Noite Febril
eu não confio em mim. embaralho as realidades, eu imagino até sentir, até confundir meus mundos tua mão pesada e mansa tocando meu coração... desejos de noite escura ou simples alucinação? eu não sei, eu não sei. só estou certa do suor... era real? era ilusão? o que era? era amor? perco-me nos absurdos, caio em nossas fantasias, eu sonho, sonho muito — será que eu vivo? por isso, bem agora, ao lembrar (?), pergunto-me o que (se) aconteceu, o que era nós, o que era eu o mundo vazio e calado com você bem perto... momento de fascínio ou sonho indesperto? não distingo entre as sombras e os corpos, o que sai de dentro, o que vem de fora... ouço os estalidos do toque que ecoavam entre a gente: não havia sono. havia sonho? crepitava em sua pele quente agora, esfrio na saudade: eu inventei o meu mal? padeço em minha vontade, gelifico abaixo de 40 graus mas se não era sua mão, se sobrepus irrealidades naquela longa noite febril, agora me dói de verdade: pois era noite de lua nova, pois o mundo estava vazio, pois seu carinho era gentil, pois seu peito era alcova eu não confio em mim. diga, eu sinto o teu beijo? eu invento? eu alucino? eu acordo? eu lhe vejo? se é delírio... se é memória... o que muda no fim? no fundo, não importa: foi o sonho mais sublime que eu já mais vivi. - Ventania -
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