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Thiago de melo

@thiago_melo · desde 2024

O poema é o corpo, a poesia é a alma.

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Poesia

Amor e o nada

Que bela noite fria, lá vou eu, lá vou eu; sem querer vi você do lado de fora, fora da casa na mesma calçada. Essa cidade é tão eu, e eu sou o nada que amou, eu sou vento que chora, eu sou chuva que molha meu rosto. Sou um artista, sou tolo e não consigo esquecer grande amor, mas não é meu; eu nunca quis evitar. Paro, sigo e castigo a mim mesmo, não cruze comigo na rua, não faça minhas pernas tremerem. Me veja e me mate mais uma vez, de uma desculpa com olhar de pressa, pois você já vai subir essas escadas.

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Poesia

Outono

Vento de outono, o que me traz hoje? todas as folhas caidas não varridas, como não varrido estão meus medos, sim; meus medos que tanto me paralisam.  Prudência, eu grito por prudência; não tive, não conheci, não vivi.   Já chorei por amor, já fui adolescente; já feri meus próprios pés.  Conheci gente, conheci anjo, anjo que não ouvi; e por que não ouvi?   Outono outono, sempre vem e nunca mais volta, outono passado tão poético.  Minha estação, meu lugar, minha poesia; vento frio com poeira de onde não sei; limpo os meus olhos esta noite.     Um casaco que seca, outono chuvoso e rua deserta; lúcido lembro, triste entendo minha tal loucura de querer apalpar o outono que foi.  Dias passaram e meu ontem ainda vive; tropeço pensando na neblina que se perpetua.

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Vida

Praça e solitude

Solitude e praça deserta, contemplo uma árvore sentindo saudade que aperta; Viver é sentir, viver é ir. Cada página da vida, cada volta, cada ida, cada volta no tempo; nostalgia e sentimento de um valor tardio a uma vida não vivida. Sou um louco, porque mergulho de cabeça em um instante que a vida não está; estou lúcido nessa loucura de querer voltar a um tempo que foi. Sou desejante pelo que não há ; abrevio meu presente desejando o instante que não é. Nesse banco de praça penso a vida e sinto que estou mais velho, penso em outra vida, uma vida que permanece não vivida aqui dentro. O verde gramado que sustenta meus passos, testemunha meu caminho, e percebe que não tenho pressa de voltar para casa. Sol que se põe e lua que surge; anoitece e nada acontece, meus dias; minha prece.

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Amor

Um sentimento que não sei qual é

Ontem eu gritei o seu nome, ontem passei naquele lugar onde nos vimos pela última vez; era a calçada da rua onde você mora; mas não fui pra tentar te ver ou ouvir sua doce voz que pra mim sempre foi como música; quem sabe foi o universo querendo me dizer o que não ficou claro pra mim. Assim; perco o ar e minhas pernas tremem; pude ver as escadas, aquelas escadas que vi você subir depois de ter me dito xau. Tenho medo que me veja e sinto tanta vontade de pelo menos vê-la passar; pois ainda nutro por você um sentimento que não sei qual é.

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Poesia

Presente passado

O que o poeta sente quando triste pensa; pensa no amor, pensa na dor que outrora viveu, volta ao passado que entende que não morreu. Morre vivendo e sabendo que a vida não mais está lá; vive a lembrar e sente saudade que dói em tempos de devaneio. Saudoso instante, lembrança quase constante, doce passado que insiste em ficar no meu turbulento presente onde a vida está. Passado de vida sem freios, tentei por meus meios e não consegui; quem é essa tal felicidade ? Nesse plano, nessa cidade; essa tal felicidade está onde a vida está; invisível, impalpável, mas ela está onde só poderia estar. Meu doce passado que não traz felicidade.

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Poesia

Suba as escadas

Pureza, beleza, mochila e cartolina; calçada, noite fria e chuvosa; olhos escuros que me olhavam e delicado abraço; precioso afago. Um instante apenas, precioso momento; mas que permanece seja dia seja quando anoitece. Suba as escadas e jamais volte para repetir o instante! e não diga que gostaria de ouvir minhas canções que para ti foram escritas. Suba as escadas e jamais desça pra me reencontrar! Tenha outros planos e que eu morra por dentro condenado a viver compondo tais versos. Porque quiseste ir para tão longe quando estive tão perto.

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Poesia

Sou poeta que nada sei

Sou poeta que nada sei, só sei o que tanto vivo hoje aos trinta e três. Gosto do rio, contemplo as águas; como vão, como levam e viajam tão barrentas, não há espelho, não há reflexo para ver meu rosto tão perplexo. Canto sim, canto só, canto com dor; fartura de saudade neste coração de menino amador. Linda noite e rua deserta, calçada que testemunhou a partida, um beijo e um olhar de despedida. Thiago de melo

Amor

Tu és minha poesia

Que saudade de você, como guardo aquele instante; mais de dez anos atrás.   Todo inverno sinto saudade que dói, toda chuva me traz pensamentos.   Chuva que traz gotas do passado, e que caem e me ferem.   Que saudade de te ver passar, que saudade de ver você caminhar.   Lembra daquele breve instante ? lembra do colegial ?     Lembra do antigo bairro que você morava ?   Eu lembro todos os dias; porque te vivo todos os dias, mas você não imagina o quanto penso, o quanto vivo e o quanto morro.   Doce menina dos cabelos cacheados, tu és  motivo das minhas canções; tu és aquela que faz meu coração bater tristemente tão forte.   Eu sei que algo te entristeceu, mas não pude enxugar a lágrima que feriu seu rosto, eu estava longe e você chorava.   Tu és minha poesia, tu estás em todos os versos; sei onde estas; mas não me atrevo a nada dizer.    Sou um vento que passou e insiste em voltar a um tempo que foi; mas bem sei que a vida não está mais la.

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Poesia

Um coracão na cidade de pedra

Nessa avenida deserta, eu caminho e penso sobre onde estará ela e o que faz agora. Alguém poderá dizer que eu não deveria falar sobre tais pensamentos, mas a poesia é mais forte e está em todo lugar. Onde está o sorriso que encanta e a presença que alegra? Onde está quem fez o meu coração bater mais forte? Imagens, sonhos e pensamentos profundos; tomam conta do meu ser, pois assim me permito viver em tempos de devaneio. Triste cidade de pedra, triste coração que só sabe sentir.

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Poesia

Caminho de angustia

Espinhoso será o caminho do insensato. Não pensar a vida, é permitir a solução do imponderável. O risco de viver sozinho a dois, a angústia de uma vida fora de lugar e ter o grito preso na garganta que sangra. Um passo dado ao lugar não encontrado; a gota de chuva daquele passado, se misturou com a lágrima que feriu o meu rosto. Cada ato, cada escolha, cada maneira de olhar. Leve forte paixão antecedeu a angústia; vida fora de lugar, vida sob o vento que não sabe para onde vai, vento que sopra e está onde só poderia estar. A tristeza tem casa e mora bem, alma que clama. Faz morada também o querer; o querer repetir infinitas vezes o instante que não pude eternizar.

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