Sinval
14 de março de 2025
Prezado eu,
Escrevo estas palavras com a tinta amarga da desilusão, guiado pela luz de uma lua coberta por nuvens tempestuosas e uma completa desesperança.
O amor, ah o amor, idealizado por filmes clichês e livros feitos para apaixonados, nos vendendo que o amor é nossa força vital, o elixir da felicidade eterna, Sinto em lhe avisar que acreditar nisso é estar condenado a reviver a tragédia de ícaro, você voa perto demais do sol, e suas asas feitas de sonhos e ilusões são queimadas pelo calor cruel da realidade.
Não entenda mal querido, o amor é lindo, como um oásis em meio ao deserto escaldante, mas você nunca irá saciar sua sede, toda vez que acreditar ver o paraíso será apenas sua mente lhe mostrando aquilo que tanto persegue, mas quando chegar perto dos portões irá perceber que não se passa de mais areia.
Não me interprete mal, não sou um cético amargurado, acreditei genuinamente na promessa do amor, me joguei de abismos, mergulhei de cabeça em mares que prometiam a paixão, me ofereci ao cupido, mas todas as flechas se desviam e perfuravam qualquer um que não fosse eu.
O amor, caro eu, não é pra todos.
É privilégio reservado a poucos, aos que possuem a sorte de encontrar um par perfeito, uma alma gêmea que ressoa na mesma frequência. Para grande maioria (inclusive você eu) resta apenas a solidão, apenas fantasmas nos acompanhando no leito de morte.
Não se iluda com contos de fadas ou finais felizes hollywodianos. A vida real é mais traiçoeira e cruel.
Me permita um conselho, não aposte todas suas fichas no amor, não o idealize, não o espere.
Dito isso querido eu, lute para não se tornar quem eu sou, ou melhor, lute para que saiba lidar melhor que eu.
Com carinho, cuidado e um pingo de esperança, sinval.
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Eu sou um poeta que não pode ficar sóbrio nem por segundo,
Minha arte é movida a base de álcool, drogas e dopamina,
Enquanto são minha caneta não rabisca nem um único verso.
Quando a noite cai e o mundo se cala,
O álcool queima meu cérebro e a dopamina me faz voar,
Minha mente se abre e os versos fluem como um rio,
Minha alma se incendeia e meu coração acelera ao ponto de quase explodir.
Minha arte é meu próprio reflexo,
Um espelho que reflete meu âmago,
Que mostra de forma clara meus tormentos e lamentos,
Embora eu saiba do preço a se pagar,
Eu não posso parar de criar,
É isso que me faz vivo,
Sou um doente que se mantém vivo apenas com um tanque de poesia que me faz respirar.
Eu continuo a beber,
Continuo a fumar,
Continuo a escrever até que os versos me matem,
É isso que eu sou,
Um maldito poeta que não vive sem sua arte,
Muito menos sem seus vícios.
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Em ruas escuras e chuvosas,
Onde apenas o fúnebre brilho da lua me guia,
Eu te busco,
Uso como bússola um coração que arde em desejo.
Você com toda sua beleza e crueldade,
Se esconde,
Me evita,
Me encara com seus olhos frios e indiferentes,
Eu, louco de amor,
Te persigo como um inseto fascinado pelo fogo.
Desesperado por ti,
Te amo cada vez mais,
Te amo até que minha alma não seja mais minha,
Até que minha essência seja consumida.
Meu amor é uma doença que me consome,
Me devora,
Me deixa vazio feito um cadáver,
E eu prisioneiro da paixão,
Aceito minha sina de braços abertos.
Embora minha busca incessante esteja me matando,
Te amarei até que não me reste nada.
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Em um quarto sujo e esquecido,
Onde a luz do sol não entra,
Penso em ti,
Minha ruína.
Teu sorriso é uma faca que me corta,
Me dilacera,
Teus olhos são um poço sem fim que me suga,
Me devora.
Eu sou um homem quebrado,
Um bêbado desesperado,
Um tolo apaixonado,
Mas quando te vejo,
Sinto que posso ser salvo.
Você é o único que poderia me tirar desta prisão de desesperança,
Mas não o faz.
Então me embriago,
Me afogo em um mar de uísque e cigarros,
O único ser que poderia me salvar,
Me destrói.
Por mais que eu odeie,
É minha sentença te amar,
Porque este sou eu,
O menino que se apaixona pela própria ruína.
Eu não posso viver sem você,
Não posso morrer com você,
Me sinto amaldiçoado,
Sempre perseguindo algo que nunca vou ter.
