Depois do sopro
Depois do sopro. Queria ter o dom de criar, pegar o barro e te moldar. Cada curva, cada traço iria lembrar, cada centímetro do teu corpo, com minhas mãos iria formar, só para te ter ao meu lado, todo santo dia. Não precisava ser gênio como Da Vinci. A cópia fiel só tinha que ser verdadeira, inteira. E ao olhar para ela, eu perderia a respiração. A obra só estaria completa no final: após esculpir tua forma com emoção, assopraria devagar, para o barro vida criar, teu corpo acordar e vivo, junto de mim ficar, para toda vida, Para todo sempre… Até o mundo acabar. Elvira Silva. 16 de fevereiro de 2026.
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