Em um poço sem fundo
É onde queria jogar
Na tentativa irrisória
Dessa lástima memória
Não mais me machucar
Tanto quanto esse poço fundo
Que sequer existe
Foi que guardei profundo
A desolação do meu mundo
A chaga em mim que não remiste
Eu busquei ser tão sincero
Quanto poderia desejar
Sempre levando a sério
Mesmo quando o seu critério
Me permitia não levar
E o pior foi descobrir
Que todas aquelas memórias
Foram farsas pra encobrir
A sua maneira de agir
Sempre inventando histórias
Como que calculadamente
Como se feito de propósito
Causaste indubitavelmente
A quebra da minha mente
Meu caixão e meu óbito
Mentiste e acreditei
Que era meu teu coração
O amor que professei
A amizade que doei
Era pra ti só distração
Se já te fui bem quisto
Como pôde? Não te importas?
Eu já não mais resisto
Fui, como Santo Cristo
Atingido pelas costas
Jeremias não foi o tal
Que atirou e me matou
Num golpe ainda mais letal
Foi aquela menina bossal
Pra quem jurei o meu amor
- Paulo Junior -
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Num encontro diário
Sem qualquer pretensão
Com inocência de criança
Tão real quanto o chão
Foi assim que surgiu
Dele, o primeiro amor
Em um pátio de escola
Ele se encantou
Ela não tinha julgamentos
Era espontânea e sincera
Às vezes até meio grossa
O que só a deixava mais bela
Ele, já anestesiado
Voltou a sentir com sua presença
E, ao vê-la entrar pelo portão
A alegria era imensa
E assim os dias passaram
Até o ano acabar
Ele mudar de escola
E nunca mais a encontrar
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Certa noite tive um sonho
Meio maluco no qual
Você havia terminado
Sua relação atual
E dito que agora
Ia vir pra cima de mim
E não queria saber
Do que ia ser no fim
Era época de escola
Mas tínhamos 20 e poucos
Éramos da mesma sala
Sempre perto um do outro
Eu sempre te admirei
Enquanto, de longe, fitava
Tua pele e teus cabelos
Pelos ombros, em cascata
Sem falar do teu cheiro
Que é tão bom que traz paz
E teu abraço sincero
Que, quando mal, me refaz
Quando ouvi suas intenções
E vi suas investidas
Confesso, quanto a eu resistir
Houveram zero tentativas
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A certa altura da vida
Acreditei ter descoberto
A causa de eu machucar
Quem está por perto
Eu comecei a lutar
Como qualquer um faria,
Sem merecer aplausos.
Só mais uma luta de cada dia.
E às vezes o que traz
A resposta que pensamos
Já ter encontrado
É o tempo, passando.
E que amarga resposta
Eu finalmente encontrei.
Aquilo não é um problema,
Só algo ao que me entreguei.
Conclusão de tudo:
O problema está em meu peito.
Insisto em melhorar
Cometendo os mesmos erros.
Já que "onde está teu tesouro,
Aí está teu coração",
Tenho um valioso cofre,
Repleto de podridão.
Insistir em mantê-lo
É minha falha extrema.
Guardo a sete chaves
Todo o mal que me envenena.
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Eu sou um homem mundano
Tentando ser um homem de Deus.
Almejando a santidade
E desejando o prazer dos ateus.
Sou como um barco de papel
A desbravar em alto-mar,
Querendo cruzar oceanos
Sem a terra firme deixar.
Sou como a pena solta
De uma ave distinta,
Tentando riscar o papel
Sem mergulhar a ponta na tinta.
Sou como um anjo caído
Querendo voltar ao céu,
Tentando ser perdoado
Sem reconhecer que sou réu.
Sou como Bob Esponja
Tentando tirar CNH,
Pondo esperanças em algo
Que estou fadado a fracassar.
Mas, diferente dele,
Eu me frustro e eu existo.
E a parte mais difícil
É justamente isso.
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Eu tenho certa inteligência
E parei pra pensar
Em todos os problemas
Que deixo pelo ar.
O clima, aparentemente,
Era pra ser limpo e fluído.
Mas, nessa TV tela plana,
Eu sou o fantasma e o ruído.
Então cheguei a conclusão
Que, pra acabar com esses problemas,
Talvez a solução
Seja me cortar da cena.
E assim, como se diz,
Cortar o mal pela raíz.
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Se pudesse escolher
Ter um super-poder,
Eu iria desejar
Saber a hora de parar
De insistir e persistir
No que não vai funcionar.
E, talvez, a resposta certa
Seja: sequer começar.
É que eu sempre tentei tanto
Chegar em algum lugar,
Que eu nem sei onde é
E nem se quero chegar.
No entanto, permaneço
Num caminho de fim incerto.
Mas, quanto mais penso que cresço,
Mais percebo o inverso.
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Já faz um tempo que não escrevo
E estou um tanto enferrujado.
Pouco mais de um ano depois;
Mais velho, logo, mais sábio.
E o que posso ensinar
Com toda essa minha sabidêz?
Nada de útil, com certeza,
Não para todos vocês.
Mas ainda é tempo de ensinar
O eu que virá no futuro
Quanto mais sábio acho que estou,
Percebo ser ainda bem burro.
Eu busco melhorar, sim.
Mas continuo tão falho
Quanto eu sempre serei.
Ando, tropeço e caio.
O conselho que me dou
É de não parar de escrever;
Não ser ingrato à poesia.
Isso só leva a sofrer.
E mais um ensinamento
Que adquiri na jornada:
Não dá pra acertar todas,
Mas dá pra errar vááárias.
Tenho tentado ver o mundo
Sempre por um melhor ângulo,
Mas tenho visto que a vida
Não é a merda de um morango.
Quando a natureza chama
Não há quem a possa calar.
Cá estou eu novamente
A escrever as merdas
Que não consigo falar.
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O problema do amor
É que ele é como o alto mar
Revolto e assolador
Não se pode controlar
Algumas pessoas preferem
As bordas serenas da praia
Uma paixão casual
Um mergulho e já basta
E eu nem mencionei
Os que molham os pés apenas
Se por medo ou trauma
Querem uma coisa amena
Mas há os que se jogam
E vão cada vez mais fundo
Ignorando os avisos
De cuidado do mundo
Os que se afogam no amor
Jamais retornam à praia
Amar é mar
Não se contente com uma gota d'água
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Eu sou do tipo que rui fácil
Fácil até demais
Quando a coisa aperta
Minha confiança se desfaz
Minha mente é fraca
E meus sentimentos frágeis
E pra criar cenários falhos
Meus pensamentos são ágeis
Fico sem motivação
E vários dias de molho
Mas eu luto pra lágrima
Não marejar o meu olho
E se eu não busco ajuda
Meus medos me consomem
Eu sou uma completa fraude
Ao me chamar de homem
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