Não tenho bela dama
Na minha cama
Só tenho a trama
E os traumas da infância
Que eu deixei engarrafados
Em potes de lembranças
Na época que eu era criança
E a vida tinha fragrância de esperança
Abrir os olhos e apreciar a vida em uma dança
Sem cobrança, sem relutância
Sem rótulos e alianças
Que se quebram e me faz pensar que nada é confiável
Tudo é tão efêmero
Eu me sinto tão finito
Tentando me conectar com algo que é muito mais bonito
Mais profundo, mais fundamental
Mas no fundo, me sinto em baixo astral
Buscando pérolas com medo de ostras
Minhas células vivem com meus vírus
E as sequelas se tornaram vícios
Porque uma hora a dor se tornou o meu motivo de pensar
E se eu não pensar, o diabo vem operar na mente vazia
Meu estresse do trabalho
O pensamento acumulado
Uma hora eu preciso esvaziar
Desabafar
Ou desabafar
Só quero colocar pra fora
Deixo cair minhas lágrimas
Deixo aqui minhas lastimas
Minha pele fica pálida
Com o medo da caçada
Porque me sinto uma presa
As vozes são tão selvagens
Minhas mãos estão presas
Meus pés acorrentados pra que eu não parta em viagem
Continuar lendo
Guardei joias:
ouro, prata, rubis e diamantes.
Não apenas para servir de presente,
mas como prova de amor,
Uma união sem cerimônia.
Estendo meu braço em tua direção
para que possas ver minha mão aberta.
Espero…
Espero…
Espero…
Qual hora está marcada em teu relógio?
Outra mão é o que aguardas?
Devo levar minha maior riqueza para outro alguém?
Parte dela já gastei
em gestos e palavras.
Minha voz há de se esgotar,
Para pessoas que fingem ser surdas
Diga-me:
o que te impede?
A incerteza?
Meu coração nunca teve dúvidas.
Continuar lendo
Não faço poesia por aplausos ou gritos
Se for para me expor
Que seja por abraços e sorrisos
É nisso que me ressignifico,
me motivo,
me atiro...
Não precisa entender oque eu digo
mas peço que entenda oque eu sinto
É como o cão que reencontra seu melhor amigo
E se expressa se perdendo em seus próprios latidos.
Meu corpo quer se expressar sem conseguir acompanhar as palavras
Assim como é difícil fluir palavras que não podem alcançar minha mente
Se quer pode existir uma mente que possa antecipar as horas que passam?
O tempo é meu contratempo
Meus argumentos minhas controvérsias
Meu encontro comigo mesmo é em linhas em que desejo ser poeta
Continuar lendo
Tenho me deixado ser acorrentado pelos olhos de quem me despreza.
Esses olhos, eu os vejo em todo lugar:
Em cada esquina, em todas as ruas,
Até nos detalhes ocultos das palavras cruas.
Isso faz com que eu me esconda.
Tenho vergonha de quem eu sou
Ou de quem eu quero ser.
Quero ser poeta.
E ser poeta é diferente de ser humano.
Enquanto o humano diz: “Gosto de você”,
O poeta grita: “Eu te amo”.
Em todo canto, a todo momento,
São tormentos em forma de pensamento.
O problema é que eu não quero me deixar levar
Como um barco à vela, na brisa do vento.
Mas se eu não sou o barco, sou o tripulante que cai e se afoga.
Porque de tanto pensar, isso me sufoca.
Tudo por medo de uma resposta,
Vindas de seres humanos
Que nem sabem o que é prosa.
Continuar lendo
Eu sei que nem sempre sou uma pessoa engraçada,
Mas faz tempo que você não ri dos meus trocadilhos.
Vem como ponta afiada atravessando meu peito, fazendo sangrar a alma,
A imagem do seu sorriso.
Pra mim, isso é o início da vida
E o fim do meu mundo.
É uma saída
E um lugar obscuro.
