Ronaldo Paulino @ronaldopaulino

A justiça é Cega

Morador da cidade cartão postal que a teve, fala o rádio, divulga cantada em versos e, do alto do morro da favela, está de braços abertos no duplo sentido. Muitos, como eu, senti falta da acessibilidade de tantas promessas feitas. Acessibilidade não vem porque tem promessas, e acessibilidade não vem, e acabando as promessas, acessibilidade vem, e a saudade se vai embora. Como meu pai me deu cones que não serve, eu tenho que usar um bastonete. Sempre tem um cone na calçada que as companhias pública e privada tornam a mobilidade uma escalada da mais difícil montanha. Sempre estes cones estão na subida e descida da montanha e não reclamo mais, disse que se adaptar a vida é minha cidade sem planos. Rogamos ao divino que mande um anjo urbanista. Vamos fazer uma promessa, um sacrifício: andar de joelhos até que acontecer o milagre. Oramos ao Senhor: Anjo urbanista,venha estar no meio da cidade de nós. Anjo urbanista,venha estar no meio da cidade de nós. Anjo urbanista,venha estar no meio da cidade de nós, etc. etc. etc. Eu vivo no escuro, durmo no mesmo e sou preto, e acordo com esta conta que meu pai não paga, e vivo nos tropeços da escuridão da vida de braços com minha cidade, e ainda me deram um título de cidadão Honoris Causa.

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