvez eu esteja morrendo
sinto-me definhar por cada extremidade
eu estou morrendo
a cada segundo que passa
Então agora rirei com verdade
o inferno é apenas Deus bravo com a gente
o inferno é apenas o que teme minha mente
talvez eu não morra por agora...
mas o pressentimento é eminente.
morreremos embebidos em vinho
morreremos e causaremos
um provável desespero
morreremos e sentiremos:
nada.
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