Ferida Aberta
Há dores que o tempo não sepulta, apenas aprende-se a caminhar com elas em silêncio. E assim sigo eu, há onze longos anos, carregando no peito a memória de um amor que um dia chamou meu nome e depois partiu meu coração em pedaços. Meu primeiro amor… minha esposa… levada pelos braços da traição, ao lado daquele que eu chamava de irmão e amigo. Foi como ver a própria alma sangrar sem ferida visível. As noites tornaram-se mais frias, os dias perderam o brilho, e dentro de mim nasceu um vazio que palavra alguma conseguia explicar. Mas Deus… ah, Deus nunca me abandonou. Quando pensei que tudo havia morrido, Cristo permaneceu ao meu lado, silencioso, porém fiel, como luz acesa em meio à tempestade. E pela misericórdia do Altíssimo, aprendi a perdoar. Perdoei os dois, de coração sincero. Não lhes desejo lágrimas, nem ruína, somente paz em seus caminhos. Contudo, há lembranças que ainda despertam como vento antigo, tocando feridas quase cicatrizadas. Às vezes a alma ainda chora baixinho quando ninguém vê. Mas hoje compreendo algo eterno: antes que qualquer ser humano me amasse, Jesus já me amava primeiro. E quando todos partiram, Ele ficou. Porque os homens falham, o mundo muda, os sentimentos se quebram… mas Cristo permanece, amigo fiel nas madrugadas mais escuras. E creio, com toda esperança que ainda vive em mim, que chegará o dia em que o Senhor tocará esta dor pela última vez e transformará todo esse pranto em paz eterna dentro da minha alma. (Chico Chaves)
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