T. Rosário @tata_art7
Amor

Sexta-feira 13 (Gabriele)

Chegou a nossa esperada Sexta como promessa boa... A gente contava as horas como quem espera a maré subir. Havia desejo no ar, expectativa, aquela ansiedade boa de dois corpos que já se imaginavam próximos. Então alguém disse: “Feliz sexta-feira 13.” E aquilo me atravessou como um vento frio. Um arrepio subiu dos pés até a nuca como se o destino tivesse cochichado alguma coisa que eu ainda não sabia ouvir. Tentei ignorar. O dia começou com susto: o irmão dela se acidentou. Por um instante pensei que tudo acabaria ali. Mas ela disse que ele estava bem, que já estava sendo cuidado. Respirei aliviado. Talvez a noite ainda fosse nossa. Fomos para um lugar cheio de fumaça doce, luzes baixas, copos tilintando. Narguilé, bebida, risadas… uma nuvem lenta engolindo o tempo. Quando acabava, a gente pedia mais. Depois mais. E mais uma vez. A promessa era simples: depois disso, a gente iria embora para finalmente ficar a sós. Mas a madrugada foi ficando espessa. As horas foram escorrendo silenciosas. E elas não queriam parar de fumar, nem de beber, nem de prolongar aquela noite que parecia não ter fim. Quando percebi… já eram três da manhã. E eu tive que ir. Saí com o gosto agridoce da expectativa que não chegou a se cumprir. A rua estava vazia, o silêncio pesado. Foi então que lembrei daquele “feliz sexta-feira 13”. E entendi, caminhando sozinho sob a madrugada: Nem toda noite nasce para cumprir promessas. Algumas vêm apenas para nos ensinar que o destino também sabe brincar com a espera.

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