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trickster

@trickster · desde 2024

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Apenas escrevi

Não tenho bela dama Na minha cama Só tenho a trama E os traumas da infância Que eu deixei engarrafados Em potes de lembranças Na época que eu era criança E a vida tinha fragrância de esperança Abrir os olhos e apreciar a vida em uma dança Sem cobrança, sem relutância Sem rótulos e alianças Que se quebram e me faz pensar que nada é confiável Tudo é tão efêmero Eu me sinto tão finito Tentando me conectar com algo que é muito mais bonito Mais profundo, mais fundamental Mas no fundo, me sinto em baixo astral Buscando pérolas com medo de ostras Minhas células vivem com meus vírus E as sequelas se tornaram vícios Porque uma hora a dor se tornou o meu motivo de pensar E se eu não pensar, o diabo vem operar na mente vazia Meu estresse do trabalho O pensamento acumulado Uma hora eu preciso esvaziar Desabafar Ou desabafar Só quero colocar pra fora Deixo cair minhas lágrimas Deixo aqui minhas lastimas Minha pele fica pálida Com o medo da caçada Porque me sinto uma presa As vozes são tão selvagens Minhas mãos estão presas Meus pés acorrentados pra que eu não parta em viagem

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Tempo de espera

Guardei joias: ouro, prata, rubis e diamantes. Não apenas para servir de presente, mas como prova de amor, Uma união sem cerimônia. Estendo meu braço em tua direção para que possas ver minha mão aberta. Espero… Espero… Espero… Qual hora está marcada em teu relógio? Outra mão é o que aguardas? Devo levar minha maior riqueza para outro alguém? Parte dela já gastei em gestos e palavras. Minha voz há de se esgotar, Para pessoas que fingem ser surdas Diga-me: o que te impede? A incerteza? Meu coração nunca teve dúvidas.

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Meu Motivo

Não faço poesia por aplausos ou gritos Se for para me expor Que seja por abraços e sorrisos É nisso que me ressignifico, me motivo, me atiro... Não precisa entender oque eu digo mas peço que entenda oque eu sinto É como o cão que reencontra seu melhor amigo E se expressa se perdendo em seus próprios latidos. Meu corpo quer se expressar sem conseguir acompanhar as palavras Assim como é difícil fluir palavras que não podem alcançar minha mente Se quer pode existir uma mente que possa antecipar as horas que passam? O tempo é meu contratempo Meus argumentos minhas controvérsias Meu encontro comigo mesmo é em linhas em que desejo ser poeta

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Poeta Interno

Tenho me deixado ser acorrentado pelos olhos de quem me despreza. Esses olhos, eu os vejo em todo lugar: Em cada esquina, em todas as ruas, Até nos detalhes ocultos das palavras cruas. Isso faz com que eu me esconda. Tenho vergonha de quem eu sou Ou de quem eu quero ser. Quero ser poeta. E ser poeta é diferente de ser humano. Enquanto o humano diz: “Gosto de você”, O poeta grita: “Eu te amo”. Em todo canto, a todo momento, São tormentos em forma de pensamento. O problema é que eu não quero me deixar levar Como um barco à vela, na brisa do vento. Mas se eu não sou o barco, sou o tripulante que cai e se afoga. Porque de tanto pensar, isso me sufoca. Tudo por medo de uma resposta, Vindas de seres humanos Que nem sabem o que é prosa.

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Antítese

Eu sei que nem sempre sou uma pessoa engraçada, Mas faz tempo que você não ri dos meus trocadilhos. Vem como ponta afiada atravessando meu peito, fazendo sangrar a alma, A imagem do seu sorriso. Pra mim, isso é o início da vida E o fim do meu mundo. É uma saída E um lugar obscuro. Me impressiona tanto como uma mesma lembrança Pode me fazer sentir — intensamente — De formas completamente opostas: Fraco e forte, Corajoso e covarde, Faz eu sentir vida e morte, Viver em Lucidez e em miragem.

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"Eu te amo" engasgado

Tem dias que eu acordo aflito, Com o coração abatido. Eu paro, penso, e reflito No quanto minha mente guarda resquícios... Resquícios de um tempo tão belo: O céu era azul, o sol - tão amarelo. Uma aquarela pintava o mundo singelo. Uma infância com gosto de caramelo. É por causa desses dias que eu ainda existo. Busco eles, como busco me sentir vivo. As vezes relembro, arrependido, De tantos "eu te amo" que não foram ditos. Tudo o que eu venho absorvido Tem me deixado tão cansado. Se ainda estivesse ao meu lado, Seria mais fácil carregar esse fardo. Cada dia que passa, me sinto mais fraco, Me visite aqui desse lado. Sinto culpa de termos nos separados, E a cada dia calados, ficamos mais afastados. Tudo por causa de "eu te amo" engasgados Quantos "eu te amo" não ficaram engasgados ?

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Falso Poeta

As vezes me sinto um falso poeta Eu digo "amem mais" E sinto raiva dos meus pais Digo: Perdoem mais, essa é a atitude correta Mas minha mente é uma vilã Pois tem dias que eu durmo amargurado Sem se quer dar um abraço na minha própria irmã Quem sou eu para te dar algum conselho ? Seus erros eu enxergo ampliados no espelho Algum dia vou quebra-lo, tentando quebrar eu mesmo.

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chuva.

Hoje, um dia chuvoso, eu olhei pela janela. Ali pude contemplar a beleza que a chuva traz — é quase como um filtro, moldando o cenário das ruas e das casas, com o poder de despertar um sentimento singular, quase nostálgico. Peguei meu celular, pronto para tirar uma foto. Mas antes de postar, me dei conta: estamos todos debaixo do mesmo céu.

Simples Assim

É simples assim, Mesmo que tão complicado. Não me vejo como alguém ruim, Mesmo não sendo sempre decente no anonimato. Mas eu sei que há gente muito pior, Que, sem dó, fere todos ao redor. Brinca com as pessoas como se fossem peças, Derruba elas como quem brinca com dominó, Reduz o mundo inteiro a pó, Sem respeito por pai, mãe, amigos ou vó. No fim, o que merecem é ficar só. E isso me leva a refletir... Por que me sinto sozinho? Será que me perdi no meio do caminho? Provavelmente sim. Mas, por favor, não me julgue. Às vezes olho ao redor e me sinto em um labirinto. Fico tonto, até atordoado... De tanto procurar a saída, acabei ficando cansado. Então, cometi erros e acolhi pecados. Poucos tenho amado, Por muitos, venho sendo odiado. Agora parece mais claro... O porquê de, sozinho, eu ter ficado.

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FRESTAS

Eu abro uma porta Percebo que não posso entrar — a fecho Mas vejo a fresta Que vem como uma flecha Que eu não consigo desviar Meu olhar se hipnotiza, Algo que vem e fascina… Mas no fundo, Quer apenas me assassinar. Assinei um contrato sem ler a cláusula, Por receio — ou medo Agora ando descalço Por cima dos pesadelos Que vêm me atormentar. Embrulha o meu estômago ver esses olhos estranhos no espelho, Dá vontade até de vomitar. Preciso melhorar o meu eu interno Esquecer meu eu externo E esperar que um dia a mudança vem Porque, enquanto o mal veste seu lindo e caro terno, É em roupas rasgadas e no meio das calçadas onde habita o bem. Sou só o passageiro de um trem Sem rumo Sem norte Tentando ser forte Com o passaporte direto para o além.

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