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rafael

@rafaelramos_b · desde 2024

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Quem dorme não mente Quem canta, inflama Se manifesta a verdade no sono Se propaga o sonho em façanhas Quimera é o amar por não amar Quisera, mas não soubeste ousar É que faltaste ao ensaio da vida E vês que a lucidez é um 'stado d'alma da mentira. Então resiste em sonífero Repartindo a face em três: Paixão, cansaço e rosmaninho — que o não conheces de fato — Mas a paixão e o cansaço já mais que valem em tua tez. Declara ontem dessa maneira E pousaste a ninfa em teu sentir. Se o fizeste em qualquer terça, Nesta quinta, do sonho, não acordas feliz.

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Véspera

Véspera. Me eximo à espera da véspera. Não há nada depois da véspera, Nem véspera alguma. Mas a quimera dum dia onírico, Um dia feliz, Um dia depois da véspera, Me faz ouvir o estridulo do grilo E a falta dele Mais todas as coisas.

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São os seus olhos sobre a chaga.

São os seus olhos sobre a chaga. São seus olhos sobre a chaga que me fazem a chaga apetecer, Somente para ver-te — jubilosamente — velar-me; Tão vagamente sofrer que, mal por dizeres, Sou, de todo, carne. Se fico doente, cruzes! Cruzes de espanto, se é por temer; Cruzes de humor, se por ti é o amar. Mas, se sou doente — e digo assim, de repente — é porque acuso o maldizer, e, por dele ainda tomar, de seus olhos sobre a chaga não haver. Contudo, se a chaga forem os seus olhos e a sentinela por tê-la — para tê-la — nesse ensejo acha-se vã, E se tão reluzente tu me dizes isso, Em charamela os dois elejo: Meu bem e meu mal; Meu mal e meu afã!

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Sabiá

Sabiá. Amar é subjugar-se ao horizonte; Encostar a porta; Suceder desmaio; Prostrar-se de corpo e palavra; Proclamar-se, pois, amante! Eis! Cansei-me de amores, Esses amores somente meus. Escrevo odes dentro quatro paredes; Dentro quatro paredes relato-os, venero-os e só sei eu. Então, se for pra amar, Que me venham os olhos de sabiá, Que, danado entre os galhos, Atrevido pelo arvoredo, Me apresente teu cantarejo E me ame com seu olhado.

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Amigos e amigas, voltei!!