Um dia desses
Um dia desses fui mar sem saber que estava indo meu amor ao lado a olhar o horizonte se abrindo. As ondas vinham lentinhas com seu rumor de oração e o céu bordava as tardinhas dentro do meu coração. Havia um balanço enfeitado de girassóis sobre a areia, como um sonho improvisado que o vento amarelo semeia. E nós, pequenas no mundo sentadas diante do azul vendo o infinito profundo beijar o nordeste e o sul. Bebíamos tarde e maresia em copos frágeis de verão mas havia uma delicadeza fazendo morada nas mãos. Ela sorria tão leve e eu repousava, enfim como a maré que descansa depois de voltar pra si. As horas não tinham peso nem medo de ir embora o amor era só um aceso de sol queimando a hora. Depois vieram partidas silêncios, distância e cais essas marés divididas que o tempo inventa demais. Mas ainda encaro o oceano quando o peito quer falar e mesmo longe, te amo com todo meu jeito de mar. -Para a cidade onde o vento nos guardou. Fortaleza, maio de 2025. R&J. 18/05/2026.
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