Deusa do corpo seco e opaco
Lábios rachados e mordidos. Três vezes dita, três vezes chamada. Pertencendo a nenhum coração. Com pele enrugada e dedos escorrendo mel. Mesa pra sete pessoas, uma só companhia. Tendo em si olhos de pirilampos E sorriso medonho de uma bruxa. Era linda, mas incrívelmente sozinha Nem mesmo o homem que jura ser abrigo. No fim do dia, com gritos curvos e confortáveis. Sempre amanhece indo embora. Se tornando a sua sina. Mesmo que ame muito uma guerra. Você não as vence apenas sendo delicada Ou escondendo suas partes íntimas na calcinha. Deusa do corpo seco e opaco. Vazia como o lado obscuro da lua. Dona de dois corpos, três se contar o dele. Você é como todas as semi mulheres queimadas. Arrastadas por carros ou esfaqueadas no coração. Com no máximo trinta anos de espectativa de vida. Sua mágoa vira feitiço. E sua boca, desesperada por devoção Se torna magia Pra ele, ou pra qualquer homem que te olhe como mulher, antes de deusa. Que aprecie seus pensamentos femininos antes do seu corpo seco. Que olhe pro seu sorriso medonho Antes de olhar pro seus seios opacos e fictícios. Você é filha do solo, e mãe do vento. Mas ainda sim escolhe as cartas erradas. O homem errado te ama. Faça ele ser o certo Mesmo que isso seja a última coisa que você faça.
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