Rafa @poetadegaveta08
Poema

Prece às águas do amor

Que o tempo lave o que já se desfez, e o rio guarde o que soube existir, como prece antiga que a água refez, em doce silêncio que insiste em florir. Há mãos invisíveis que sabem guiar, no sopro leve que ensina a esperar, como guia manso que toca sem falar, e acende no corpo o que aprende a ficar. Que venha em doçura do mel de Oxum, escorrendo lento sem medo de ser, mas traga no fundo a força que é comum de quem, mesmo calma, não teme arder. Que seja como as águas de cachoeira, que caem serenas, mas sabem tocar, e leve no pulso a onda inteira que quebra feroz sem deixar de amar. Que exista em presença que ousa mostrar o que vibra inteiro sem se dividir, em braços que sabem também repousar em outros que chamam para se permitir. Que seja afeto que não quer medir, carinho que escorre sem se conter, um dar que se expande no simples sentir e encontra no outro um modo de ser. Que deixe o espaço do voo e do chão, do só que respira e do junto que é calor, liberdade viva na mesma extensão de quem não se perde no gesto de amor. Que traga na intensidade um centro de paz, como queda d’água que canta ao cair, e mesmo no excesso um ponto capaz de, em calma profunda, ainda existir. Que venha em beleza que não se desfaz, forma que pulsa sem se explicar, como quem ama a vida e ainda é capaz de, em cada instante, recomeçar. Que faça de si um caminho melhor, lapidando o gesto de amar sem temor, e que ao se encontrar, em laço maior, seja digna inteira de todo esse amor. E quando esse encontro enfim acontecer, sem pressa, sem medo, sem dor, que o amor merecido consiga reconhecer em quem o recebe o que pede o amor. Que haja verdade no que se constrói, sem falta, sem medo, sem se perder, e nessa troca que une e não dói, uma torne a outra melhor ao viver. Que o amor que eu mereça me encontre E que eu seja o amor que ela mereça. R.H 💛❤️ 22/04/2026.

Comentários

Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.