ana cristina capre @6dejaneiro
Silêncio

brincando na poeira

há algo perfeitamente morto na distância que separa nossas peles temendo acender a luz e abrir as janelas eu sinto que seu amor adormece, às vezes. eu sou um quadro que foi pintado por um assassino tímido e acomodado eu o sinto respirar em meus ouvidos à noite ele me beija e me nina até eu adormecer ele me observa no canto dos sonhos ele estava na neblina do meu último pesadelo mas nós não o achamos. você diz que as ruas desta cidade estão cheias da vida que você quer ter você quer ir para New York, mas você tem medo de ratos, talvez você devesse se conhecer mais, mas, nós dois, nos parecemos muito nós nos amordaçamos carinhosamente bem. as horas vazias que não querem me dar sono me fazem chorar e tremer pela casa toda eu vago como uma alma penada, enquanto sei que você está dormindo você continua fugindo você é bom para fugir das brigas, e é bom para me remendar depois de cada uma delas, mas sei que para mim ainda não há cura. estamos brincando na poeira sorrindo com dentes ensopados de paixão e medo nosso amor vai existir sempre mesmo quando houver algum punhado de remorso as incertezas fazem parte do aprendizado assim como os dias em que superamos toda e qualquer expectativa romântica. ninguém nasceu para ser um ideal de ser humano, mas, somos burros, meu amor, passarinho, estamos fritos! Nós continuamos voando, de mãos dadas, mas eu ainda me sinto sozinha.

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