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Saturno

@suicida_inconsolavel · desde 2021

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Poema

Minguante

A rua, silenciosa, é chuva, poema e prosa, é dor, lágrima de uma rosa; pétalas de uma flor que caem fora de hora, oferecida a um túmulo; despedida, silenciosa e vazia n'um barulho, n'um jazigo, n'uma noite chuvosa. A Lua, silenciosa, é culpa, poema e prosa, é o seu pôr, noite escura e luminosa; pétalas de uma flor que, à noite, desabrocha, oferecida à um túmulo; também viva, é quem chora, quem sorri, quem é noturno; também viva, está morta. O luar entre nuvens colide com o vento morno e me chama à rua, me chama a ser solto, mas não me é possível; meu silêncio é choro, é vazio invisível que está em todos, que está inaudível em quem é recluso, ansioso. O luar entre nuvens colide com o vazio que ouço e seu aroma de ferrugem me chama a ser solto, mas não, sou invisível; meu tempo é pouco, é vazio muito sensível que está em todos, que está perceptível em quem é noturno, morto. Only alone; digito isso em meu telefone não sei o porquê; a quem leu até aqui, e ainda lê: este sou eu, a partir, e apesar de não querer, lido com o não conseguir, só o que me resta. Only alone; digito isso, é o que me consome, não sei o porquê; a quem leu até aqui isto que estou a escrever: este sou eu, desejo-de-fim, e apesar de ainda estar a ler, ainda não posso ir, esta é minha guerra. A Lua, nesta fase, é foice; minguante, é luz na rua, escuridão na noite, tema disto que falo, que sinto, que se ouve; pela janela do meu quarto o vento é morno, hoje. A Lua, é na cidade, luz-da-noite; minguante, é gatilho de culpa, escuridão torpe, tema disto que falo, que sinto, que sempre houve; pela janela do meu quarto o tempo é morto; hoje. E é noite, onde estou há mar, a Lua a se pôr é vento morno e frio, a ventar; e é noite, por onde vou a andar, a Lua, quando se for, será tempo solto e perdido, coruja a cantar. Meu lar. - 21/11/2020 -

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euthanasia

Morrerei sem sentir dor, E quem sente minha falta? O papel? O túmulo chama pelo meu nome, Não consigo ir. Não tenho coragem para tentar, Não há nada a me impedir, Apenas há Vozes me encorajando a tentar, Mas eu não consigo Criar coragem E ir. Ninguém sentirá saudade, Ninguém fará um velório, Ninguém reconhece minha arte, Ninguém, ninguém... simplório. A solidão é a única companhia E o único vazio, Eu me tornei ela, Eu me sorrio Sem saber o motivo. Eu sonho estar morrendo E a sensação é boa, É uma droga acordar No dia seguinte E ver tudo se repetir, A mesma gilete, O mesmo pulso, O mesmo sangue, O mesmo a cair. Sou imortal? Talvez o seja. Não suporto mais, Sou apenas tristeza, Nenhum sentido faz Nem é suposto fazer. Não é suposto Alguém como eu viver, Não acertei nada na vida, A morte será o único acerto, O único jeito. Não é suposto Viver porventura, Morrerei sem que pranteiem por mim, Enquanto minha insônia madruga, Enquanto minha esperança é o fim. Não há ninguém por mim, Não há consolação, Não há ninguém comigo, Não há cura na solidão, Caminho sem volta E sem luz, só escuridão. Meu viver não foi alegre, Meu morrer será trágico, Meu viver não foi nada, Que diferença faz no mundo um solitário? A pistola não resultou, O remédio não resultou, A água não resultou, O gás não resultou, A gilete não resultou, O veneno não resultou, O salto não resultou, O autocarro não resultou, O LSD não resultou, Nada resultou, Sou imortal. É meu inferno! Nasci para morrer Por mim mesmo, Nasci para querer Andar a esmo Pela rodovia E pela ferrovia Sem semáforo E sem olhar para os lados, Mas nasci com o azar De isso não resultar também. Tantas pessoas morrem, Mas eu não consigo, Injusto! Não sentirão saudades, Nem na Ilha da Madeira Nem em Lisboa. Viver é minha tristeza, Interminável Não por escolha Mas por azar; A morte não teve a audácia, Recorrerei a euthanasia, Infalível.

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