Flor Noturna @sonho_inacabado

Alma Solo

Nas sombras frias da minh’alma exausta, Ecoa um pranto que ninguém escuta... A vida, uma ilusão tão breve e adusta, Passou por mim qual ladino que assalta. Já sonhei com um  mundo etéreo, Mas murchou cedo no meu jardim interno. Agora sou um vulto, pálido e sério, Errante neste vale eterno. Oh! a dor me faz irmã do abismo, Onde os risos morrem sem ter nascido... E o amor? Um espectro em cruel lirismo, Que beija e fere, e deixa o peito ardido. Por que nasci? Que sentido há no fado? Ser para o nada, eis o meu cruel destino! A existência é um cárcere mal selado, Com grades de ouro e carma divino... Quis crer na luz... mas tudo era mentira! O bem, o belo, ilusões de uma poetisa. Só resta agora esta mórbida lira E a saudade de um Deus que já não habita. Se a morte é leito de silêncio e calma, Que venha, enfim, com seu manto sem cor... Pois já não cabe mais dentro da alma O peso vil de viver sem sentido, sem esplendor.

Comentários · 1

  1. Sr Noturno

    está incrível!

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    1. Flor Noturna

      Muito obrigada!

    2. Sr Noturno

      com prazer!