Coração padece, dolorosamente
Não é uma dor qualquer
Padece também a mente
Levem-me se quiser
O sentido da vida se esvai
Por orgulho, não dou o braço a torcer
Me perdoe filha, perdoe seu velho pai
Pensamentos conflitantes, sofrer, viver ou morrer?
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Chegará este dia
Hoje, amanhã, ainda não sei
A causa será meu último suspiro de vida
Será o dia que não escreverei
Por ela acordo muito cedo
No primeiro canto do galo
Por ela vou a luta não tenho medo
Por ela tomo até banho gelado
A semana se tornará longa
As horas contigo mais escassas
Vidas separadas, situação complicada
Quanta saudade de ti minha filha amada
Hoje é o primeiro dia da conformidade
Esta segunda-feira, totalmente nublada
Você com poucos anos de idade
Do seu pai foi separada
Quem fez o que fez se diz arrependida
Muito conveniente agora
Disse palavras desaforadas naquele dia
Agora é tarde, víbora peçonhenta, mal amada
Gostaria de estar ao seu lado como antes
Minha preocupação é contigo
O céu, as estrelas, o tempo agora são instantes
Por ti meu tempo sacrifico
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Meu corpo com feridas
Cobertas por vestes encardidas
Descalço, pés cortados por brita
Caminhada, dura, sofrida
Traído por sofisma
Em um trapézio de espinhos sou equilibrista
No rosto a delicada brisa
Carne destruída
Pela lança desferida
Meu corpo agoniza
Já frio e sem vida
Resta apenas alma ferida.
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A janela está aberta
Veja a luz do amanhecer
Seu coração envolto por trevas
A absorve, o torna outro ser.
Sua pobre alma o inferno adentrou
Pobre ser, esqueceu, mas depois lembrou
Que as consequências de quem se matou
É enegrecer a luz que em vida o guiou.
Agora perdi o juízo
Mas o que é isso
Amor correspondido não é prejuízo
Raramente é eterno, não correspondido é finito
Vejo o jardim colorido
Cores vívidas
Algumas jamais havia visto
Cada flor desse jardim transborda vida
Eu sei disso,
Algumas se vão, triste partida
Levam consigo
A última centelha de vida.
No horizonte meu olhar fixo
Que visão magnífica
Caio de joelhos, grito
No céu luz que irradia
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Não posso compartilhar o tempo escasso
Os dias passam, depressa demais
No fundo, você se arrependeu
Agora quase impossível voltar atrás
Os dias passados não voltarão
Certeza que ainda não se acostumou
Os dois calhordas agora estão felizes com tal situação?
Agora quero ver, trabalhar, quem nunca trabalhou
Bastardo ordinário e sua vó ordinária
Calhordas, covardes, destruíram minha reputação
Você acreditou em um lado da história
De você e minha filha, a triste separação
Continue cometendo esse erro
Acreditando em palavras imundas
Proliferada de bocas porcas
Foram-se por água abaixo
Todos meus anos de dedicação e luta
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A viagem é longa
Acordo muito cedo
Ouvindo uma triste música
Penso no futuro, remoendo meus erros
Confrontados pelos meus acertos
A música ecoa nos meu ouvidos
Seguro por um instante as lágrimas
O coração aos prantos, estremecido
Mais um dia de vida, infelizmente ainda vivo
O que me faz viver ainda é minha filha
Às vezes cometo falhas com ela admito
Ela é o grande amor da minha vida
O sentimento é conflitante
Culpa, tristeza, rancor, ódio, desamor
Fui expulso do meu lar, seres repugnantes
Agora sei que minha filha é o verdadeiro amor
Sempre trabalhei, a mais de uma década
Sustentando este bastardo, a qual dei um nome
Envolvendo pessoas tão boçais quanto ele
Hoje se pudesse, o deixaria passar fome
Separaram minha filha e eu
Não pensaram na saudade da pequena
O quanto isso me dói, mas quem sou eu
Minha esposa, culpada por ser isenta
Deixou esse dejeto, juntamente com a víbora
Se intrometer em nossas vidas
Apontando o dedo e me mandado embora
Após tal ocorrido
Fico com minha pequena filha
Apenas dois dias...
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