BORA DAR UM PIQUE?
Na lentidão da infância, a gente passava os dias correndo, sem relógio, sem pressa, só o corpo obedecendo à vontade. Do Cruzeiro, onde eu morava, até a praia de banho, era um pique, destino nenhum cansava. Tinha torneio no campo do Moropóia, e lá íamos no pique, com o coração chegando antes do corpo. Fim de semana era promessa cumprida: banho no Rio Tabatinga, no Cururuca, um pique só, água, riso e liberdade. A saída da escola virava corrida, porque a vida começava ali. As brincadeiras tinham fôlego e poeira: rouba-bandeira, preto fugido, grito solto, joelho ralado e alegria sem nome. Descíamos as ladeiras do Moropóia rolando em pneu, de patinete, desafiando o medo e subindo de volta correndo, só pra não perder a emoção. E foi assim: na lentidão da infância, a gente passou correndo por dentro do tempo. Hoje, na corrida apressada da vida, somos lentos. Presos. Parados diante da luz fria das telas dos celulares, correndo… sem sair do lugar. Roberto Paixão São José de Ribamar MA
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