Saturno @suicida_inconsolavel
Poema

Minguante

A rua, silenciosa, é chuva, poema e prosa, é dor, lágrima de uma rosa; pétalas de uma flor que caem fora de hora, oferecida a um túmulo; despedida, silenciosa e vazia n'um barulho, n'um jazigo, n'uma noite chuvosa. A Lua, silenciosa, é culpa, poema e prosa, é o seu pôr, noite escura e luminosa; pétalas de uma flor que, à noite, desabrocha, oferecida à um túmulo; também viva, é quem chora, quem sorri, quem é noturno; também viva, está morta. O luar entre nuvens colide com o vento morno e me chama à rua, me chama a ser solto, mas não me é possível; meu silêncio é choro, é vazio invisível que está em todos, que está inaudível em quem é recluso, ansioso. O luar entre nuvens colide com o vazio que ouço e seu aroma de ferrugem me chama a ser solto, mas não, sou invisível; meu tempo é pouco, é vazio muito sensível que está em todos, que está perceptível em quem é noturno, morto. Only alone; digito isso em meu telefone não sei o porquê; a quem leu até aqui, e ainda lê: este sou eu, a partir, e apesar de não querer, lido com o não conseguir, só o que me resta. Only alone; digito isso, é o que me consome, não sei o porquê; a quem leu até aqui isto que estou a escrever: este sou eu, desejo-de-fim, e apesar de ainda estar a ler, ainda não posso ir, esta é minha guerra. A Lua, nesta fase, é foice; minguante, é luz na rua, escuridão na noite, tema disto que falo, que sinto, que se ouve; pela janela do meu quarto o vento é morno, hoje. A Lua, é na cidade, luz-da-noite; minguante, é gatilho de culpa, escuridão torpe, tema disto que falo, que sinto, que sempre houve; pela janela do meu quarto o tempo é morto; hoje. E é noite, onde estou há mar, a Lua a se pôr é vento morno e frio, a ventar; e é noite, por onde vou a andar, a Lua, quando se for, será tempo solto e perdido, coruja a cantar. Meu lar. - 21/11/2020 -

Comentários · 3

  1. Saturno

    https://youtu.be/3MOu3qi3NLc

  2. SuSu

    Que lindo👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

  3. Ricardo Ferreira dos Santos.

    sensacional 👏👏👏👏