depois de verões e a lua cheia
paixões e lamentos aos céus
um lindo cometa rasga todos os véus
e derrepente tenho todas as respostas em uma meia noite e meia
vasculhado o mundo
revirado todo o universo
uma luz que vaza incontida do meu profundo
a verdade, simples como um verso
o medo, corrompendo minha alma
o amor, quando incerto, tornado esperança
nasceram comigo, e comigo vão pra vala
lutando por quem ficará com a herança
o último pedaço do meu corpo, muito antes de podre, medido e vendido na balança
no incerto passar de estações
o pensamento me tira toda noção:
de mim restarão flores da primavera
ou a lápide fria com uma caveira
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como um asno com o seu fado no cabresto
persigo a esperança com uma inocência fútil
tetando melhorar em um esforço cansado, inútil
caminhando na visão limitada e centrada do meu terrível estado
migalhas fazem meu coração acelerar
num anseio tão forte a me fazer tropeçar
com ansia, tropeços na tristeza, avareza de nada
nos meus joelhos ralados, cansados de cair e tentar
meu coração falha batidas
minha mente me pede pra parar
jorra da minha esperança ferida
um xorume próprio que me faz querer vomitar
não, não nado contra a correnteza, não me arrisco a tentar
mas ela me leva e me arrasta, como um peso morto
com certa certeza, como uma frágil presa
com um conforto inegável, fúnebre delicadeza
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te transformei na minha lua
e agora você decide minha maré
criei uma história bonita sua
e adociquei seus pecados com fé
te confundi com o que eu ouvia da paixão
e me entreguei cegamente em sua mão
como se fosse um fardo leve o meu coração
parei de te confundir comigo
e entendi o nosso castigo,
coloquei meus olhos em você com ilusão
na esperança de que tivessem lhe dado a minha visão
e te convencido de que talvez,
eu pudesse ser a solução
-mariposa
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para quem já se afogou uma vez
toda poça é mar,
e para quem se afoga por vontade própria
toda gota é amar.
-mariposa
foge livre, o meu amor, em cascata
reluzindo em estrelas cor de prata
nesse rio fluindo no seu coração
afluente que me acorrenteza em suas mãos
a maré, seduzida, sobe pra tocar a lua
mas a infinita tempestade continua
na interminável tentativa de junção,
na inevitável divisão
incansável desejo
estonteante e repetitivo voltejo
do tempestuoso amor, furacão de emoções
eternamente Rio negro e Solimões
-mariposa
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do que minha alma faz clamar
desesperada como o ar que enche meu pulmão ,
desordenada como o som que escreve cada compasso do meu coração,
é a força do empuxo do seu mar,
que em ti quer me afogar
te amarei sob a luz diurna ,
farei o mundo lembrar de meu amor
te amarei sob a luz da lua ,
os astros precisam saber que agora tenho valor
jamais hei de amar sem luz alguma,
que sob a benção do seu olhar
o céu é um lugar qualquer – em qualquer lugar
em todas as minhas realidades
ame o que tenho de pior aqui
pois o que tenho de melhor, aprendi vendo em ti
-mariposa
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o laranja ultraforte nos meus olhos
encontra o laranja ultraforte nos seus
e formam um pôr-do-sol de possibilidades
pelo meu binóculo roubado eu vejo
a roda da sua bicicleta girando
seu rosto a minha mente vai pintando
e seu corpo vai embora me levando
caminhos traçados desde a maternidade
que eu sinto no calor do toque da sua mão,
em nossos dedos que se abraçam com perfeição
com perfeição demais para não terem se encontrado em outra realidade
(baetinhas eu amo vocês)
-mariposa
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chega perto de mim
que eu estou
me chama enfim
que eu vou
me pede
que eu me dou
sorri
me adivinhou
me toca
e eu finalmente sou.
-mariposa
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peço que me deixe
me deixe ver o que em você floresce
me mostre onde é frio e o que te aquece
o que pra ti é luz e que horas ela anoitece?
me diz o que te incandesce
cuidado! que esse calor contamina meu pavio
que me ilumina o que eu não sabia,
mas que você já conhece
e que agora queima todo dia
e se o fogo fraquejar,
que esteja no meu pavio a última brasa
que ardeu pra te esquentar,
que lhe queimem pra sempre os dedos
que usou pra me tentar
pensando que eu não podia arder mais que o fogo
peço que me deixe
- mariposa
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