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Eu queimo todas as flores que você me manda,
Para que assim o destino não as tomem.
Eu não quero sentir o vazio de quando você sair da minha vida,
Então não não permito que você entre.
Eu impido o amor de crescer,
Para que não o veja morrer.
Não quero sentir a dor da perda do que nunca tive.
Meu cérebro grita que é burrice se afastar por medo de perder.
Mesmo indo contra a razão,
Eu continuo queimando as flores que você me manda,
Porque no fim,
Tudo se torna cinzas.
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Quando sóbrio eu não penso em você,
Ou melhor, me obrigo a não pensar,
Mas agora com o álcool embaçando a razão,
Só consigo pensar em você,
Só penso em te escrever.
Cada palavra que desenhada pela ponta da minha caneta é feita com a mais pura paixão,
Sinto que estou me abrindo como nunca antes,
E sei que amanhã vou me arrepender,
Não vou te responder,
Vou bloquear,
E fingir que nada aconteceu,
Mas enquanto ainda estou sob efeito da coragem,
Preciso que você saiba como me sinto.
O meu presente é baseado em mágoas do passado e futuros impossíveis,
Penso como deveria ter aproveitado mais o tempo em que estive com você,
Como me arrependo das palavras que proferi e da maneira imatura que agi,
Talvez se eu simplesmente tivesse usado outras palavras nesse momento eu estivesse bêbado em seus braços e não chorando por sentir sua falta.
Amanhã quando a ressaca chegar,
Vou me arrepender, me esconder,
Mas agora, nesse momento, eu não me importo,
Eu só quero que você saiba, que eu ainda sinto.
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Meu cérebro é uma doença,
Meu corpo é uma aberração.
Olhos fixos na balança,
1 quilo a mais,
Talvez eu devesse comer de menos,
Fazer alguns abdominais.
Minha garganta arde,
São tantos vômitos que já perdi a conta,
O cigarro me vicia mas também me emagrece.
Eles não vão me amar se eu não eu for magro,
Não vão me desejar se minhas costelas não estiverem a mostra,
Não vão se sentir atraídos se eu comer algo.
"Coma por favor!"
Vejo um espelho na minha frente,
Desvio o olhar imediatamente,
Toda essa gordura me adoece.
-62 quilos e 400 gramas.
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Eles pregam a não violência,
Dizem que devemos ser civilizados e resolver as coisas na base do diálogo,
Mas é essa "não violência" que mantém esse sistema assassino intacto,
Enquanto morremos de fome eles exportam todo nosso alimento pra fora,
Enquanto o povo LGBTQIA+ é apedrejado na rua eles propõe a proibição do casamento homoafetivo,
Enquanto meu povo preto luta pela própria vida os policiais homicidas recebem anistia,
Enquanto mulheres são estupradas eles proíbem o aborto em qualquer circunstância,
Enquanto morremos eles nos privam da saúde.
Pregam a não violência porque é isso que os mantém no poder,
Mas eu pergunto a vocês,
E se decidirmos acatar a violência?
Mandá-los para a guilhotina,
Submetê-los a nossa ira,
Eles nos temem,
Dizem que somos minorias,
Mas quantas minorias vocês assassinam?
E se nos juntarmos em prol da justiça?
Pisotearmos até o último dos parasitas?.
Che guevara já nos dizia:
Revolução ou morte.
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"Se ajoelhe"
Eu o obedeço como se seu corpo fosse minha religião,
Como se fosse um demônio e eu fosse o corpo que você escolheu pra possuir.
Eu sou fascinado por você,
Pela forma que me da vida ao me tocar,
E na forma que me deixa vazio feito um cadáver quando acaba.
Ainda estou me decidindo se você é um Deus ou um demônio.
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Todos os poetas que conheço escrevem sobre o amor,
Sobre o desejo de amar e ser amado,
Os prazeres da alma,
Isso faz com que eu me questione:
Sou realmente um poeta?
Eu busco pelos prazeres da carne,
Dentro de mim residem os pecados da gula e luxúria,
Toda noite quero conhecer um novo corpo,
Dormir em novas camas,
Provar de diferentes sabores.
Não busco a leveza de um amor,
Busco a satisfação do prazer,
Me chame de profano,
Mas me procure ao anoitecer.
Não sei se sou um poeta,
Não procuro o amor,
Não tenho a mínima vontade de escrever de como seus olhos castanhos são lindos,
O que quero de verdade provar dos prazeres da carne.
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