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Paulo Junior

@poowjunior · desde 2020

De vez em quando, escrevendo alguma coisa. instagram.com/pejotaxp

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Amor

383. Pesares

Em um poço sem fundo É onde queria jogar Na tentativa irrisória Dessa lástima memória Não mais me machucar Tanto quanto esse poço fundo Que sequer existe Foi que guardei profundo A desolação do meu mundo A chaga em mim que não remiste Eu busquei ser tão sincero Quanto poderia desejar Sempre levando a sério Mesmo quando o seu critério Me permitia não levar E o pior foi descobrir Que todas aquelas memórias Foram farsas pra encobrir A sua maneira de agir Sempre inventando histórias Como que calculadamente Como se feito de propósito Causaste indubitavelmente A quebra da minha mente Meu caixão e meu óbito Mentiste e acreditei Que era meu teu coração O amor que professei A amizade que doei Era pra ti só distração Se já te fui bem quisto Como pôde? Não te importas? Eu já não mais resisto Fui, como Santo Cristo Atingido pelas costas Jeremias não foi o tal Que atirou e me matou Num golpe ainda mais letal Foi aquela menina bossal Pra quem jurei o meu amor - Paulo Junior -

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382. Primeiro amor

Num encontro diário Sem qualquer pretensão Com inocência de criança Tão real quanto o chão Foi assim que surgiu Dele, o primeiro amor Em um pátio de escola Ele se encantou Ela não tinha julgamentos Era espontânea e sincera Às vezes até meio grossa O que só a deixava mais bela Ele, já anestesiado Voltou a sentir com sua presença E, ao vê-la entrar pelo portão A alegria era imensa E assim os dias passaram Até o ano acabar Ele mudar de escola E nunca mais a encontrar

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381. Sonho

Certa noite tive um sonho Meio maluco no qual Você havia terminado Sua relação atual E dito que agora Ia vir pra cima de mim E não queria saber Do que ia ser no fim Era época de escola Mas tínhamos 20 e poucos Éramos da mesma sala Sempre perto um do outro Eu sempre te admirei Enquanto, de longe, fitava Tua pele e teus cabelos Pelos ombros, em cascata Sem falar do teu cheiro Que é tão bom que traz paz E teu abraço sincero Que, quando mal, me refaz Quando ouvi suas intenções E vi suas investidas Confesso, quanto a eu resistir Houveram zero tentativas

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380. Venenoso

A certa altura da vida Acreditei ter descoberto A causa de eu machucar Quem está por perto Eu comecei a lutar Como qualquer um faria, Sem merecer aplausos. Só mais uma luta de cada dia. E às vezes o que traz A resposta que pensamos Já ter encontrado É o tempo, passando. E que amarga resposta Eu finalmente encontrei. Aquilo não é um problema, Só algo ao que me entreguei. Conclusão de tudo: O problema está em meu peito. Insisto em melhorar Cometendo os mesmos erros. Já que "onde está teu tesouro, Aí está teu coração", Tenho um valioso cofre, Repleto de podridão. Insistir em mantê-lo É minha falha extrema. Guardo a sete chaves Todo o mal que me envenena.

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379. É dificil rezar com a cabeça à milhão

Eu sou um homem mundano Tentando ser um homem de Deus. Almejando a santidade E desejando o prazer dos ateus. Sou como um barco de papel A desbravar em alto-mar, Querendo cruzar oceanos Sem a terra firme deixar. Sou como a pena solta De uma ave distinta, Tentando riscar o papel Sem mergulhar a ponta na tinta. Sou como um anjo caído Querendo voltar ao céu, Tentando ser perdoado Sem reconhecer que sou réu. Sou como Bob Esponja Tentando tirar CNH, Pondo esperanças em algo Que estou fadado a fracassar. Mas, diferente dele, Eu me frustro e eu existo. E a parte mais difícil É justamente isso.

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378. Raíz

Eu tenho certa inteligência E parei pra pensar Em todos os problemas Que deixo pelo ar. O clima, aparentemente, Era pra ser limpo e fluído. Mas, nessa TV tela plana, Eu sou o fantasma e o ruído. Então cheguei a conclusão Que, pra acabar com esses problemas, Talvez a solução Seja me cortar da cena. E assim, como se diz, Cortar o mal pela raíz.

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377. Destino?

Se pudesse escolher Ter um super-poder, Eu iria desejar Saber a hora de parar De insistir e persistir No que não vai funcionar. E, talvez, a resposta certa Seja: sequer começar. É que eu sempre tentei tanto Chegar em algum lugar, Que eu nem sei onde é E nem se quero chegar. No entanto, permaneço Num caminho de fim incerto. Mas, quanto mais penso que cresço, Mais percebo o inverso.

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376. Mais sábio do que nunca

Já faz um tempo que não escrevo E estou um tanto enferrujado. Pouco mais de um ano depois; Mais velho, logo, mais sábio. E o que posso ensinar Com toda essa minha sabidêz? Nada de útil, com certeza, Não para todos vocês. Mas ainda é tempo de ensinar O eu que virá no futuro Quanto mais sábio acho que estou, Percebo ser ainda bem burro. Eu busco melhorar, sim. Mas continuo tão falho Quanto eu sempre serei. Ando, tropeço e caio. O conselho que me dou É de não parar de escrever; Não ser ingrato à poesia. Isso só leva a sofrer. E mais um ensinamento Que adquiri na jornada: Não dá pra acertar todas, Mas dá pra errar vááárias. Tenho tentado ver o mundo Sempre por um melhor ângulo, Mas tenho visto que a vida Não é a merda de um morango. Quando a natureza chama Não há quem a possa calar. Cá estou eu novamente A escrever as merdas Que não consigo falar.

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Amor

375. Amar é mar

O problema do amor É que ele é como o alto mar Revolto e assolador Não se pode controlar Algumas pessoas preferem As bordas serenas da praia Uma paixão casual Um mergulho e já basta E eu nem mencionei Os que molham os pés apenas Se por medo ou trauma Querem uma coisa amena Mas há os que se jogam E vão cada vez mais fundo Ignorando os avisos De cuidado do mundo Os que se afogam no amor Jamais retornam à praia Amar é mar Não se contente com uma gota d'água

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374. Homem não chora

Eu sou do tipo que rui fácil Fácil até demais Quando a coisa aperta Minha confiança se desfaz Minha mente é fraca E meus sentimentos frágeis E pra criar cenários falhos Meus pensamentos são ágeis Fico sem motivação E vários dias de molho Mas eu luto pra lágrima Não marejar o meu olho E se eu não busco ajuda Meus medos me consomem Eu sou uma completa fraude Ao me chamar de homem

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