Cheguei ao shopping às oito da manhã, mas as portas ainda estavam fechadas. É curioso chegar tão cedo e ficar ali, do lado de fora, esperando, enquanto a gente observa o movimento e tenta, aos poucos, se conectar com o lugar e com as pessoas.
Os bancos de madeira estavam quase vazios. De vez em quando, alguém aparecia e se sentava, talvez apenas para passar o tempo, talvez esperando o momento em que as portas finalmente se abrissem e o ar fresco de dentro trouxesse algum alívio para o calor da manhã.
Enquanto isso, o habilidoso jardineiro seguia de um lado para o outro, regando as diversas plantas do shopping com toda a calma de quem já conhece bem o seu ofício.
E fiquei ali, observando aquela pequena cena cotidiana: o barulho da água, os bancos quase vazios, as portas fechadas e o movimento começando devagar. Há algo de bonito nesses momentos em que o dia ainda parece estar acordando.
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Não foi obsessão, confesso; foi apenas paixão dessas que, por um instante, nos fazem acreditar que talvez valha a pena tentar. E então, tomado por essa esperança, decidi declarar aquilo que, até então, permanecera resguardado.
Que ingênuo me senti ao me submeter a certas humilhações, vindas de alguém com quem eu apenas compartilhava impressões sobre os livros que havia lido, alguém que, inclusive, fez-me atravessar trezentas páginas em uma verdadeira maratona literária, apenas para que tivéssemos algo mais sobre o que conversar.
Que tolo fui quando passei a contemplar o meu carro, as minhas roupas e todo o meu trabalho com outros olhos, como se, de repente, essas coisas pudessem revelar alguma insuficiência em mim.
Eu não imaginava que o amor pudesse estar tão subordinado às fantasias surreais, aos devaneios e às construções imaginárias da mente de alguém.
Que tolo fui quando finalmente compreendi que tudo aquilo era apenas um jogo, um elaborado exercício de ilusões, expectativas e fantasias concebidas na mente de alguém, enquanto eu, ingenuamente, acreditava estar diante de algo real.
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Aprendemos com a astronomia
que encontrar uma segunda Terra
é quase uma impossibilidade.
Um mundo que tenha
a distância certa de seu Sol,
uma Lua de proporções harmoniosas,
uma órbita favorável,
uma combinação tão rara de acasos
que a própria vida possa nascer.
E então me pergunto:
Será que é tão difícil
encontrar uma mulher de verdade?
Ou será que o homem procura,
sem perceber,
um planeta feito à sua medida?
Alguém com a mesma simetria,
com particularidades semelhantes,
com um jeito que dialogue com o seu,
mas que também carregue
mistérios que lhe sejam desconhecidos.
Talvez o amor seja justamente isso:
não encontrar alguém perfeito,
mas encontrar alguém tão singular
que suas imperfeições
pareçam ter sido feitas
para habitar as nossas.
Como dois astros perdidos no universo
que, entre bilhões de possibilidades,
acabam encontrando
a mesma órbita.
BY: Mateus Chaves
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Observe os bonobos: tão próximos de nós em sua herança genética, e não menos semelhantes em seus costumes sociais. Neles se revelam os mesmos ímpetos da natureza: a fome, os desejos, os instintos, as súbitas impulsividades e até a violência manifestações de uma essência ainda indômita, própria dos animais.
By: Mateus
A mesma árvore que no outono se despe de suas folhas é aquela que, chegada a primavera, torna a florir em sua formosura.
By: Mateus Chaves
Ele oferece o seu melhor ao seu bichinho de estimação, sacia a fome felina de sua estimada companheira, despende todo o seu dinheiro e seu precioso tempo com seu bichinho de estimação, e ela morde, ela arranha, ela brinca, ela se deleita com seu novelo de lã de estimação.
By: Mateus Chaves
A onda do momento é a crise dos trinta: nada mais entusiasma, nada mais comove, e, às vezes, até as palavras certas despertam uma certa preguiça de serem repetidas.
By: Mateus Chaves
Ilusão ou ironia do destino? Não há lógica alguma nesse pensamento tão ingênuo.
By: Mateus Chaves
Panela no fogo, aroma de limão, leite de coco,
moqueca com pirão, tomates maduros, cebola e pimentão;
do caldo do badejo, um belo sorriso surgindo
dos lábios do apreciador.
By: Mateus Chaves
Há dores que o tempo não sepulta,
apenas aprende-se a caminhar com elas em silêncio.
E assim sigo eu, há onze longos anos,
carregando no peito a memória
de um amor que um dia chamou meu nome
e depois partiu meu coração em pedaços.
Meu primeiro amor… minha esposa…
levada pelos braços da traição,
ao lado daquele
que eu chamava de irmão e amigo.
Foi como ver a própria alma
sangrar sem ferida visível.
As noites tornaram-se mais frias,
os dias perderam o brilho,
e dentro de mim nasceu um vazio
que palavra alguma conseguia explicar.
Mas Deus…
ah, Deus nunca me abandonou.
Quando pensei que tudo havia morrido,
Cristo permaneceu ao meu lado,
silencioso, porém fiel,
como luz acesa em meio à tempestade.
E pela misericórdia do Altíssimo,
aprendi a perdoar.
Perdoei os dois, de coração sincero.
Não lhes desejo lágrimas, nem ruína,
somente paz em seus caminhos.
Contudo, há lembranças
que ainda despertam como vento antigo,
tocando feridas quase cicatrizadas.
Às vezes a alma ainda chora baixinho
quando ninguém vê.
Mas hoje compreendo algo eterno:
antes que qualquer ser humano me amasse,
Jesus já me amava primeiro.
E quando todos partiram,
Ele ficou.
Porque os homens falham,
o mundo muda,
os sentimentos se quebram…
mas Cristo permanece,
amigo fiel nas madrugadas mais escuras.
E creio, com toda esperança que ainda vive em mim,
que chegará o dia
em que o Senhor tocará esta dor pela última vez
e transformará todo esse pranto
em paz eterna dentro da minha alma.
(Chico Chaves)
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