FRESTAS
Eu abro uma porta Percebo que não posso entrar — a fecho Mas vejo a fresta Que vem como uma flecha Que eu não consigo desviar Meu olhar se hipnotiza, Algo que vem e fascina… Mas no fundo, Quer apenas me assassinar. Assinei um contrato sem ler a cláusula, Por receio — ou medo Agora ando descalço Por cima dos pesadelos Que vêm me atormentar. Embrulha o meu estômago ver esses olhos estranhos no espelho, Dá vontade até de vomitar. Preciso melhorar o meu eu interno Esquecer meu eu externo E esperar que um dia a mudança vem Porque, enquanto o mal veste seu lindo e caro terno, É em roupas rasgadas e no meio das calçadas onde habita o bem. Sou só o passageiro de um trem Sem rumo Sem norte Tentando ser forte Com o passaporte direto para o além.
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