Me impressiona tanto como uma mesma lembrança
Pode me fazer sentir — intensamente —
De formas completamente opostas:
Fraco e forte,
Corajoso e covarde,
Faz eu sentir vida e morte,
Viver em Lucidez e em miragem.
Continuar lendo
Tem dias que eu acordo aflito,
Com o coração abatido.
Eu paro, penso, e reflito
No quanto minha mente guarda resquícios...
Resquícios de um tempo tão belo:
O céu era azul, o sol - tão amarelo.
Uma aquarela pintava o mundo singelo.
Uma infância com gosto de caramelo.
É por causa desses dias que eu ainda existo.
Busco eles, como busco me sentir vivo.
As vezes relembro, arrependido,
De tantos "eu te amo" que não foram ditos.
Tudo o que eu venho absorvido
Tem me deixado tão cansado.
Se ainda estivesse ao meu lado,
Seria mais fácil carregar esse fardo.
Cada dia que passa, me sinto mais fraco,
Me visite aqui desse lado.
Sinto culpa de termos nos separados,
E a cada dia calados, ficamos mais afastados.
Tudo por causa de "eu te amo" engasgados
Quantos "eu te amo" não ficaram engasgados ?
Continuar lendo
As vezes me sinto um falso poeta
Eu digo "amem mais"
E sinto raiva dos meus pais
Digo: Perdoem mais, essa é a atitude correta
Mas minha mente é uma vilã
Pois tem dias que eu durmo amargurado
Sem se quer dar um abraço na minha própria irmã
Quem sou eu para te dar algum conselho ?
Seus erros eu enxergo ampliados no espelho
Algum dia vou quebra-lo, tentando quebrar eu mesmo.
Continuar lendo
Hoje, um dia chuvoso, eu olhei pela janela.
Ali pude contemplar a beleza que a chuva traz — é quase como um filtro, moldando o cenário das ruas e das casas, com o poder de despertar um sentimento singular, quase nostálgico.
Peguei meu celular, pronto para tirar uma foto.
Mas antes de postar, me dei conta:
estamos todos debaixo do mesmo céu.
É simples assim,
Mesmo que tão complicado.
Não me vejo como alguém ruim,
Mesmo não sendo sempre decente no anonimato.
Mas eu sei que há gente muito pior,
Que, sem dó, fere todos ao redor.
Brinca com as pessoas como se fossem peças,
Derruba elas como quem brinca com dominó,
Reduz o mundo inteiro a pó,
Sem respeito por pai, mãe, amigos ou vó.
No fim, o que merecem é ficar só.
E isso me leva a refletir...
Por que me sinto sozinho?
Será que me perdi no meio do caminho?
Provavelmente sim.
Mas, por favor, não me julgue.
Às vezes olho ao redor e me sinto em um labirinto.
Fico tonto, até atordoado...
De tanto procurar a saída, acabei ficando cansado.
Então, cometi erros e acolhi pecados.
Poucos tenho amado,
Por muitos, venho sendo odiado.
Agora parece mais claro...
O porquê de, sozinho, eu ter ficado.
Continuar lendo
Eu abro uma porta
Percebo que não posso entrar — a fecho
Mas vejo a fresta
Que vem como uma flecha
Que eu não consigo desviar
Meu olhar se hipnotiza,
Algo que vem e fascina…
Mas no fundo,
Quer apenas me assassinar.
Assinei um contrato sem ler a cláusula,
Por receio — ou medo
Agora ando descalço
Por cima dos pesadelos
Que vêm me atormentar.
Embrulha o meu estômago ver esses olhos estranhos no espelho,
Dá vontade até de vomitar.
Preciso melhorar o meu eu interno
Esquecer meu eu externo
E esperar que um dia a mudança vem
Porque, enquanto o mal veste seu lindo e caro terno,
É em roupas rasgadas e no meio das calçadas onde habita o bem.
Sou só o passageiro de um trem
Sem rumo
Sem norte
Tentando ser forte
Com o passaporte direto para o além.
Continuar lendo