FORA DOS TEUS PLANOS
Hoje já não caminho nos teus mapas, Nem pertenço ao desenho que fizeste de mim. Minhas palavras, antes cheias de retorno, Agora se perdem em ecos sem fim. A simplicidade que um dia te tocou a alma Virou lembrança dobrada no passado repugnante, Como se o tempo tivesse manchado O que havia de mais sagrado. E eu, que era a brisa leve que te acalmava, Tornei-me um enigma mal interpretado. Fui crescendo entre medos e silêncios, Me refazendo no que a vida permite. Sou complexo, mas sigo inteiro, Mesmo quando ninguém me decifra ou admite. E, se um dia o destino, por desengano, Te fizer lembrar do que fomos, sem ruído, Saberás: não era falta de amor no teu plano, Nem um simples “passar o pano”. Era apenas um coração, firme e vivo, Sendo, por ti, mal compreendido. E, se te interessa saber: Apesar de tudo, eu te amo. Roberto Paixão São José de Ribamar MA
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