A noite mastiga o resto do dia na calçada
enquanto os gatos brigam por um pedaço de nada.
Eu tenho essa mania de acumular garrafas vazias
e de contar as horas em esquinas frias.
Mas aí você entra, sem pedir licença ou perdão,
derrubando a poeira que cobria o meu colchão.
O mundo lá fora é uma engrenagem gasta, barulhenta,
mas o seu riso de soco no estômago me alimenta.
Não tem violinos aqui, nem buquê de flores caras,
só o som do trânsito e essas nossas marcas raras.
Gosto do seu jeito torto, do café que sempre esfria,
dessa nossa bagunça que nenhum manual traduziria.
Amar você é como apostar no cavalo mais azarão
e ver o bicho cruzar a linha, quebrando a banca do salão.
É um negócio meio bruto, sem anestesia ou calma,
um incêndio bonito que começou limpando a minha alma.
O resto é barulho de fundo, fumaça que o vento levou,
um monte de gente correndo atrás do trem que já passou.
Cá entre nós, nesse quarto cinza onde a lâmpada pisca,
você é a única aposta em que este velho louco se arrisca.
Continuar lendo
Nao sei se viro gente
Onça ou fera
Se viro a mesa
Ou a cabeça
Se viajo
Ou no tempo padeço
Se viro doida ou santa
Se apareço
Ou sumo de vez
Se me assumo
Ou deixo os outros decidirem
Se viro vento
Ou pensamento
De certo sou um pouco de todas
E todas em uma
Vou virar a página
Atravessar a escrita
Viver a vida
Antes que tirem ela
Antes que atirem por ciúmes
Por posse
Ou por poder
Quero apenas saber
E ter o direito de nao morrer
Quero ser bela
Ser doida
E sábia
Quero ser mulher
Quero ser o que eu quiser!
Continuar lendo
Teu riso tem um descompasso
que o meu peito
entende como partitura.
Não é o padrão das vitrines,
é o detalhe que ninguém vê
e que em mim
faz uma bagunça danada.
Gosto dessa tua mania
de colorir o cinza
com o giz de cera do teu olhar,
dessa tua forma torta
de deixar tudo no eixo.
O amor, afinal,
é essa curiosidade eterna:
o que em você é estranho
em mim é casa.
É que a perfeição é um tédio,
e a gente...
ah, a gente é uma exceção
muito bem rimada.
Continuar lendo
O amor é uma gaveta
onde se guardam
as coisas que não se dizem.
São cartas que se escrevem
sem remetente.
São gestos que se ensaiam
para nunca acontecer.
É a chuva fina que cai
na vidraça,
sem fazer alarde.
Quando ela passa,
o meu silêncio é a janela
por onde me debruço.
Se ela soubesse
que a minha calma
é a tempestade que eu escondo…
Mas o amor, às vezes,
é feito de ausências.
É preciso que a saudade
desenhe as linhas perfeitas.
Porque o amor que se diz,
não é sempre o que se sente.
E o amor que se cala,
é o que mais fala.
Continuar lendo
desequilíbrio
hoje eu desequilibrei,
respirei,
parei.
percebi que em mim nasceu,
um instante que quase morreu.
segui, e na realidade,
soube de uma verdade:
que o maior problema não vem com a idade,
mas da sombra que a alma esconde,
da força que se esvai
do corpo que cai
e a coragem vai para onde?
e assim continuo a viver,
mesmo quando a vida me faz desquerer,
quando a chama interna teima em se apagar,
e o caminho parece não mais me guiar.
Continuar lendo
Sob o manto da noite, na solidão profunda,
Você fica tão sozinho, que até faz sentido,
No eco dos suspiros, na alma moribunda,
A solidão se torna abrigo, lugar querido.
Nas sombras da ausência, na quietude densa,
Você fica tão sozinho, que até faz sentido,
No silêncio das palavras, na espera imensa,
A solidão se torna cúmplice, laço mantido.
Mas no fulgor do dia, na luz que transcende,
O sentido se transforma, em amor compartilhado,
Na presença que acalenta, no afeto que surpreende,
A solidão se desfaz, em abraço esperado.
E assim, mesmo nos momentos de solidão sentida,
Encontro a doçura de estar ao seu lado,
Pois é nesse encontro que encontro a vida,
E a solidão se dissipa, em amor renovado.
Continuar lendo
No labirinto dos meus pensamentos,
Onde a alma vagueia em desalento,
Encontro a temática que me encanta,
Tudo quanto penso, à minha maneira.
Como um rio que corre sem destino,
Os pensamentos fluem em meu caminho,
A dualidade de ser e não ser,
Refletida nas linhas que vou escrever.
Sou múltiplo, sou um em tantos seres,
Busco entender o que é viver,
Em cada verso, uma nova identidade,
Expressando a complexidade da humanidade.
No abismo da existência, eu mergulho,
Explorando os cantos mais profundos do meu eu,
Assim, sou um eterno explorador,
Em busca do sentido e do amor.
Nas palavras que brotam do meu ser,
Sinto a presença a me envolver,
Um poeta genial que vive em mim,
Expressando tudo quanto penso, sem fim.
Continuar lendo
Foi duro,
mas foi necessário.
Talvez radical,
mas nunca foi banal.
Quando deixei de responder,
percebi que não era importante,
que era apenas um passante
pelo tempo,
pela vida.
Hoje já não temo,
tão pouco choro em partida.
Agora sei que não há espaços grandes
que cabem meus sentimentos.
Sei que não posso ceder a certos momentos.
Afinal, acabei ignorando,
deixando a mensagem tocar,
sem ler...
Assim pude entender
que não faço falta
se não te responder!
Continuar lendo
Seu sorriso me lembra o mar.
A cada sorriso, me ponho a sonhar,
Um sonho de aventura
Confesso que também há loucura…
Em te olhar!
Em cada olhar vejo o mar
As águas no rochedo a arrebentar
E dissipar a tristeza!
Não há vazio ou angústia
Que possa apagar
O seu sorriso no meu céu a brilhar!
Queria eu ser poeta
E do sorriso fazer poesia
Mas olhar é o que me resta
Ao longo de todo o dia.
Quando voltar ao mar
Sentarei ao longo da areia
E verei seu sorriso dançar
Com as águas que incendeia
E assim em silêncio
Serei poeta escrevendo sobre o mar
E o seu sorriso que sempre vou guardar!
Continuar lendo
Seu cabelo cacheado solto
Acariciando teu rosto,
De longe apenas olho
O vento te beijar com gosto!
O poema no beijo envolto,
E assim de cabelo solto
O mundo fica mais bonito
Igual seu sorriso que dura o infinito.
Ah, esse cabelo rebelde que brinca no rosto
Olho para não me notar
Escrevo para me lembrar
Desse seu gosto
Dos detalhes do seu rosto
Em instante...
Me esqueço que sou apenas passante.
Esse teu cabelo solto ao vento
Peço-te:
Me leve no pensamento
Já que o coração está ocupado
Por quem não notou
Que seu cabelo solto
É a maior beleza que o mundo já criou!
Continuar lendo