Ayla 🏳️‍⚧️ @skyflowers

Oz, terra encantada

Quero encontrar um caminho. Não tem como perder os sapatos nos tijolos amarelos Tudo tem sido real demais. A dor tem sido real A ficção tem sido um caminho fechado. Não posso mais viver uma vida que não é minha. Nem entregar a Oz o meu tão sonhado amor. Todo mundo merece um lar pra chamar de seu. Mas quantas voltas eu dou, até desistir de procurar. Quantas vidas eu tenho que roubar. Até conseguir respirar na minha? Quantos homens devoro, até encontrar o meu? Até ter certeza de que vivo como uma andorinha britânica da paz Quantos corações eu tenho que partir. Pra reconstruir alguma coisa dentro dos meus ossos. A vida não tem sido justa. Os amores não tem sido reais. A insegura finca na pele como um mantra. Um dia ele vai me deixar E nem adianta bater os sapatos três vezes. Eu não volto pra casa. Porque não existe um lar pra chamar de meu. Rímel preto escorrendo no rosto da garota mais linda da cidade. Queria ser ela e apodrecer na máscara. Mas tenho que viver sendo eu. A bruxa má do leste. Condenando alma, lendo vidas em cartas de tarô. Sou como a minha mãe, morto por dentro. E consequentemente líquido como meu pai. A história rasgada do pano. O faz de conta que cai no abismo da realidade. Eu reconstruo a minha vida, e tenho dias contados pra isso. Sou como Cezar, e eu quero o que é meu. Mesmo que eu nunca tenha tido nada. Nem um destino bonito pra dar as minhas poesias. Mas sempre fui meio esotérico nisso também. Quero me trancar no calabouço da terra encantada. Mas pra quem sangra o mundo mágico não existe. Então revivo memórias, vivo dias, e sobrevivo aparências. Não me odeiem Mas do que eu já me odeio. Mas me entreguem a chave do coração de vocês. Pois sei amar, como só alguém que viveu dois mundos conseguiria. E não pertenço mas ao faz de conta. Mas sobretudo, com mãos ensanguentadas. E uma coroa de arame farpado. Busco meu tão sonhado final feliz.

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