rafael @rafaelramos_b

São os seus olhos sobre a chaga.

São os seus olhos sobre a chaga. São seus olhos sobre a chaga que me fazem a chaga apetecer, Somente para ver-te — jubilosamente — velar-me; Tão vagamente sofrer que, mal por dizeres, Sou, de todo, carne. Se fico doente, cruzes! Cruzes de espanto, se é por temer; Cruzes de humor, se por ti é o amar. Mas, se sou doente — e digo assim, de repente — é porque acuso o maldizer, e, por dele ainda tomar, de seus olhos sobre a chaga não haver. Contudo, se a chaga forem os seus olhos e a sentinela por tê-la — para tê-la — nesse ensejo acha-se vã, E se tão reluzente tu me dizes isso, Em charamela os dois elejo: Meu bem e meu mal; Meu mal e meu afã!

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