Que bela noite fria, lá vou eu, lá vou eu;
sem querer vi você do lado de fora,
fora da casa na mesma calçada.
Essa cidade é tão eu, e eu sou o nada
que amou, eu sou vento que chora,
eu sou chuva que molha meu rosto.
Sou um artista, sou tolo e não consigo
esquecer grande amor, mas não é meu;
eu nunca quis evitar.
Paro, sigo e castigo a mim mesmo,
não cruze comigo na rua, não faça
minhas pernas tremerem.
Me veja e me mate mais uma vez,
de uma desculpa com olhar de pressa,
pois você já vai subir essas escadas.
Continuar lendo
Vento de outono, o que me traz hoje? todas as folhas caidas não varridas, como não varrido estão meus medos, sim; meus medos que tanto me paralisam.
Prudência, eu grito por prudência; não tive, não conheci, não vivi.
Já chorei por amor, já fui adolescente; já feri meus próprios pés.
Conheci gente, conheci anjo, anjo que não ouvi; e por que não ouvi?
Outono outono, sempre vem e nunca mais volta, outono passado tão poético.
Minha estação, meu lugar, minha poesia; vento frio com poeira de onde não sei; limpo os meus olhos esta noite.
Um casaco que seca, outono chuvoso e rua deserta; lúcido lembro, triste entendo minha tal loucura de querer apalpar o outono que foi.
Dias passaram e meu ontem ainda vive; tropeço pensando na neblina que se perpetua.
Continuar lendo
Solitude e praça deserta, contemplo uma árvore sentindo saudade que aperta; Viver é sentir, viver é ir.
Cada página da vida, cada volta, cada ida, cada volta no tempo; nostalgia e sentimento de um valor tardio a uma vida não vivida.
Sou um louco, porque mergulho de cabeça em um instante que a vida não está; estou lúcido nessa loucura de querer voltar a um tempo que foi.
Sou desejante pelo que não há ; abrevio meu presente desejando o instante que não é.
Nesse banco de praça penso a vida e sinto que estou mais velho, penso em outra vida, uma vida que permanece não vivida aqui dentro.
O verde gramado que sustenta meus passos, testemunha meu caminho, e percebe que não tenho pressa de voltar para casa.
Sol que se põe e lua que surge; anoitece e nada acontece, meus dias; minha prece.
Continuar lendo
Ontem eu gritei o seu nome, ontem passei naquele lugar onde nos vimos pela última vez; era a calçada da rua onde você mora; mas não fui pra tentar te ver ou ouvir sua doce voz que pra mim sempre foi como música; quem sabe foi o universo querendo me dizer o que não ficou claro pra mim.
Assim; perco o ar e minhas pernas tremem; pude ver as escadas, aquelas escadas que vi você subir depois de ter me dito xau.
Tenho medo que me veja e sinto tanta vontade de pelo menos vê-la passar; pois ainda nutro por você um sentimento que não sei qual é.
Continuar lendo
O que o poeta sente quando triste pensa; pensa no amor, pensa na dor que outrora viveu, volta ao passado que entende que não morreu.
Morre vivendo e sabendo que a vida não mais está lá; vive a lembrar e sente saudade que dói em tempos de devaneio.
Saudoso instante, lembrança quase constante, doce passado que insiste em ficar no meu turbulento presente onde a vida está.
Passado de vida sem freios, tentei por meus meios e não consegui; quem é essa tal felicidade ?
Nesse plano, nessa cidade; essa tal felicidade está onde a vida está; invisível, impalpável, mas ela está onde só poderia estar.
Meu doce passado que não traz felicidade.
Continuar lendo
Pureza, beleza, mochila e cartolina; calçada, noite fria e chuvosa; olhos escuros que me olhavam e delicado abraço; precioso afago.
Um instante apenas, precioso momento; mas que permanece seja dia seja quando anoitece.
Suba as escadas e jamais volte para repetir o instante!
e não diga que gostaria de ouvir minhas canções que para ti foram escritas.
Suba as escadas e jamais desça pra me reencontrar!
Tenha outros planos e que eu morra por dentro condenado a viver compondo tais versos.
Porque quiseste ir para tão longe quando estive tão perto.
Continuar lendo
Sou poeta que nada sei, só sei o que tanto vivo hoje aos trinta e três.
Gosto do rio, contemplo as águas; como vão, como levam e viajam tão barrentas, não há espelho, não há reflexo para ver meu rosto tão perplexo.
Canto sim, canto só, canto com dor; fartura de saudade neste coração de menino amador.
Linda noite e rua deserta, calçada que testemunhou a partida, um beijo e um olhar de despedida.
Thiago de melo
Que saudade de você, como guardo aquele instante; mais de dez anos atrás.
Todo inverno sinto saudade que dói, toda chuva me traz pensamentos.
Chuva que traz gotas do passado, e que caem e me ferem.
Que saudade de te ver passar, que saudade de ver você caminhar.
Lembra daquele breve instante ? lembra do colegial ?
Lembra do antigo bairro que você morava ?
Eu lembro todos os dias; porque te vivo todos os dias, mas você não imagina o quanto penso, o quanto vivo e o quanto morro.
Doce menina dos cabelos cacheados, tu és motivo das minhas canções; tu és aquela que faz meu coração bater tristemente tão forte.
Eu sei que algo te entristeceu, mas não pude enxugar a lágrima que feriu seu rosto, eu estava longe e você chorava.
Tu és minha poesia, tu estás em todos os versos; sei onde estas; mas não me atrevo a nada dizer.
Sou um vento que passou e insiste em voltar a um tempo que foi; mas bem sei que a vida não está mais la.
Continuar lendo
Nessa avenida deserta, eu caminho e penso sobre onde estará ela e o que faz agora.
Alguém poderá dizer que eu não deveria falar sobre tais pensamentos, mas a poesia é mais forte e está em todo lugar.
Onde está o sorriso que encanta e a presença que alegra?
Onde está quem fez o meu coração bater mais forte?
Imagens, sonhos e pensamentos profundos; tomam conta do meu ser, pois assim me permito viver em tempos de devaneio.
Triste cidade de pedra, triste coração que só sabe sentir.
Continuar lendo
Espinhoso será o caminho do insensato. Não pensar a vida, é permitir a solução do imponderável.
O risco de viver sozinho a dois, a angústia de uma vida fora de lugar e ter o grito preso na garganta que sangra.
Um passo dado ao lugar não encontrado; a gota de chuva daquele passado, se misturou com a lágrima que feriu o meu rosto.
Cada ato, cada escolha, cada maneira de olhar. Leve forte paixão antecedeu a angústia; vida fora de lugar, vida sob o vento que não sabe para onde vai, vento que sopra e está onde só poderia estar.
A tristeza tem casa e mora bem, alma que clama. Faz morada também o querer; o querer repetir infinitas vezes o instante que não pude eternizar.
Continuar lendo