CORAÇÃO AO MAR
No casco gasto pelo sal do tempo, Navego a Baía de Guaxenduba. A proa aponta pra fé antiga, Onde São José me ensina a remar. Da popa sigo em lembranças, Entre bombordo e boreste, eu vou No convés carrego histórias do povo Que o vento do cais contou. O leme é firme como promessa, No timão, a mão do pescador O motor é a luta diária, A hélice, o sonho sonhador. Na linha d’água mora a esperança, Entre a maré cheia e o viver calado Com a quilha fincada na tradição, Aprendi o rumo pra não me perder. Se o mar aperta, lanço a âncora E amarro a fé na oração, Porque quem nasce à beira d’água Carrega o mar no coração. E assim segue a embarcação, Entre o cais, a rede e o luar; Bendita seja a travessia De quem navega em São José de Ribamar. Roberto Paixão São José de Ribamar MA
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