Quem dorme não mente
Quem canta, inflama
Se manifesta a verdade no sono
Se propaga o sonho em façanhas
Quimera é o amar por não amar
Quisera, mas não soubeste ousar
É que faltaste ao ensaio da vida
E vês que a lucidez é um 'stado d'alma da mentira.
Então resiste em sonífero
Repartindo a face em três:
Paixão, cansaço e rosmaninho — que o não conheces de fato —
Mas a paixão e o cansaço já mais que valem em tua tez.
Declara ontem dessa maneira
E pousaste a ninfa em teu sentir.
Se o fizeste em qualquer terça,
Nesta quinta, do sonho, não acordas feliz.
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Véspera.
Me eximo à espera da véspera.
Não há nada depois da véspera,
Nem véspera alguma.
Mas a quimera dum dia onírico,
Um dia feliz,
Um dia depois da véspera,
Me faz ouvir o estridulo do grilo
E a falta dele
Mais todas as coisas.
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São os seus olhos sobre a chaga.
São seus olhos sobre a chaga que me fazem a chaga apetecer,
Somente para ver-te — jubilosamente — velar-me;
Tão vagamente sofrer que, mal por dizeres,
Sou, de todo, carne.
Se fico doente, cruzes!
Cruzes de espanto, se é por temer;
Cruzes de humor, se por ti é o amar.
Mas, se sou doente — e digo assim, de repente — é porque acuso o maldizer, e, por dele ainda tomar, de seus olhos sobre a chaga não haver.
Contudo, se a chaga forem os seus olhos
e a sentinela por tê-la — para tê-la — nesse ensejo acha-se vã,
E se tão reluzente tu me dizes isso,
Em charamela os dois elejo:
Meu bem e meu mal;
Meu mal e meu afã!
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Sabiá.
Amar é subjugar-se ao horizonte;
Encostar a porta;
Suceder desmaio;
Prostrar-se de corpo e palavra;
Proclamar-se, pois, amante!
Eis! Cansei-me de amores,
Esses amores somente meus.
Escrevo odes dentro quatro paredes;
Dentro quatro paredes relato-os, venero-os e só sei eu.
Então, se for pra amar,
Que me venham os olhos de sabiá,
Que, danado entre os galhos,
Atrevido pelo arvoredo,
Me apresente teu cantarejo
E me ame com seu olhado.
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Amigos e amigas, voltei!!