O perfume da tua Ausência
A brisa sopra, traiçoeira e mansa, E traz no ar um sopro do passado. Acorda em mim a velha lembrança Do teu perfume que ficou guardado. É o sândalo que invade todo o espaço, Forte e denso, feito tua presença. Resgata a falta que faz o teu abraço E aquela dor que nunca descansa. As lágrimas caem, teimosamente, Brotando do peito em pleno desatino, Desfazendo o esforço de ser indiferente E de fingir que mudei meu destino. Todas as memórias que um dia enterrei, O peso dos planos que o tempo desfez, Tudo o que fomos e o que não serei, Volta à tona de uma só vez. Mas a brisa passa, o encanto se esvai, O aroma se perde na dor que me invade. O cheiro dissipou, assim como você se foi, E o vento levou o que restava de nós.
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