O tempo.
Carregamos o tempo nas costas,
sem ver ele passar.
Quando já não temos mais tempo
começamos a nos importar.
E o tempo continua a correr
como areia fina no deserto,
ficamos a procurar
julgando que é tudo incerto.
Elvira Silva
22 de março de 2026
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Manifesto em preto.
Um dia me disseram:
Escolhe uma cor.
No meu pensamento,
o preto brotou.
Me questionaram:
Mas preto?
Não, por favor.
Preto é agouro,
é luto,
é ausência de cor.
É sinal de infelicidade.
falta de amor.
Olhei pra pessoa
sem entender,
e disse:
de onde tu tirou
essa teoria sem cabimento?
Pra mim, preto é vida,
é energia, renascimento.
Não vejo dor no preto
em nenhum momento.
Preto é elegância
Silêncio que acolhe.
Mistério profundo .
Combina com o dia
e também com a noite,
com a chuva
e com o sol do mundo.
Porque preto não é vazio.
é começo disfarçado de fim.
É cor que carrega sentido
que nem todos conseguem ver.
O preto que habita em mim
é só mais um jeito de viver.
Elvira Silva
18 de março de 2026.
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Ponto de ignição.
Tenho caneta, tenho papel
e a mente pronta para a ação.
Tenho a mão para escrever,
mas me falta emoção,
a centelha que dá vida,
o ponto de ignição
que faz a magia acontecer.
Mas que adianta ter os comburentes,
sem combustível para aquecer?
Nessa luta com a mente,
tento organizar o caos,
desenhar letras, criar versos,
deixar a poesia ser a ponte,
que traz a inspiração,
e faz as palavras saírem do peito
a partir do coração.
Elvira Silva
13 de março de 2026.
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Pedido meu.
Trago nos lábios um pedido,
daqueles que fazem sentido,
sem deixar subentendido,
o que desejo, sem nenhum perigo.
Peço, sem medo, sem razão:
deixa teu olhar cair sobre o meu,
descansa ele lá, devagar,
esquece ele em mim como quem quer ficar.
Depois, com calma e jeitinho
aquece com beijinhos,
esse coração que já é teu
esse corpo que só teu vento move.
Sei que não sou atrevida,
Só quero amar a vida
com minha pele na tua,
com meu corpo colado ao teu.
Elvira Silva
16 de fevereiro de 2026.
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Dança ao luar.
A rua será nosso palco,
com as estrelas por plateia.
O nosso bailar é discreto,
dançando sob a lua cheia.
Nas curvas do teu sorriso,
descanso o meu olhar.
Nos teus braços, rodopio,
pedindo para o tempo parar.
Nesse universo alado
que habito ao teu lado,
fecho os olhos e de repente,
sinto teus beijos nos meus lábios.
Derretida pelo carinho,
me aconchego no teu abraço,
tendo o céu por testemunha
eternizando nosso laço.
Elvira Silva
13 de fevereiro de 2026.
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Atravessar.
Queria versar,
Arrumando sentimentos no papel,
e atravessar:
a rua,
a lua,
o mundo.
Até alcançar
a menina sentada na esquina,
o astronauta que vive sua rotina,
as pessoas que lutam contra sua sina.
Queria versar,
falar de amor,
de flor.
do mel.
Levar doçura
e espalhar pelo céu.
Elvira Silva
27 de fevereiro de 2026
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Dois corpos
Numa mesma sintonia,
dois corpos se encontram.
Basta um olhar.
Mais além, outro olhar
e todo desejo se inflama.
Dois corpos,
e a intimidade crescente,
respiração acima do tom
explorando o clima de calor.
Dois corpos,
E o incêndio vai crescendo,
deixando a pele quase febril.
Um só suspiro
e o mundo lá fora
parece nem mais existir.
Dois corpos,
e a chama faz dos dois, um só.
Brasa.
Cinza.
Calmaria.
Dois corpos,
e um desejo só:
Arder até o fim.
Elvira Silva
23 de fevereiro de 2026
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Só uma gota.
O líquido,
o líquido mais precioso,
não tem visgo,não é pororo.
Dizem ser um veneno.
Alhures falam ser petróleo.
Cometam ser água.
Sem ela a vida deságua.
Mas...estive pensando.
É a lágrima.
Sim, pequena gotícula
que crava sulcos na pele,
salgada,
como a do mar,
quente quase como café
quando deixamos esfriar.
A lágrima...
Só uma gota é capaz do mundo inundar,
só um pouquinho faz com que o moinho possa girar.
A lágrima.
Às vezes ela custa chegar,
mas quando encontra sua rota
ela brota ,
ela choca
ela consegue em um minuto
cobrir o rosto do dedicado orvalho que vem ensinar:
sentimento nenhum é possível guardar,
depois que a primeira gota consegue escapar.
Elvira Silva
21 de fevereiro de 2026.
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Depois do sopro.
Queria ter o dom de criar,
pegar o barro e te moldar.
Cada curva, cada traço iria lembrar,
cada centímetro do teu corpo,
com minhas mãos iria formar,
só para te ter ao meu lado,
todo santo dia.
Não precisava ser gênio como Da Vinci.
A cópia fiel só tinha que ser verdadeira,
inteira.
E ao olhar para ela,
eu perderia a respiração.
A obra só estaria completa no final:
após esculpir tua forma com emoção, assopraria devagar,
para o barro vida criar,
teu corpo acordar
e vivo, junto de mim ficar,
para toda vida,
Para todo sempre…
Até o mundo acabar.
Elvira Silva.
16 de fevereiro de 2026.
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No eixo do abraço
Desejo é faísca.
Amor é fogo…
É fogo que alimenta
a história,
que traz esperança
e ajusta o laço da alma
com calma.
É fogo que não queima
mesmo que cresça no peito,
é como dança
que quebra o silêncio
e nos coloca no eixo
quando nosso alguém
nos abraça.
É chama que ilumina
sem que peçamos nada,
pois conhece o peso da noite
e, mesmo assim, fica,
porque no abraço dele
a vida entende
que amar pode ser porto
e poesia.
Elvira Silva
23 de novembro de 2025.
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