Inverno (Hanie)
Te ver hoje não me fez bem. É difícil dizer isso, sendo que antes tu eras como um sol brilhando na minha vida, aquecendo meu coração e despertando em mim desejo, paixão e amor de um jeito que eu nem sabia explicar. Sinto muito… Quando te vi e chegaste perto de mim, tua energia atravessou meu peito como uma dor daquelas que aparecem quando o coração já não quer proximidade. Teu beijo foi apenas um gesto. Não senti nada. E estar contigo, de algum modo, me fez mal. Eu ainda insisti. Fomos a um lugar ruim, depois a um lugar bom, até dançamos… mas aquela dor no peito não foi embora. Lamentei profundamente, porque jamais quis sentir isso. E hoje havia no ar um clima de despedida. Eu, que já desejei tanto te ver, hoje desejei te deixar partir. E senti raiva de mim mesmo por sentir isso. Não entendo. Às vezes penso que apaixonar e desapaixonar, amar e desamar, fazem parte do meu destino. Como se eu tivesse nascido para sofrer e, sem querer, também fazer outros sofrerem. Tu me disseste na despedida que foi bom me ver, nem que fosse por pouco tempo… mas para mim não foi. Despedi-me de ti com o coração partido... Não por te perder, mas por sentir que algo em mim já tinha ido embora antes mesmo do adeus. Talvez o amor também conheça o inverno. Talvez até os sóis mais intensos um dia se tornem apenas lembrança no céu da memória. O que fomos não foi mentira. Foi fogo, foi luz, foi verdade enquanto existiu. Mas algumas chamas não se apagam de repente, elas apenas deixam de aquecer. E assim eu sigo, com um silêncio no peito e uma ternura triste no olhar, sabendo que um dia tu foste sol, e que hoje és apenas um pôr do sol dentro de mim.
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